{"id":13383,"date":"2016-06-01T00:00:00","date_gmt":"2016-06-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T03:31:54","modified_gmt":"2017-09-14T03:31:54","slug":"em-curacao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/em-curacao\/","title":{"rendered":"Em Cura\u00e7ao&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Livre das atribula\u00e7\u00f5es do mestrado \u2013 que concluiu recentemente, conforme registrei no post de 27 de abril, o amigo Poeta quer viajar. J\u00e1 renovou o passaporte, est\u00e1 tirando o visto para os Estados Unidos e ainda quer conhecer o Caribe.<\/p>\n<p>\u201cUns poucos dias numa praia ensolarada para fugir do frio, da chuva e relaxar. Acho que mere\u00e7o\u201d \u2013 ele me diz em tom de acad\u00eamico que agora \u00e9.<\/p>\n<p>&#8211; Vai pensar no doutorado? \u2013 pergunto em tom de provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPor enquanto, n\u00e3o. Quero comprar uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica em Nova Iorque, que sai mais em conta, e espairecer nas praias de alguma ilha do Caribe que ainda n\u00e3o conhe\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p>Meu amigo est\u00e1 podendo.<\/p>\n<p>Brinco que ele \u00e9 um felizardo. Em tempos de crise rasgada, o homem pensa nas f\u00e9rias de julho e fala em duas viagens internacionais.<\/p>\n<p>\u201cOlha quem fala!\u201d \u2013 ele retruca. \u201cQuem viajou em abril para Cura\u00e7ao, e sequer postou uma linhazinha sequer sobre a ilha? Quem? Quem?\u201d<\/p>\n<p>Para que fui cutucar o tal?<\/p>\n<p>Disfar\u00e7o.<\/p>\n<p>Digo que ele est\u00e1 cert\u00edssimo, que viajar \u00e9 a melhor coisa do mundo. Que isso e aquilo e aqueloutro.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 bem, est\u00e1 bem, mas por que n\u00e3o postou nada sobre a viagem? Quem sabe n\u00e3o me inspira na escolha?<\/p>\n<p>Tento me explicar, enrolando a primeira parte da resposta.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sei explicar, com precis\u00e3o, o encantamento que toda viagem me traz. E reconhe\u00e7o que sou um viajante bem atrapalhado&#8230; Mas sobre Cura\u00e7ao, amigo Poeta, tamb\u00e9m n\u00e3o sei lhe dizer o porqu\u00ea ainda n\u00e3o consegui escrever.\u201d<\/p>\n<p>Penso e repenso.<\/p>\n<p>Voltei ao Brasil com a presidente praticamente impichada, com o alvoro\u00e7o daquela hedionda sess\u00e3o do C\u00e2mara Federal e os fatos nessa \u00e1rea se sucederam, cada vez mais sombrios, cada vez mais tenebrosos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como ficar de fora desse rodamoinho.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o quase todas as minhas cr\u00f4nicas s\u00f3 tratam desse tema. J\u00e1 fui at\u00e9 cobrado por alguns dos meus parcos leitores.<\/p>\n<p>Fiz um post recente (10 de maio \u2013 \u201cAs coisas que eu vou contar\u201d) em que tento me explicar os motivos que levaram o jornalista a suplantar o cronista.<\/p>\n<p>Vejam l\u00e1, se quiserem e voltem aqui.<\/p>\n<p>Pois fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol, atenderei ao pedido do amigo Poeta e escreverei sobre Cura\u00e7ao.<\/p>\n<p>Aviso logo! N\u00e3o esperem nada no estilo de Amaury J\u00fanior que n\u00e3o tenho essa voca\u00e7\u00e3o toda, n\u00e3o.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Vou lhes falar de Cura\u00e7ao.<\/p>\n<p>Cumpro assim a promessa que ontem fiz ao amigo Poeta e aos meus preclaros cinco ou seis leitores (H\u00e1 quem diga que j\u00e1 s\u00e3o sete ou oito, mas eu ainda desconfio).<\/p>\n<p>Antes fa\u00e7o quest\u00e3o de registrar que n\u00e3o trouxe de l\u00e1 uma boa hist\u00f3ria, n\u00e3o descobri nenhum personagem inesquec\u00edvel, nem observei nada que pudesse inspirar uma cr\u00f4nica daquelas de fazer rir e\/ou emocionar.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 lhes disse em outras ocasi\u00f5es, sou um viajante parvo, disperso. Mas, desconfio que, desta vez, me superei.<\/p>\n<p>Olai\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>A culpa \u00e9 s\u00f3 minha; n\u00e3o do lugar.<\/p>\n<p>Mesmo assim, trouxe de l\u00e1 algumas impress\u00f5es que, sem alternativa, passo agora a relacion\u00e1-las:<\/p>\n<p>1 &#8211; Cura\u00e7ao \u00e9 uma ilha no Caribe. Trata-se de um pa\u00eds aut\u00f4nomo que faz parte do Reino Unido dos Pa\u00edses Baixos \u2013 leia-se Holanda. Ao lado de Bonaire e Aruba, durante longos anos fez parte do se intitulou mais nobremente Antilhas Holandesas. Essa denomina\u00e7\u00e3o, acredito, era mais charmosa, combinava melhor com o que se v\u00ea especialmente na \u00e1rea central da cidade, onde se nota uma bela influ\u00eancia da arquitetura holandesa em casas e pequenos pr\u00e9dios bem antiguinhos. Muitos passam por um processo de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2 \u2013 Ali\u00e1s, durante os dez dias que me quedei por ali, fiquei remoendo a d\u00favida nada transcendental, mas uma d\u00favida: em termos de turismo, a ilha j\u00e1 viveu dias melhores e agora est\u00e1 sendo redescoberta ou agora \u00e9 que est\u00e1 vivendo o boom de se fazer conhecida mundo afora?