{"id":13317,"date":"2016-03-18T00:00:00","date_gmt":"2016-03-18T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2020-07-06T20:23:08","modified_gmt":"2020-07-06T20:23:08","slug":"estamos-ai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/estamos-ai\/","title":{"rendered":"Estamos a\u00ed&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Na primeira noite eles se aproximam<\/p>\n<p>E roubam uma flor<\/p>\n<p>Do nosso jardim.<\/p>\n<p>Na segunda noite, j\u00e1 n\u00e3o se escondem;<\/p>\n<p>Pisam as flores, matam nosso c\u00e3o<\/p>\n<p>E n\u00e3o dizemos nada.<\/p>\n<p>At\u00e9 que um dia,<\/p>\n<p>O mais fr\u00e1gil deles<\/p>\n<p>Entra sozinho em nossa casa,<\/p>\n<p>Rouba-nos a luz, e,<\/p>\n<p>Conhecendo nosso medo,<\/p>\n<p>Arranca-nos a voz da garganta.<\/p>\n<p>E j\u00e1 n\u00e3o podemos dizer nada<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Nos tempos de estudante, na Universidade de S\u00e3o Paulo, viv\u00edamos um dos per\u00edodos mais austeros do arb\u00edtrio \u2013 meados dos anos 70. Tragicamente, o \u00e1pice desta repress\u00e3o, ouso dizer, se deu com o assassinato, nos por\u00f5es do DOI\/CODI, do professor e jornalista Vladimir Herzog, em outubro de 1975.<\/p>\n<p>J\u00e1 lhes disse, aqui, neste modesto Blog, que soube da morte do meu ent\u00e3o professor num s\u00e1bado \u00e0 noite, em pleno Teatro Aquarius (sim, existia em S\u00e3o Paulo um teatro com esse nome, que prospectava uma nova era de paz e amor). Assistia ao espet\u00e1culo \u2018Brasileiro Profiss\u00e3o Esperan\u00e7a\u2019, de Vianinha, quando os atores em cena, Paulo Gracindo e a cantora Clara Nunes, pararam a trama para anunciar a plateia a trag\u00e9dia mais do que anunciada&#8230;<\/p>\n<p>Especialmente para mim (que nunca fui her\u00f3i, diga-se), foi quando se fez as trevas mais l\u00fagubres daqueles infelizes tempos ditatoriais.<\/p>\n<p>O tempo que n\u00e3o para no porto, n\u00e3o apita na curva, n\u00e3o espera ningu\u00e9m, passou&#8230;<\/p>\n<p>De alguma forma, o Brasil redemocratizou-se. N\u00e3o chegou a ser a almejada na\u00e7\u00e3o justa e solid\u00e1ria que se esperava, mas, de alguma forma, at\u00e9 por caminhos sinuosos e \u00edngremes, nos fez entender que aquelas eram turvas \u00e1guas passadas que n\u00e3o mais moveriam o moinho de nossas vidas.<\/p>\n<p>E, c\u00e1 estamos, diante de um grande impasse institucional, com arroubos e exageros de todos os lados.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o que n\u00e3o mergulhem nesse po\u00e7o sem fundo que nos rouba a perspectiva de que tenhamos, em curto prazo, a luz do sol como guia.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se serei ouvido.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que, antes de qualquer resposta (que n\u00e3o lhes darei), me perguntem de que lado estou.<\/p>\n<p>Talvez lhes diga, sim, do belo momento que ontem vivi ao lado dos estudantes de Jornalismo da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo que, por iniciativa do Centro Acad\u00eamico In\u00eas Etienne Romeu, realizou uma roda de debate sobre o atual momento pol\u00edtico brasileiro. Na mais completa paz, com pleno respeito \u00e0 opini\u00e3o divergente.<\/p>\n<p>Todos que quiseram falar falaram.<\/p>\n<p>Todos se dispuseram a ouvir. E a refletir sobre quais caminhos, juntos, podemos seguir.<\/p>\n<p>Por isso, e por inspira\u00e7\u00e3o dessa turma, abri o texto de hoje com um trecho da poesia de Maiak\u00f3viski (confesso, n\u00e3o sei se \u00e9 verdadeiramente dele) que tanto ouv\u00edamos naqueles idos e vividos anos de opress\u00e3o e resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Tor\u00e7o para que n\u00e3o voltem.<\/p>\n<p>Mas, se voltarem, e se for preciso, estamos a\u00ed&#8230;<\/p>\n<p>Ainda somos brasileiros, e nossa voca\u00e7\u00e3o\/profiss\u00e3o \u00e9 a esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Na primeira noite eles se aproximam<\/p>\n<p>E roubam uma flor<\/p>\n<p>Do nosso jardim.<\/p>\n<p>Na segunda noite, j\u00e1 n\u00e3o se escondem;<\/p>\n<p>Pisam as flores,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13317","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13317","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13317"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13317\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23321,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13317\/revisions\/23321"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}