{"id":13421,"date":"2016-07-23T00:00:00","date_gmt":"2016-07-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:41:58","modified_gmt":"2017-09-15T18:41:58","slug":"o-primeiro-campeao-global","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-primeiro-campeao-global\/","title":{"rendered":"O primeiro campe\u00e3o global"},"content":{"rendered":"<p>O pai e os amigos sempre falavam da bravura dos craques do Palestra quando, em 22 de julho de 1951, contra tudo e contra todos, vingaram a perda do Mundial de 50 e conquistaram a Copa Rio \u2013 um torneio de futebol que reuniu renomadas equipes da Am\u00e9rica do Sul e da Europa.<\/p>\n<p>O pai n\u00e3o falava em Mundial Interclubes, mas definia a coisa mais ou menos assim:<\/p>\n<p>\u201cFoi como se fosse uma Copa do Mundo. S\u00f3 que, no lugar das sele\u00e7\u00f5es nacionais, jogaram os clubes campe\u00f5es dos principais centros futebol\u00edsticos do mundo \u2013 It\u00e1lia, Fran\u00e7a, Uruguai, Iugosl\u00e1via, \u00c1ustria, Portugal e Brasil, com dois clubes Vasco e Palmeiras\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o Ald\u00e3o, o certame teve outras denomina\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m foi chamado de Torneio Internacional de Clubes Campe\u00f5es, Campeonato Mundial de Futebol e Torneio Internacional de Campe\u00f5es.<\/p>\n<p>Cada jornal, cada revista, chamou de um jeito.<\/p>\n<p>N\u00e3o era isso o que importava.<\/p>\n<p>Ontem, para reverenciar os 65 anos da conquista, a FIFA legitimou o Palmeiras como \u201co primeiro campe\u00e3o global\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVerde \u00e9 a cor da inveja\u201d \u2013 provocou a institui\u00e7\u00e3o nas redes sociais.<\/p>\n<p>Sorry, periferia!<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Naqueles idos, a italianada e alguns chegados  se reunia na esquina da rua Lavap\u00e9s com a Justino Francisco de Azevedo, onde ficava o Bar Ast\u00f3ria, no bairro do Cambuci em S\u00e3o Paulo. Ali, se encontravam para o bate-papo, o Patr\u00e3o e Sotto e a cerveja. Ali, tamb\u00e9m ouviam, pelo r\u00e1dio, as transmiss\u00f5es dos p\u00e1reos do turfe e as porfias de futebol. <\/p>\n<p>Naquelas semanas dos jogos,  o pai me disse que todos resistiram a tenta\u00e7\u00e3o de torcer para o Juventus, o campe\u00e3o italiano.  Estavam saudosos da Velha Bota, sim; mas se sentiam brasileiros, pois aqui viviam, trabalhavam. Aqui, nasceram os filhos e os netos. <\/p>\n<p>N\u00e3o era s\u00f3 gratid\u00e3o. Era, sim, um gesto de amor com a terra que os acolheu.<\/p>\n<p>Por outra, ainda era recente o profundo trauma que o Maracanazo deixou na alma de todos os brasileiros. Tanto os que aqui nasceram quanto os que o adotaram como p\u00e1tria.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, ouvi do pai a comemora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cLavamos a alma. Honramos o futebol brasileiro. Tanto que todas as torcidas celebraram a conquista que n\u00e3o foi s\u00f3 do Palmeiras e, sim, de todo o futebol brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>Repito: o pai nunca falou em Mundial, mas era como se fosse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pai e os amigos sempre falavam da bravura dos craques do Palestra quando, em 22 de julho de 1951, contra tudo e contra todos, vingaram a perda do Mundial de 50 e conquistaram a Copa Rio \u2013 um torneio de futebol que reuniu renomadas equipes da Am\u00e9rica do Sul e da Europa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13421","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13421"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13421\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14630,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13421\/revisions\/14630"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}