<br \/>\nNingu\u00e9m soube me dirimir essa d\u00favida. \u00c9 bem verdade que tamb\u00e9m n\u00e3o perguntei nada a ningu\u00e9m. Fiquei s\u00f3 nas observ\u00e2ncias.<\/p>\n<p>3 \u2013 Importante: assim que chegar, alugue um autom\u00f3vel para se locomover pela ilha. Os meios de transportes s\u00e3o prec\u00e1rios e, comparada \u00e0s primas-irm\u00e3s Bonaire e Aruba, Cura\u00e7ao \u00e9 um vasto territ\u00f3rio, de vegeta\u00e7\u00e3o \u00e1rida, estradinhas aceit\u00e1veis e com rar\u00edssimos dias de chuva.<\/p>\n<p>4 \u2013 Mais importante que tudo: a ilha est\u00e1 fora da rota dos furac\u00f5es e tornados em qualquer \u00e9poca do ano. Oi, oi, oi&#8230; Isto \u00e9 que \u00e9 uma boa not\u00edcia.<br \/>\nIII.<br \/>\n5 \u2013 Onde se hospedar? H\u00e1 hot\u00e9is mais em conta. Claro, sempre os h\u00e1. No entanto, o charme \u00e9 voc\u00ea escolher entre um resort com todas aquelas mordomias que apresentam \u2013 inclusive praia exclusiva, ui! \u2013 ou no que, por l\u00e1, chamam de hotel-boutique. Estes ficam localizados pr\u00f3ximos ao centrinho, em \u00e1reas onde predominam os casarios com tra\u00e7os holandeses restaurados ou em processo de. Aqui, vale mais o estilo que a ostenta\u00e7\u00e3o. O pessoal \u00e9 mais descolado e jovem, sobram bares e casais.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o vira o point da fr\u00e1gil vida noturna de Cura\u00e7ao. A ilha est\u00e1 mais para os passeios durante o dia do que propriamente para a badala\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o pessoal dos cruzeiros que chegam diariamente est\u00e1 de volta aos portentosos transatl\u00e2nticos antes das 22 horas.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, \u00e9 um espet\u00e1culo ver a chegada e\/ou sa\u00edda dos barcos pelo canal que reparte a cidade de Willemstad, nos bairros de Punda e Otrobanda. H\u00e1 todo um cerimonial de apitos e uma divertida ponte m\u00f3vel que surgem como uma atra\u00e7\u00e3o t\u00e3o inesperada quanto curiosa.<\/p>\n<p>6 \u2013 Compras? Esque\u00e7a. H\u00e1 centrinhos comerciais, com lojas de renome (algumas poucas) nos arredores do Renassance Hotel, mas a pre\u00e7os proibitivos. Visitei um shopping no estilo dos nossos aqui \u2013 e, espanto geral, plena sexta-feira \u00e0 tarde, meia d\u00fazia de turistas e eu and\u00e1vamos, absortos, por ali, Para se ter uma ideia, ao estacionar o carro, pensei que o shopping ainda n\u00e3o havia sido inaugurado. Vazio, vazio&#8230;<\/p>\n<p>7 \u2013 A grande atra\u00e7\u00e3o de Cura\u00e7ao s\u00e3o mesmo suas praias. Chegam a 30, conforme me disseram no hotel. Pouco mais, pouco menos. S\u00e3o distantes umas das outras. Visitei uma d\u00fazia delas \u2013 tanto pagas como as que s\u00e3o abertas ao p\u00fablico. N\u00e3o h\u00e1 grande distin\u00e7\u00e3o entre o estar aqui ou estar ali. S\u00e3o de pequeno porte, \u00e1guas calmas de um cristalino azul turquesa, ch\u00e3o forrado de corais e promovem um (in)certo encanto de se estar numa praia do Caribe. Importante: n\u00e3o se esque\u00e7a de levar aquela sapatilha imperme\u00e1vel para entrar no mar e a m\u00e1scara de mergulho. Mesmo na beira da praia, em \u00e1guas rasas, \u00e9 poss\u00edvel ver os cardumes de pequenos peixes coloridos em bordejo distra\u00eddo e calmo. H\u00e1 um prazer quase infantil na brincadeira.<\/p>\n<p>Para quem gosta maiores aventuras, os equipamentos de mergulho est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para aluguel em quase todas as praias. Em muitas, e se o cliente quiser, o instrutor vai junto. Passeios de barcos para ilhas pr\u00f3ximas tamb\u00e9m s\u00e3o relativamente f\u00e1ceis de se encontrar.<\/p>\n<p>8 &#8211; O pessoal que curte o Masterchef pode sossegar o facho. O card\u00e1pio de comidas t\u00edpicas passou longe das minhas prefer\u00eancias. Dizem que re\u00fane tra\u00e7os das v\u00e1rias culturas que formataram os usos e costumes locais, Fui apresentado a um tal de ensopado de iguana, mas declinei. Optei por um spaghetti a bolonhesa. Me pareceu mais seguro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livre das atribula\u00e7\u00f5es do mestrado \u2013 que concluiu recentemente, conforme registrei no post de 27 de abril, o amigo Poeta quer viajar. 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