{"id":13509,"date":"2016-10-30T00:00:00","date_gmt":"2016-10-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:39:55","modified_gmt":"2017-09-15T18:39:55","slug":"um-domingo-qualquer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-domingo-qualquer\/","title":{"rendered":"Um domingo qualquer"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre um bom assunto para o cronista o sil\u00eancio da cidade nas primeiras horas da manh\u00e3 de um domingo qualquer. <\/p>\n<p>Da janela do apartamento no d\u00e9cimo nono andar onde mora, ele pode descrever o cen\u00e1rio de c\u00e9u carregado, cinzento e da neblina que, ao fundo, amea\u00e7a engolir a silhueta de pr\u00e9dios a salpicar diante dos seus olhos.<\/p>\n<p>Enquanto inspeciona os arredores, o cronista lembra as vezes que lan\u00e7ou m\u00e3o deste artif\u00edcio para salvar o dia e vencer o desafio da tela em branco.<\/p>\n<p>Perdeu a conta&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Atenta para o carro que percorre a avenida, solit\u00e1rio, e alcan\u00e7a a al\u00e7a de acesso \u00e0 via Anchieta com destino a S\u00e3o Paulo. Isso o faz lembrar os tempos em que trabalhava na Capital, tamb\u00e9m nos finais de semana.<\/p>\n<p>Sempre soube que o Jornalismo imp\u00f5e esse tipo de jornada. N\u00e3o \u00e9 l\u00e1 uma profiss\u00e3o comum. Mas, por vezes, a nhaca era incontrol\u00e1vel. <\/p>\n<p>No trajeto entre a casa e o jornal, resmungava que resmungava a lamentar a folga que o mundo todo tinha \u2013 e ele, n\u00e3o. <\/p>\n<p>Uma invejinha tola, desenfreada. <\/p>\n<p>Essa turma de folgados pode fazer o que quer do seu dia, pensava. Encontrar os amigos, ver o futebol, ir ao shopping ou simplesmente deixar-se estar junto ao balc\u00e3o de um boteco sem eira, nem beira.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, em dias mais ensolarados, dava vontade at\u00e9 de imitar o vizinho que lavava o carro diante do seu port\u00e3o tranquilamente e, quando lhe via sair, o cumprimentava educadamente:<\/p>\n<p>&#8211; Bom dia, vizinho. O trabalho enobrece o homem.<\/p>\n<p>Tinha uma ironia ali. Mas, ele desconsiderava. O homem n\u00e3o era m\u00e1 pessoa. De resto, sempre odiou a brincadeira de ficar esfregando a lataria de um autom\u00f3vel.  <\/p>\n<p>A liberdade de se fazer o que se bem entender era o motivo do desalinho pessoal.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Essas afli\u00e7\u00f5es todas, no entanto, e \u00e9 bom que se diga, terminavam quando o cronista chegava \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o.  Ali, ele entrava no mundo dos iguais.  O frenesi de correr atr\u00e1s da not\u00edcia \u2013 naqueles idos, lugar de rep\u00f3rter era na rua \u2013 o fazia sentir um privilegiado. <\/p>\n<p>(N\u00e3o foi \u00e0 toa que escolheram o disfarce humano do Super-Homem como Clark Kent, o rep\u00f3rter.)<\/p>\n<p>A gente n\u00e3o via o tempo passar. E a musiquinha do Fant\u00e1stico era s\u00f3 a musiquinha do Fant\u00e1stico, e n\u00e3o o pren\u00fancio de uma modorrenta segunda-feira.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Me dizem que hoje, em algumas cidades, \u00e9 dia de elei\u00e7\u00e3o municipal \u2013 segundo turno. Havia at\u00e9 esquecido. N\u00e3o sinto a menor saudade da lida. <\/p>\n<p>As reda\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o mais as mesmas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre um bom assunto para o cronista o sil\u00eancio da cidade nas primeiras horas da manh\u00e3 de um domingo qualquer. <\/p>\n<p>Da janela do apartamento no d\u00e9cimo nono andar onde mora,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13509","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13509"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13509\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14543,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13509\/revisions\/14543"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}