{"id":13451,"date":"2016-08-25T00:00:00","date_gmt":"2016-08-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:41:19","modified_gmt":"2017-09-15T18:41:19","slug":"no-osso-do-caroco","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/no-osso-do-caroco\/","title":{"rendered":"No osso do caro\u00e7o&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Os antigos \u2013 e qui\u00e7a verdadeiros \u2013 cronistas usavam o transporte p\u00fablico para aferir os humores da opini\u00e3o p\u00fablica. Eles pr\u00f3prios usu\u00e1rios do bonde, do \u00f4nibus ou do lota\u00e7\u00e3o alinhavavam seus textos quase sempre a partir da sintonia com o pensamento que recolhiam do que chamavam de \u2018pov\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>Vejam l\u00e1 nos escritos do grande Rubem Braga, do Louren\u00e7o Diaf\u00e9ria, do Jo\u00e3o Ant\u00f4nio e ir\u00e3o encontrar boas passagens do Brasil de distintas \u00e9pocas em que o cronista, al\u00e9m de ilustre e an\u00f4nimo passageiro, \u00e9 tamb\u00e9m um bom ouvinte.<\/p>\n<p>Estava hoje no metr\u00f4 quando me veio essa lembran\u00e7a \u2013 e a dura constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o cronista precisasse deste recurso hoje para cavar algum assunto, estaria no osso do caro\u00e7o.<\/p>\n<p>Tiro uma prova no vag\u00e3o em que me encontro.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o est\u00e1 lotado de todo. O entre-e-sai a cada parada nas esta\u00e7\u00f5es \u00e9 constante. Mas, reina o sil\u00eancio entre os passageiros. Ningu\u00e9m conversa com ningu\u00e9m, nem os que entram juntos e se conhecem. Ali\u00e1s, s\u00e3o os primeiros a pegar o celular e tentar uma conex\u00e3o com a pr\u00f3pria rede social. H\u00e1 os que se embalam ao som da trilha sonora favorita a bordo de seus fones de ouvidos. Um heroico senhor, de mochila e ares de descolado, com um exemplar de, pasmem!, um livro impresso a ler entretido a p\u00e1gina aberta a um palmo do seu nariz.<\/p>\n<p>Come\u00e7a hoje o julgamento final do impeachment da presidente Dilma. A caminho da esta\u00e7\u00e3o, ainda olhei algumas manchetes dos jornais expostos e pensei: preciso escrever sobre o tema. <\/p>\n<p>Penso que o Brasil d\u00e1 um passo atr\u00e1s na sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Por um momento, imaginei colher uma boa hist\u00f3ria do que este dia representa para o \u2018pov\u00e3o\u2019. Talvez o sil\u00eancio pesado que paira  entre as pessoas no vag\u00e3o seja a marca da nossa desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Sil\u00eancio, ali\u00e1s, s\u00f3 quebrado pelo bando de jovens estudantes que agora invadem o trem, de volta para casa, ap\u00f3s as aulas. Na verdade, n\u00e3o falam entre si. A euforia toda se d\u00e1 pela ca\u00e7a aos Pock\u00e9mons&#8230;<\/p>\n<p>A \u00fanica impress\u00e3o que me fica \u00e9 a de que aqueles horrorosos Pock\u00e9mons de Bras\u00edlia v\u00e3o continuar \u00e0 solta por longos anos. A gente n\u00e3o consegue se livrar deles&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os antigos \u2013 e qui\u00e7a verdadeiros \u2013 cronistas usavam o transporte p\u00fablico para aferir os humores da opini\u00e3o p\u00fablica. Eles pr\u00f3prios usu\u00e1rios do bonde, do \u00f4nibus ou do lota\u00e7\u00e3o alinhavavam seus textos quase sempre a partir da sintonia com o pensamento que recolhiam do que chamavam de \u2018pov\u00e3o\u2019.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13451","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13451"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14600,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13451\/revisions\/14600"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}