{"id":13537,"date":"2016-11-29T00:00:00","date_gmt":"2016-11-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:39:18","modified_gmt":"2017-09-15T18:39:18","slug":"planeta-bola-esta-de-luto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/planeta-bola-esta-de-luto\/","title":{"rendered":"Planeta Bola est\u00e1 de luto"},"content":{"rendered":"<p>Tchinim sempre foi um garoto esperto, como dizia o Cido, um carioca que morava nas quebradas da rua Mazzini, l\u00e1 no Cambuci. S\u00f3 porque o menino adorava acompanhar o pai nas noites de domingo no Bar Ast\u00f3ria, na esquina da rua Lavap\u00e9s.<\/p>\n<p>Era ali que a italianada se reunia para se divertir. <\/p>\n<p>&#8211; Vamos festar! \u2013 definia o Seu J\u00falio, o relojoeiro do bairro.<\/p>\n<p>Traduzindo: a turma jogava Patr\u00e3o e Sotto, enchia a cara de cerveja, cantava, conversava e principalmente lembrava lugares, pessoas e breves hist\u00f3rias dos tempos de It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Tchinim aproveitava ser a \u00fanica crian\u00e7a presente. Era o  mascote da turma. Tinha passe-livre para tomar quantos Ca\u00e7ulinhas aguentasse, al\u00e9m de encher o bolso de balas Toffes que grudavam nos dentes, mas eram deliciosas de t\u00e3o docinhas e caramelizadas.<\/p>\n<p>S\u00f3 havia um sen\u00e3o que o deixava contrariado: quando os belos cismavam de recordar de um time de futebol que morreu em um desastre de avi\u00e3o em 1949 \u2013 um antes dele (Tchinim) nascer.<\/p>\n<p>Os italianos \u2013 inclusive o pai, que tinha um cart\u00e3o com a fotografia do tal de Torino em uma das gavetas do criado mudo \u2013 come\u00e7avam entusiasmados, falando dos feitos e das gl\u00f3rias dos campe\u00f5es. Que o time era a pr\u00f3pria sele\u00e7\u00e3o italiana. Que vestia a camisa mais linda do mundo, na cor gren\u00e1. Que nunca houve equipe t\u00e3o poderosa. Que o melhor jogador era o Mazzola, incompar\u00e1vel. Nem o Le\u00f4nidas da Silva ou o Zizinho ou Jair da Rosa Pinto lhe faziam frente.<\/p>\n<p>Alguns deles diziam ter assistido \u00e0s exibi\u00e7\u00f5es dos craques quando estiveram excursionando pela Am\u00e9rica do Sul e se exibiram em S\u00e3o Paulo e no Rio.<\/p>\n<p>O \u00fanico time que os venceu foi o Corinthians porque \u201ca rapaziada j\u00e1 estava enfastiada de golear quem os enfrentava\u201d.<\/p>\n<p>Para a turma do Ast\u00f3ria, eram verdadeiros deuses da bola. Pentacampe\u00e3o italiano.<\/p>\n<p>At\u00e9 que aquela fatalidade&#8230; Voltavam de um amistoso contra o Benfica, de Portugal, quando o avi\u00e3o que trazia o time todo colidiu com a torre de uma bas\u00edlica e&#8230;<\/p>\n<p>Bem, nessa altura, todos estavam consternados e choravam feitos crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8211; Dif\u00edcil entender o porqu\u00ea?<\/p>\n<p>Na singeleza de seus 5 ou 6 anos, quem nada entendia era o pr\u00f3prio Tchinim. Como os adultos conseguem passar da alegria para a tristeza em poucos minutos?<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Desconfio que, hoje, o Tchinim n\u00e3o deve atender por este apelido dos tempos de crian\u00e7a. \u00c9 um circunspecto senhor e, seguramente, est\u00e1 t\u00e3o triste como os amigos do saudoso pai.<\/p>\n<p>H\u00e1 tristezas que s\u00e3o por demais profundas \u2013 e inexplic\u00e1veis.<\/p>\n<p>Sabe, por\u00e9m, que her\u00f3is verdadeiros a gente nunca esquece.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Minha total solidariedade \u00e0 Fam\u00edlia Chapecoense.<\/p>\n<p>Minhas ora\u00e7\u00f5es a todos que se foram nessa trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 de luto!<\/p>\n<p>\u00c9 uma das p\u00e1ginas mais tristes da hist\u00f3ria do Planeta Bola!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tchinim sempre foi um garoto esperto, como dizia o Cido, um carioca que morava nas quebradas da rua Mazzini, l\u00e1 no Cambuci. 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