{"id":13337,"date":"2016-04-10T00:00:00","date_gmt":"2016-04-10T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:47:29","modified_gmt":"2017-09-15T18:47:29","slug":"noticias-do-planalto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/noticias-do-planalto\/","title":{"rendered":"Not\u00edcias do Planalto"},"content":{"rendered":"<p>Aviso logo: o t\u00edtulo da coluna nada tem a ver com o livro do jornalista M\u00e1rio S\u00e9rgio Conti, \u201cNot\u00edcias do Planalto \u2013 A Imprensa e Fernando Collor\u201d. Menos ainda com o Planalto brasiliense, onde a chapa ferve e o circo midi\u00e1tico espalha lonas e holofotes.<\/p>\n<p>Fico mesmo com o Planalto, bairro oper\u00e1rio de S\u00e3o Bernardo do Campo, onde meus pais moraram por longos e longos anos, desde os anos 70, e onde n\u00e3o dou as caras desde que Dona Yolanda, minha m\u00e3e, morreu em junho passado.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi algo premeditado.<\/p>\n<p>Bateu o impulso. Creio que natural a quem, em meio \u00e0s bordoadas di\u00e1rias do tocar a vida, pretende minimamente a encontrar um tantinho de paz, rever-se aqui e ali, reaprumar os passos e o caminho.<\/p>\n<p>Verdade verdadeira, n\u00e3o sei que \u2018bicho\u2019 me deu.<\/p>\n<p>Sei que a primeira parada foi na feira-livre que sai da Avenida \u00c1lvaro Guimar\u00e3es e serpenteia a Rua Doutor Jos\u00e9 Ori\u00e1, passei pelo shoppinho (as lojas estavam fechadas logo cedo), me encaminhei para a padaria Tranza que est\u00e1 toda reformada, segui at\u00e9 o ponto de t\u00e1xi da rua Oragnoff e ali fiquei observando a janela do apartamento em que o pai e a m\u00e3e moraram por tanto tempo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 cortina atr\u00e1s das janelas. <\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ainda n\u00e3o mora ningu\u00e9m ali?<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m residi no Planalto por muitos anos \u2013 e tenho boas recorda\u00e7\u00f5es do lugar.<\/p>\n<p>Era um tempo de acreditar no sonho. Tempos plenos, intensos &#8211; de conquistas.<\/p>\n<p>Tempo de fazer e, como disse, acreditar.<\/p>\n<p>\u201cVida, minha vida, olha o que \u00e9 que eu fiz\u201d.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Ops&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sou t\u00e3o estranho assim ao lugar.<\/p>\n<p>Recebo um \u201cbom dia\u201d do jornaleiro amigo do meu pai. Ele me reconhece e se espanta com a brancura da minha barba.  <\/p>\n<p>Ele me convida para um pastel na rotisserie da Dona Olga, que faz salgadinhos de fama interplanet\u00e1ria. Fico tentado, agrade\u00e7o, mas dispenso.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de voltar para casa. N\u00e3o sem antes, dar uma espiadinha na Barbearia do Milton, que agora s\u00f3 atende de ter\u00e7a a s\u00e1bado. At\u00e9 o velho Milt\u00e3o est\u00e1 pedindo arreglo. Pode ser a crise?<\/p>\n<p>Outra hora eu revejo o amigo.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>No minuto seguinte, sou abordado por dois senhores, vestidos sobriamente para uma ensolarada manh\u00e3 de domingo. Roupa social, gravata. Me falam sobre algo maior, o Reino de Deus. Acenam com um livreto e me perguntam se desejo ser testemunha de Jeov\u00e1.<\/p>\n<p>(Agora me lembro. H\u00e1 uma igreja bastante atuante por aqui.)<\/p>\n<p>Tento ser educado:<\/p>\n<p>&#8211; Meus amigos, n\u00e3o posso ser testemunha de nada. Cheguei agorinha mesmo. O que aconteceu?<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Os senhores d\u00e3o meia volta, desolados.<\/p>\n<p>Menti para eles.<\/p>\n<p>De alguma forma, eu e minhas lembran\u00e7as nunca sa\u00edmos daqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aviso logo: o t\u00edtulo da coluna nada tem a ver com o livro do jornalista M\u00e1rio S\u00e9rgio Conti, \u201cNot\u00edcias do Planalto \u2013 A Imprensa e Fernando Collor\u201d. 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