{"id":13541,"date":"2016-12-03T00:00:00","date_gmt":"2016-12-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:39:18","modified_gmt":"2017-09-15T18:39:18","slug":"jornalismo-autoral","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/jornalismo-autoral\/","title":{"rendered":"Jornalismo autoral"},"content":{"rendered":"<p>A revista Neg\u00f3cios da Comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 desenvolvendo uma reportagem a respeito do chamado jornalismo autoral \u2013 e me encaminha uma s\u00e9rie de quest\u00f5es para, via email, saber o que penso sobre o tema. Fico honrado pela escolha. O curso que coordeno, Jornalismo, na Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo \u00e9 um dos mais tradicionais do pa\u00eds. Da\u00ed, penso eu, o interesse pela minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Destaco duas perguntas para nortear nossa conversa:<\/p>\n<p>1 &#8211; A cultura autoral (com o autor em destaque) vem de um processo natural dentro do jornalismo ou \u00e9 de fato uma demanda das novas m\u00eddias?<\/p>\n<p>2 &#8211; Os estudantes de jornalismo j\u00e1 chegam com essa vis\u00e3o sobre o mundo digital? Estamos \u00e0s v\u00e9speras de uma gera\u00e7\u00e3o de jornalistas personalidades?<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>O jornalismo sempre, desde os prim\u00f3rdios, teve o aspecto autoral bastante evidenciado. \u00c9 da natureza da profiss\u00e3o. N\u00e3o s\u00e3o rob\u00f4s que escrevem as reportagens.<\/p>\n<p>(Ainda n\u00e3o&#8230;)<\/p>\n<p>D\u00e1 para citar dezenas e dezenas de nomes que tocavam o seu texto e, de forma bem enf\u00e1tica, fidelizavam o p\u00fablico-leitor. O cronista Rubem Braga \u00e9 talvez o melhor exemplo. Estivesse em que jornal estivesse , o leitor procurava sua cr\u00f4nica di\u00e1ria. Como ele, tantos outros&#8230; <\/p>\n<p>At\u00e9 meados de 1980, o jornalismo viveu o chamado per\u00edodo das grandes reportagens e do jornalista com o protagonismo da cena. <\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, se consolida a chamada Era das M\u00eddias. O jornalismo impresso deixa de ser o \u00fanico a mediar as tais demandas sociais &#8211; e o r\u00e1dio e a TV. com o avan\u00e7o das novas tecnologias e da portabilidade, ganham maior dimens\u00e3o no dia a dia informativo das pessoas. <\/p>\n<p>\u00c9 um contexto complexo em que h\u00e1 toda uma movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social e econ\u00f4mica (inclusive, e principalmente) que faz com que o jornalismo impresso precise se adequar para n\u00e3o perder espa\u00e7o (inclusive, e principalmente) como produto de mercado. <\/p>\n<p>Uma data emblem\u00e1tica: 1984 e o Projeto Folha que, digamos, consolida a ditadura dos manuais de reda\u00e7\u00e3o. Que j\u00e1 grassavam aqui e ali, mas n\u00e3o tentavam enquadrar o estilo deste ou daquele rep\u00f3rter. Nesse momento, como diria Chico Buarque numa can\u00e7\u00e3o que criticava as multigravadoras, passa valer mais a voz do dono do que a opini\u00e3o do dono da voz&#8230;<\/p>\n<p>A cultura autoral resistiu &#8211; e, quando n\u00e3o conseguiu uma sobrevida nas reda\u00e7\u00f5es,  buscou outros caminhos para encontrar o leitor. Dois deles s\u00e3o not\u00e1veis: o livrorreportagem ed o document\u00e1rio \u00e1udio-visual.<\/p>\n<p>A bem da verdade, o grande desafio do jornalista desde ent\u00e3o \u00e9 inventar o pr\u00f3prio espa\u00e7o.<\/p>\n<p>\u00c9 um processo lento &#8211; por vezes, impercept\u00edvel &#8211; mas que vai se consolidando sem retorno. <\/p>\n<p>Ganha contornos mais n\u00edtidos com as plataformas digitais que oferecem a possibilidade aos novos jornalistas ser patr\u00e3o de deles mesmos e, enfim, ter direito ao t\u00e3o sonhado livre arb\u00edtrio. <\/p>\n<p>Ufa!!!<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o dessa tend\u00eancia, as reda\u00e7\u00f5es ficam cada vez mais enxutas. Inseguras e sem perspectivas de realiza\u00e7\u00e3o profissional. <\/p>\n<p>(Raros escapam a sina de se manterem na ativa na Reda\u00e7\u00e3o, sem pertencer ao eixo duro do Poder (os que cercam os donos ou os filhos dos donos da empresa)).<\/p>\n<p>H\u00e1 um livro bel\u00edssimo do Mino Carta sobre a trajet\u00f3ria do jornalista brasileiro que se imagina da turma da realeza da fam\u00edlia que det\u00e9m o jornal.<\/p>\n<p>Chama-se O Brasil, e por motivos \u00f3bvios n\u00e3o ganhou a divulga\u00e7\u00e3o que merecia quando foi lan\u00e7ado em 2012.<\/p>\n<p>Outro ponto favor\u00e1vel ao jornalismo autoral \u00e9 que as novas levas de profissionais j\u00e1 desenvolvem aspectos de empreendedorismo que lhes possibilitam pensar a carreira de forma mais ampla e, pessoalmente, mais plena.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, aqui na Metodista, este aspecto (o empreendedorismo, gerenciamento de carreira etc) \u00e9 um dos pilares do novo projeto pedag\u00f3gico, em andamento desde 2015.<\/p>\n<p>Quanto aos estudantes, hoje eles j\u00e1 chegam impregnados pelo mundo digital. <\/p>\n<p>\u00c9 o admir\u00e1vel mundo novo que se projeta&#8230; No qual, jornalistas ou n\u00e3o, todos seremos protagonistas.<\/p>\n<p>*Escrevi demais. Permitam-me folgar neste domingo. Por motivo mais do que \u00f3bvio: \u00e9 meu anivers\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A revista Neg\u00f3cios da Comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 desenvolvendo uma reportagem a respeito do chamado jornalismo autoral \u2013 e me encaminha uma s\u00e9rie de quest\u00f5es para, via email, saber o que penso sobre o tema.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13541","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13541"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13541\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14513,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13541\/revisions\/14513"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}