{"id":13380,"date":"2016-06-04T00:00:00","date_gmt":"2016-06-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:47:22","modified_gmt":"2017-09-15T18:47:22","slug":"ali-o-destemido","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ali-o-destemido\/","title":{"rendered":"Ali, o destemido"},"content":{"rendered":"<p>Certo dia eu quis ser Cassius Clay.<br \/>\nNegro, forte, \u00e1gil, brilhante.<br \/>\nO maior de todos os tempos.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Era garoto, gostava de futebol e por aqui havia Paulo de Jesus e \u00c9der Jofre \u2013 mesmo assim, eu queria ser Cassius Clay.<\/p>\n<p>Os jornais e as r\u00e1dios noticiavam os feitos do extraordin\u00e1rio lutador de boxe. Um assombro de t\u00e9cnica, for\u00e7a, talento e arte.<\/p>\n<p>O pai e os amigos embarcavam euforicamente nesses relatos \u2013 e, por tabela, l\u00e1 ia eu sem me dar conta dos meus limites e da minha proverbial covardia diante do inef\u00e1vel da vida.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Creio que os caros leitores h\u00e3o de me entender: na imagina\u00e7\u00e3o de um menino suburbano e sonhador tudo \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia transmiss\u00f5es das lutas pela TV \u2013 isso se deu mais tarde quando ele j\u00e1 havia se transformado em Muhammad Ali e como Muhammad Ali mudou o mundo e a maneira de muitos a compreender o mundo e suas sutis diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Mas, a\u00ed eu j\u00e1 era um jovem, inquieto por desvendar os arredores \u2013 e admirava ainda mais o cara que ousou enfrentar, peito aberto, as verdades mentirosas do Sistema. Que chutou a fama, abriu m\u00e3o do t\u00edtulo mundial por n\u00e3o aceitar a farsa que queriam lhe impingir.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Seu retorno ao esporte foi \u00e9pico.<\/p>\n<p>Tanto que o nosso Benjor o saudou no disco \u201cNegro \u00c9 Lindo\u201d, lan\u00e7ado em 1971, com uma trepidante can\u00e7\u00e3o\/homenagem:<\/p>\n<p>\u201cCassius Marcelus Clay<br \/>\nHer\u00f3i do s\u00e9culo vinte, sucessor de Batman<br \/>\nSucessor de Batman, Capit\u00e3o Am\u00e9rica e Superman<br \/>\nCassius Marcelus Clay, o primeiro<br \/>\nTem a cad\u00eancia<br \/>\nDe uma escola de samba<br \/>\nE o 4-3-4 de um time de futebol<br \/>\nSalve Narciso Negro, salve Muhamad Ali,<br \/>\nSalve Fighty Brother, Salve king Clay<br \/>\nO eterno campe\u00e3o na realidade um \u00eddolo mundial<br \/>\nTem a postura da Est\u00e1tua da Liberdade<br \/>\nE a altura do Empire State<br \/>\nSalve Cassius Marcelus Clay<br \/>\nSoul brother, soul boxer, soul man\u201d<\/p>\n<p>A\u00ed eu h\u00e1 tinha 20 anos, e entendia o tamanho da encrenca que era a vida e seus percal\u00e7os.<\/p>\n<p>Passei a ter verdadeira devo\u00e7\u00e3o por Ali, o destemido.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>O tempo n\u00e3o perdoa nem sequer o maior dos nossos her\u00f3is.<\/p>\n<p>Pois, nem Ali escapou a essa sina.<\/p>\n<p>Como disse, covarde que sou, preferia n\u00e3o v\u00ea-lo em suas recentes apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, devastado pela doen\u00e7a de Parkinson.<\/p>\n<p>Dava-me uma tristeza imensa.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Certo dia, h\u00e1 coisa de alguns anos atr\u00e1s, meu filho chegou de uma viagem internacional entusiasmado com um casaco de abrigo que havia comprado n\u00e3o sei em que cidade.<\/p>\n<p>Fiquei curioso, ele n\u00e3o \u00e9 dado a esses luxos.<\/p>\n<p>Ele, ent\u00e3o, me mostrou a vestimenta de malha, um blus\u00e3o normal, preto. Com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cI\u2019m The Greatest\u201d em branco e dourado margeando a borda do capuz e no peito em letras enormes: MUHAMMAD ALI.<\/p>\n<p>Entendi, ent\u00e3o, que as lendas s\u00e3o indestrut\u00edveis, eternas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certo dia eu quis ser Cassius Clay.<br \/>\nNegro, forte, \u00e1gil, brilhante.<br \/>\nO maior de todos os tempos.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Era garoto, gostava de futebol e por aqui havia Paulo de Jesus e \u00c9der Jofre \u2013 mesmo assim,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13380","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13380"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13380\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14669,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13380\/revisions\/14669"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}