{"id":13461,"date":"2016-09-03T00:00:00","date_gmt":"2016-09-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:40:54","modified_gmt":"2017-09-15T18:40:54","slug":"o-acaso-me-traz-mariza","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-acaso-me-traz-mariza\/","title":{"rendered":"O acaso me traz Mariza"},"content":{"rendered":"<p>Um momento de emo\u00e7\u00e3o em meio \u00e0s desola\u00e7\u00f5es da semana.<\/p>\n<p>Diria mesmo um raro encontro. Que me fez, por instantes, esquecer as not\u00edcias da semana, a viagem do Verdugo e sua comitiva, o cansa\u00e7o natural da sexta-feira e at\u00e9 a boa estreia da sele\u00e7\u00e3o de Tite.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou sequer citar o deja-vu das campanhas eleitorais e seus toscos candidatos, n\u00e3o quero aborrec\u00ea-lo, leitor.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o falo da trucul\u00eancia com que est\u00e3o sendo reprimidas as manifesta\u00e7\u00f5es \u2018Fora Temer\u2019. Vivi algo assim na minha mocidade, n\u00e3o gostaria que os jovens de hoje tivessem que passar por esse enfrentamento, bombas e cassetetes, apenas para expressar o que sentem.<\/p>\n<p>\u00c9 verdadeiramente triste, e tende a piorar.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Dizia eu do \u2018momento de emo\u00e7\u00e3o\u2019 \u2013 e \u00e9 isso que desejo compartilhar no texto de hoje.<\/p>\n<p>Amigo leitor, amada leitora, n\u00e3o \u00e9 que, ao acaso,  assim do nada, assisto ontem, no canal Arte 1, a um document\u00e1rio \u2018A Hist\u00f3ria do Fado&#8230;\u201d e sou apresentado \u00e0 cantora Mariza que, em segundos, com suas interpreta\u00e7\u00f5es pungentes, me arrebata de corpo e alma.<\/p>\n<p>Como disse, bastaram os primeiros acordes do primeiro fado que a vi cantar para me perguntar entre embasbacado e curioso: Onde andei esse tempo todo que nunca ouvi falar da mo\u00e7a? Como vivi tanto tempo sem ouvir suas can\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Sua trajet\u00f3ria de cantora \u00e9 o fio condutor da narrativa. Ela \u00e9 filha de m\u00e3e mo\u00e7ambicana e pai portugu\u00eas. Foi morar em Lisboa aos 3 anos no bairro de Mouraria e, desde crian\u00e7a, acompanhou o pai nas rodas de fadistas tradicionais.<\/p>\n<p>Fico sabendo, pelo document\u00e1rio, que o fado tem origem no canto triste dos negros escravos do Brasil e \u00e9 uma esp\u00e9cie de legado que a Fam\u00edlia Real (que aqui se instalou em 1808) carrega para Portugal quando retorna a Lisboa em 1820.<\/p>\n<p>Mariza, com \u2018z\u2019 mesmo, \u00e9 considerada por muitos como uma sucessora da grande Am\u00e1lia Rodrigues. Explicam que, como Am\u00e1lia, \u00e9 das raras fadistas a conseguir extrapolar as fronteiras de Portugal com seu canto.<\/p>\n<p>Mariza n\u00e3o concorda.<\/p>\n<p>Diz que Am\u00e1lia Rodrigues \u00e9 \u00fanica. Assim como Edith Piaf \u00e9 \u00fanica e Tom Jobim \u00e9 \u00fanico. S\u00e3o mensageiros do tempo e do lugar em que viveram. Comoveram o mundo.<\/p>\n<p>Entendo ent\u00e3o que a mo\u00e7a (tem 42 anos) julga-se apenas uma fadista que pede ao tempo mais tempo para cantar.<\/p>\n<p>Sei que n\u00e3o \u00e9 assim.<\/p>\n<p>Perdoe-me  a compara\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 necess\u00e1rio faz\u00ea-la: em muitas can\u00e7\u00f5es, Mariza me fez lembrar Elis Regina, nossa maior cantora, pela entrega, sentimento e verdade com que canta.<\/p>\n<p>E isso nunca havia me acontecido.<\/p>\n<p>Vou ao Google e ao Youtube saber tudo dela&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um momento de emo\u00e7\u00e3o em meio \u00e0s desola\u00e7\u00f5es da semana.<\/p>\n<p>Diria mesmo um raro encontro. 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