{"id":13473,"date":"2016-09-14T00:00:00","date_gmt":"2016-09-14T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:40:53","modified_gmt":"2017-09-15T18:40:53","slug":"oficina-de-leitura-a-cronica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/oficina-de-leitura-a-cronica\/","title":{"rendered":"Oficina de Leitura: a Cr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p>Dei in\u00edcio hoje, com um seleto grupo de estudantes de jornalismo da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo, ao projeto de Oficina de Leitura que se intitula \u201cA Cr\u00f4nica\u201d, com encontros semanais (dez), sempre \u00e0s quartas, das 11 \u00e0s 12 horas.<\/p>\n<p>O convite me foi feito, semestre passado, pelo professor Jos\u00e9 S. Faro, que coordena o projeto das \u201coficinas\u201d que se prop\u00f5e a incentivar nossos jovens \u2013 e futuros \u2013 jornalistas \u00e0 leitura das grandes obras da Literatura que, por um motivo ou outro, n\u00e3o constam do curr\u00edculo acad\u00eamico.<\/p>\n<p>A iniciativa \u00e9 das mais louv\u00e1veis \u2013 e, a mim, coube o desafio de fazer com que a mo\u00e7ada mergulhe no m\u00e1gico universo deste g\u00eanero entre o jornalismo e as Letras, entre o relato e o conto.<\/p>\n<p>Para muitos, trata-se de um g\u00eanero indefin\u00edvel.<\/p>\n<p>Diz o grande Luiz Fernando Ver\u00edssimo, talvez o mais representativo cronista dos<br \/>\nnossos dias:<\/p>\n<p>\u201cCr\u00f4nica \u00e9 tudo aquilo que se quer que seja\u201d.   <\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>O que se entende hoje por cr\u00f4nica tem origem nos prim\u00f3rdios do jornalismo brasileiro, com os chamados \u201cfolhetins\u201d em que autores consagrados como Jos\u00e9 de Alencar, Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, entre outros tantos e tamanhos perambulavam sem qualquer constrangimento nas publica\u00e7\u00f5es da \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u00c9 Literatura, ent\u00e3o?<\/p>\n<p>\u00c9 Jornalismo?<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1!<\/p>\n<p>Devagar com o andor que a conceitua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, se \u00e9 que existe:<\/p>\n<p>A cr\u00f4nica prima pelo ef\u00eamero.<\/p>\n<p>Mas, por\u00e9m, contudo, todavia&#8230; <\/p>\n<p>Ao longo do tempo, tamb\u00e9m se revela, quando de qualidade, perene e reflexo de uma era. <\/p>\n<p>Ela, que habitou jornais e revistas ao longo de d\u00e9cadas (seu auge diria que andou ali pelos anos 50 e 60) hoje se espalha, tr\u00f4pega e desacanhada, por pelas m\u00faltiplas plataformas digitais e, vez ou outra, pelas redes sociais.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Podemos chamar um post de cr\u00f4nica? O blog \u00e9 o novo espa\u00e7o da cr\u00f4nica? O tuiter \u00e9 uma cr\u00f4nica sincopada?<\/p>\n<p>Sim e n\u00e3o. N\u00e3o e sim.<\/p>\n<p>\u201cO tempo \u00e9 uma conven\u00e7\u00e3o do rel\u00f3gio\u201d \u2013 escreveu Mario Quintana, poeta e cronista; talvez o primeiro a tuitar em letras de formas e impressas, num tempo em que n\u00e3o havia redes sociais e as pessoas se preocupavam com o texto e o estilo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conversaremos sobre os pontos comuns e as diferen\u00e7as entre um cronista e um colunista. <\/p>\n<p>Existem?<\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>Para roteirizar nossos encontros, vamos usar como refer\u00eancia o livro As Cem Melhores Cr\u00f4nicas, com organiza\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o do jornalista e cronista Joaquim Ferreira dos Santos, publicado pela Editora Objetiva, em 2007. <\/p>\n<p>\u201cA cr\u00f4nica n\u00e3o quer abafar ningu\u00e9m, s\u00f3 quer mostrar que faz literatura tamb\u00e9m. Textos feitos para o momento e que, pela qualidade, v\u00e3o ficar para sempre. Eis o breque deste livro (e se o autor me permite, das nossas oficinas). As cem cr\u00f4nicas e os 62 autores que transformaram um g\u00eanero, chamado de ora de menor, ora de literatura de bermuda, num chorilho intermin\u00e1vel de grandes cl\u00e1ssicos de refer\u00eancia de bons momentos de nossa l\u00edngua\u201d. <\/p>\n<p>Outra refer\u00eancia de nossos encontros: o estudo A Cr\u00f4nica, do professor Jorge de S\u00e1, da Universidade Federal Fluminense, publicado pela Editora \u00c1tica, em 2005. <\/p>\n<p>Deste trabalho, vamos extrair significativa parcela da estrutura da nossa caminhada. <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>A cada oficina, faremos a leitura de uma ou duas cr\u00f4nicas e, a partir delas e do contexto em que se inserem, haver\u00e1 as discuss\u00f5es e os coment\u00e1rios. <\/p>\n<p>A ideia \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o do jornalismo autoral. Na contram\u00e3o dos ditames da imprensa contempor\u00e2nea. <\/p>\n<p>Diz Carlos Heitor Cony: <\/p>\n<p>\u201cA imprensa moderna, altamente competitiva e cara, n\u00e3o chegou a mutilar o g\u00eanero, mas direcionou-o \u00e0 estrat\u00e9gia geral do que hoje se chama \u201ccomunica\u00e7\u00e3o\u201d.  Numa palavra: exige que tudo o que \u00e9 veiculado no jornal ou revista, das condi\u00e7\u00f5es do tempo ao desempenho das bolsas, seja aquilo que nas reda\u00e7\u00f5es \u00e9 chamado de \u201cservi\u00e7o\u201d. <\/p>\n<p>(&#8230;) <\/p>\n<p>\u201cAntes de ser um leitor, o consumidor de jornal \u00e9 um ser humano tornado carente pela solid\u00e3o, pelo ego\u00edsmo (pr\u00f3prio e alheio), pelo nenhum sentido da sociedade como um todo. Quando um cara tem coragem de gritar que est\u00e1 sofrendo,  fatalmente encontra algu\u00e9m que o compreende e, algumas vezes, o ame. Isso n\u00e3o apenas samba. D\u00e1 uma cr\u00f4nica tamb\u00e9m.\u201d <\/p>\n<p>Quarta que vem, em mais&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dei in\u00edcio hoje, com um seleto grupo de estudantes de jornalismo da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo, ao projeto de Oficina de Leitura que se intitula \u201cA Cr\u00f4nica\u201d, com encontros semanais (dez),<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13473","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13473"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14579,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13473\/revisions\/14579"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}