{"id":13562,"date":"2017-01-29T00:00:00","date_gmt":"2017-01-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:38:17","modified_gmt":"2017-09-15T18:38:17","slug":"crepusculo-dos-deuses","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/crepusculo-dos-deuses\/","title":{"rendered":"Crep\u00fasculo dos Deuses"},"content":{"rendered":"<p>Considero \u2018Crep\u00fasculo dos Deus\u2019 (Billy Wilder, 1950) o cl\u00e1ssico dos cl\u00e1ssicos da hist\u00f3ria do cinema. N\u00e3o programei, mas acabei por rev\u00ea-lo ontem ao encontr\u00e1-lo, ainda nas primeiras cenas, em exibi\u00e7\u00e3o no Cult Canal.<\/p>\n<p>Devia ser por volta do meio-dia e qualquer coisa.<\/p>\n<p>Acho essa produ\u00e7\u00e3o intrigante. Da primeira \u00e0 ultima cena.<\/p>\n<p>Tem William Holden e Gloria Swanson nos pap\u00e9is principais e talvez seja a mais cruel narrativa sobre os bastidores de Hollywood nos tempos em que era chamada \u201ca ind\u00fastria dos sonhos\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Assim como ontem, a primeira vez que vi o filme tamb\u00e9m foi por acaso.<\/p>\n<p>Madrugada de domingo para segunda, cheguei de viagem. Estava cansado e sozinho em casa. Resolvi ligar a TV para me distrair um tantinho e ajudar que o sono chegasse. Dei de cara com o filme desde os letreiros iniciais e a c\u00e9lebre cena do homem morto boiando na piscina da mans\u00e3o em Sunset Boulevard.<\/p>\n<p>A tal cena agu\u00e7ou os meus sentidos, as minhas inquieta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Isso foi h\u00e1 mais de 30 anos e, n\u00e3o preciso dizer, mas digo: perdi o sono de vez.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, apareci na velha Reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado, com grossas olheiras e aspecto constrangedoramente amarfanhado. Foi o que bastou para os gaiatos de plant\u00e3o associarem minha provis\u00f3ria solteirice (a fam\u00edlia havia ficado no Interior) com o lament\u00e1vel estado em que me encontrava.<\/p>\n<p>Tentei explicar. A viagem, o cansa\u00e7o, n\u00e3o gosto de dirigir \u00e0 noite, o filme. Sublinhei: \u2018a dramaticidade do filme\u2019&#8230;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m deu a m\u00ednima.<\/p>\n<p>Minto.<\/p>\n<p>S\u00f3 o colunista de TV e cinema, Ismael Fernandes, me deu ouvidos e ponderou que a trama do filme \u00e9 mesmo intrigante e \u2018mexe profundamente com a complexidade dos sonhos e desejos da nossa triste condi\u00e7\u00e3o humana\u2019.<\/p>\n<p>Falou o especialista.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Da minha parte, reconheci (e reconhe\u00e7o) que, desde logo, o enredo provocou uma empatia (n\u00e3o sei se \u00e9 a palavra certa), um envolvimento, com as personagens na v\u00e3 tentativa de livra-las dos \u201cfantasmas\u201d existenciais que os perseguem.<\/p>\n<p>Assisti ao filme outras tantas vezes. Na TV, em cineclubes, em sess\u00f5es especiais, festivais \u2013 at\u00e9 que comprei o DVD para n\u00e3o mais perde-lo de vista.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Mesmo assim, fazia um temp\u00e3o que n\u00e3o o via.<\/p>\n<p>Nosso reencontro ontem n\u00e3o foi menos impactante. Perdi a hora do almo\u00e7o e continuo at\u00e9 agora refletindo o quanto de n\u00f3s \u2013 humildes e pacatos cidad\u00e3os \u2013 e nossas ambi\u00e7\u00f5es est\u00e3o retratados ali, naquelas emblem\u00e1ticas personas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considero \u2018Crep\u00fasculo dos Deus\u2019 (Billy Wilder, 1950) o cl\u00e1ssico dos cl\u00e1ssicos da hist\u00f3ria do cinema. 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