{"id":13325,"date":"2016-03-29T00:00:00","date_gmt":"2016-03-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:47:31","modified_gmt":"2017-09-15T18:47:31","slug":"a-moca-e-o-ermitao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-moca-e-o-ermitao\/","title":{"rendered":"A mo\u00e7a e o ermit\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u201cClaranoite<br \/>\nAzul verde<br \/>\nClaro espa\u00e7o<br \/>\nDos que n\u00e3o medem<br \/>\nDist\u00e2ncias<br \/>\nAntes do voo\u201d<\/p>\n<p>A mo\u00e7a procurou o ermit\u00e3o l\u00e1 nos cafund\u00f3s do Reino do Sil\u00eancio, onde ele vivia.  Queria explica\u00e7\u00e3o para o poema que lera, numa horinha de descuido, e n\u00e3o mais se esquecera.<\/p>\n<p>Mal lembrara o nome do autor (o publicit\u00e1rio e poeta Mauro Salles), mas aquelas palavras lhe marcaram profundamente. Faziam-se presentes em diversos momentos de sua vida.<\/p>\n<p>Por vezes, os versos lhe abrandavam o vazio que lhe ia n\u2019alma. Em outras, insinuavam uma nostalgia que n\u00e3o lhe era comum. De todas as formas, a vida lhe era generosa \u2013 e, por essas e aquelas, deveria ser grata e plenamente feliz.<\/p>\n<p>N\u00e3o entendia os desv\u00e3os existenciais.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Era um ermit\u00e3o, n\u00e3o um s\u00e1bio. Do pouco que sabia \u2013 se \u00e9 que sabia -, uma das verdades era: ningu\u00e9m consegue ser \u201cplenamente feliz\u201d o tempo todo, todo o tempo.<\/p>\n<p>Por exemplo, estava contente por v\u00ea-la ali. \u201cPlenamente feliz\u201d por poder ajud\u00e1-la (se \u00e9 que conseguiria). No entanto, sabia de antem\u00e3o fugaz aquela encantadora presen\u00e7a a quebrar a solid\u00e3o do lugar e dele mesmo.<\/p>\n<p>Certamente, por uns bons tempos, lembrar-se-ia da mo\u00e7a que, um dia, lhe trouxe a poesia e reavivou esmaecidas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Perdera-se nos pr\u00f3prios pensamentos, e n\u00e3o se dera conta de que a mo\u00e7a estava ali \u00e0 espera da resposta que n\u00e3o sabia lhe dar.<\/p>\n<p>Disse-lhe ent\u00e3o o que lhe veio \u00e0 mente no compasso de um cora\u00e7\u00e3o acelerado al\u00e9m da conta:<\/p>\n<p>\u201cAs poesias, os poemas, como as can\u00e7\u00f5es, s\u00e3o obras abertas \u2013 e, mesmo que indiretamente, nos pertencem. Por vezes, dialogam com experi\u00eancias tidas e havidas, cutucam os sonhos sonhados, recuperam os passos que fizeram nosso caminho, revivem encontros e desencontros\u201d.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a tombou a cabe\u00e7a levemente para o lado e lhe olhou enviesado, de um jeito muito peculiar, muito pessoal, inesquec\u00edvel \u2013 e ele continuou:<\/p>\n<p>\u201cSomos feitos de sonhos e mem\u00f3rias. De voos que sequer planejamos e nem sempre nos levam aonde desejamos, de perdas e conquistas, de amores que, de t\u00e3o intensos e mesmo que breves, se fazem luminares, e eternos.\u201d <\/p>\n<p>*Nota do autor: <\/p>\n<p>Reparem no milagre do encontro. A mo\u00e7a adorava assistir a Globonews e o JN, o ermit\u00e3o preferia a Imprensa alternativa, com leve tend\u00eancia \u00e0 esquerda, e na vers\u00e3o digital. Era ermit\u00e3o, mas estava conectado&#8230; Mesmo assim, se entenderam e, ainda que por instantes, acreditaram nos versos mornos de um poeta esquecido. Que os fez acreditar que sempre \u00e9 tempo de sonhar e crer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cClaranoite<br \/>\nAzul verde<br \/>\nClaro espa\u00e7o<br \/>\nDos que n\u00e3o medem<br \/>\nDist\u00e2ncias<br \/>\nAntes do voo\u201d<\/p>\n<p>A mo\u00e7a procurou o ermit\u00e3o l\u00e1 nos cafund\u00f3s do Reino do Sil\u00eancio,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13325","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13325"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13325\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14723,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13325\/revisions\/14723"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}