{"id":13452,"date":"2016-08-26T00:00:00","date_gmt":"2016-08-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:41:19","modified_gmt":"2017-09-15T18:41:19","slug":"tudo-passa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tudo-passa\/","title":{"rendered":"Tudo passa"},"content":{"rendered":"<p>Assistia \u00e0 partida entre Brasil e Alemanha pela TV. Em jogo a medalha ol\u00edmpica que seria in\u00e9dita para o Brasil no futebol. Entre os coment\u00e1rios generalizados e afli\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de momentos assim, algu\u00e9m pergunta \u201cque tatuagem \u00e9 aquela no pesco\u00e7o do Neymar\u201d. <\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 escrito o qu\u00ea ali?<\/p>\n<p>Bocudo do jeito que sou, respondo como se fosse um dos parcas do garoto, craque de bola:<\/p>\n<p>\u201cNada \u00e9 para sempre\u201d &#8211; digo.<\/p>\n<p>No instante seguinte, um close das c\u00e2meras de TV quebra ao meio minha pose de sabe-tudo (que nada sabe):<\/p>\n<p>\u201cTudo passa\u201d \u2013 eis a inscri\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p>Tem a ver com a Marquezine? \u2013 pergunta inevit\u00e1vel. Mas, a maioria prefere vaiar minha interven\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p>&#8211; Sabe nada, inocente!<\/p>\n<p>Tento me justificar:<\/p>\n<p>&#8211; O sentido \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p>N\u00e3o me ouvem mais. Voltaram a se entreter com os lances da partida.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fico em sil\u00eancio, mas n\u00e3o deixo de pensar na frase,<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se tem a ver com a menina-atriz que foi sua namorada e a quem correu abra\u00e7ar ap\u00f3s a sofrida vit\u00f3ria. <\/p>\n<p>Mais prov\u00e1vel que a frase reflita um dos conselhos que o rapaz mais tem escutado desde que se tornou um dos astros mais famosos do Planeta Bola: a fama \u00e9 passageira, a vida \u00e9 curta \u2013 enfim, tudo passa.<\/p>\n<p>III. <\/p>\n<p>A sexta amanhece ensolarada, t\u00edpica destes dias de outono, pren\u00fancios da primavera que se aproxima.<\/p>\n<p>Preciso de uns documentos que est\u00e3o em uma caixa no quarto onde minha m\u00e3e dormia quando passava uns dias em casa.<\/p>\n<p>O aposento virou o cantinho da bagun\u00e7a.<\/p>\n<p>Encontro logo o que procuro em uma das gavetas do arm\u00e1rio antigo. Antes de sair, por\u00e9m, percorro com os olhos o aposento e imagino os tempos em que a Dona Yolanda ficava por ali. J\u00e1 estaria acordada a uma hora dessas, perguntaria pelo neto preferido e, antes que eu abrisse porta para sair, ouviria um pequeno serm\u00e3o sobre a vida, faria a pergunta inevit\u00e1vel e despejaria a b\u00ean\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Carlos, est\u00e1 tudo bem? <\/p>\n<p>&#8211; V\u00e1 com Deus!<\/p>\n<p>\u00c9, meus caros, uma aus\u00eancia t\u00e3o presente. <\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Tudo passa.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Vamos viver um fim de semana bem atribulado com as discuss\u00f5es sobre o impeachment.<\/p>\n<p>Pelo que vi na TV, o bate-boca entre os senadores, temo por outra demonstra\u00e7\u00e3o do quanto tristemente deplor\u00e1vel tende a ser o nosso debate pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Trata-se de um jogo de cartas marcadas.<\/p>\n<p>Os de sempre querem o poder que as urnas n\u00e3o lhes deram.<\/p>\n<p>O Brasil d\u00e1 um passo atr\u00e1s em termos democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Toda vez que vejo rep\u00f3rteres, servis, a entrevistar o senador Ronaldo Caiado e que tais (que tanto defenderam o regime ditatorial), me assombra o tamanho do retrocesso.<\/p>\n<p>Um dia, eles tamb\u00e9m passar\u00e3o&#8230; \u2013 tento me consolar na tentativa de acreditar que ainda h\u00e1 esperan\u00e7a;<\/p>\n<p>Mas, que est\u00e1 dif\u00edcil est\u00e1.<\/p>\n<p>Fica a impress\u00e3o de que h\u00e1 males que nunca acabam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assistia \u00e0 partida entre Brasil e Alemanha pela TV. 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