{"id":13417,"date":"2016-07-19T00:00:00","date_gmt":"2016-07-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:42:39","modified_gmt":"2017-09-15T18:42:39","slug":"sonhos-sonhos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sonhos-sonhos\/","title":{"rendered":"Sonhos &amp; sonhos"},"content":{"rendered":"<p>Ou\u00e7o falar em sonhos recorrentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se os tenho.<\/p>\n<p>Penso que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez, n\u00e3o.<\/p>\n<p>O que acontece comigo s\u00e3o alguns cen\u00e1rios que se repetem.<\/p>\n<p>Que eu me recorde:<\/p>\n<p>&#8211; a velha casa da rua Muniz de Souza, onde passei a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8211; a reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor, onde trabalhei por quase tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&#8211; e, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o campo de futebol de terra batida, onde ainda me vejo, com vigor e desenvoltura de tempos idos. Sem que sinta o peso dos anos e o peso do peso propriamente dito.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Se o cen\u00e1rio se repete, a narrativa, por\u00e9m, \u00e9 diversa. Sem l\u00f3gica, fragmentada, na linha do surreal.<\/p>\n<p>Quase sempre, quando desperto, pouco me recordo das aventuras noturnas. <\/p>\n<p>Tenho uma vaga no\u00e7\u00e3o desta ou daquela imagem, deste ou daquele lugar.<\/p>\n<p>Fora isso, nada de nada.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Nunca tive a curiosidade de saber o que representam, embora, por vezes, fique encafifado com certas repeti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o perguntei a nenhum especialista. A bem da verdade, sequer conhe\u00e7o algum.<br \/>\nMinto. <\/p>\n<p>Lembro o amigo An\u00edsio, rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico da Gazetinha, que se dizia letrado em entender o significado dos sonhos e, fazia mais e melhor: criava toda uma engenharia de representa\u00e7\u00f5es para associar a trama com a centena ou a milhar que daria, naquele dia, no jogo do bicho.<\/p>\n<p>N\u00e3o, caro leitor, n\u00e3o tenho not\u00edcia de que o An\u00edsio ou algum de seus orientandos conseguiram se dar bem em algum sorteio e acharam o caminho da fortuna,<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 que se reconhecer, as presepadas do amigo\/consultor geravam boas hist\u00f3rias e sonoras gargalhadas.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Certa vez, um dos nossos, o Walt\u00e3o, chefe da Oficina, acertou na milhar e ganhou cento e tantos mil. O An\u00edsio, nosso expert no assunto, saiu em busca dos sinuosos sinais que haviam gerado o acerto. <\/p>\n<p>N\u00e3o lembro o n\u00famero, Mas, de posse dele, o An\u00edsio fez um emaranhado de associa\u00e7\u00f5es que, por fim, levaram o Walt\u00e3o a tirar a sorte grande,<\/p>\n<p>Ficamos curiosos.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que havia alguma ci\u00eancia nas palavras do An\u00edsio?<\/p>\n<p>At\u00e9 que fazia sentido o que ele acabara de dizer.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 o Walt\u00e3o chegar, com pinta de novo milion\u00e1rio do peda\u00e7o, para fixarmos nossa aten\u00e7\u00e3o no desvendar do mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>O An\u00edsio n\u00e3o se acanhou. <\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s os cumprimentos de praxe, tascou a inevit\u00e1vel pergunta:<\/p>\n<p>&#8211; Fala a\u00ed, Walt\u00e3o, como voc\u00ea ganhou na loteria? Aposto que sonhou com sua cidadezinha, os tempos de crian\u00e7as&#8230;<\/p>\n<p>E o felizardo foi bem sincero na resposta:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o tive sonho nenhum, An\u00edsio, Entrei na lot\u00e9rica, comprei o bilhete e nem vi qual n\u00famero era. Havia at\u00e9 esquecido do bilhete quando o dono da casa me procurou hoje e disse do pr\u00eamio.<\/p>\n<p>Mas, o An\u00edsio, quem disse?, n\u00e3o se deu por vencido diante da negativa de sua tese.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea que n\u00e3o est\u00e1 lembrando. Mas que sonhou, sonhou&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ou\u00e7o falar em sonhos recorrentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se os tenho.<\/p>\n<p>Penso que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez, n\u00e3o.<\/p>\n<p>O que acontece comigo s\u00e3o alguns cen\u00e1rios que se repetem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13417","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13417"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13417\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14634,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13417\/revisions\/14634"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}