{"id":13569,"date":"2017-02-05T00:00:00","date_gmt":"2017-02-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:38:16","modified_gmt":"2017-09-15T18:38:16","slug":"balzac-e-os-jornalistas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/balzac-e-os-jornalistas\/","title":{"rendered":"Balzac e os jornalistas"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA imprensa organizou o pensamento e o pensamento em breve ir\u00e1 tirar proveito do mundo. Uma folha de papel, fr\u00e1gil instrumento de uma ideia imortal, pode nivelar o mundo\u201d.<\/p>\n<p>Termino a leitura de \u201cOs Jornalistas\u201d, de Honor\u00e9 de Balzac, presente do amigo Jos\u00e9 Reis, com a sensa\u00e7\u00e3o de que a coisa toda \u00e9 muito antiga. J\u00e1 no s\u00e9culo 19, o escritor franc\u00eas denuncia \u201ca onipot\u00eancia dos jornalistas de seu tempo, sua vaidade venal, a versatilidade de seu julgamento e a influ\u00eancia abusiva que exercem sobre os governos\u201d.<\/p>\n<p>As palavras entre aspas n\u00e3o s\u00e3o minhas (apesar de concordar com elas). E, sim, do editor, j\u00e1 na apresenta\u00e7\u00e3o do livro, na edi\u00e7\u00e3o de 1999.<\/p>\n<p>No pref\u00e1cio, o jornalista Carlos Heitor Cony exp\u00f5e:<\/p>\n<p>\u201cTemos aqui o Balzac puro, aut\u00eantico, aned\u00f3tico quase\u201d. <\/p>\n<p>E pontifica:<\/p>\n<p>\u201cO tema escolhido \u00e9 a imprensa de seu tempo \u2013 da qual pin\u00e7ou personagens e situa\u00e7\u00f5es que persistem na m\u00eddia do final do s\u00e9culo 20\u201d.<\/p>\n<p>Lembro que a edi\u00e7\u00e3o \u00e9 dos estertores do s\u00e9culo passado \u2013 portanto, n\u00e3o \u00e9 falso acrescentar que \u201cpersonagens e situa\u00e7\u00f5es\u201d se espalham at\u00e9 os dias atuais. S\u00f3 que agora no \u00e2mbito mais midi\u00e1ticos, digamos assim. Usando e abusando do internet\u00eas. Seja para as plataformas tradicionais, seja para o mundo digital.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>\u00c9 minha vez de pin\u00e7ar algumas cita\u00e7\u00f5es que n\u00e3o me surpreenderam, mas foram tristemente esclarecedoras:<\/p>\n<p>\u201cTodo o jornal que n\u00e3o aumenta sua massa de assinantes, seja ela qual for, est\u00e1 em decrescimento\u201d.<\/p>\n<p>(Vale hoje para revistas e afins, \u00f3bvio)<\/p>\n<p>\u201cOs propriet\u00e1rios-redatores-em-chefe-diretores-gerentes de jornais s\u00e3o \u00e1vidos e rotineiros. Parecidos, eles e suas folhas, ao governo que atacam, t\u00eam medo de inova\u00e7\u00f5es e perece com frequ\u00eancia por n\u00e3o saber fazer os gastos necess\u00e1rios e em harmonia com o progresso das luzes\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO jornal \u00e9 o jornal, o homem pol\u00edtico \u00e9 seu profeta. Ora, voc\u00ea sabe que os profetas s\u00e3o profetas muito mais pelo que eles n\u00e3o dizem do que por aquilo que eles disseram. N\u00e3o h\u00e1 nada mais infal\u00edvel do que um profeta mudo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuanto menos ideias se tem. Mais longe se vai. Esta \u00e9 a lei em virtude da qual esses bal\u00f5es filos\u00f3ficos-liter\u00e1rios chegam necessariamente a um ponto qualquer do horizonte pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs caracteres gerais do cr\u00edtico s\u00e3o essencialmente not\u00e1veis, neste sentido de que existe em todo o cr\u00edtico um autor impotente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPara o jornalista, tudo o que \u00e9 prov\u00e1vel \u00e9 verdadeiro\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Desconfio que o sr. Honor\u00e9 Balzac (que deu origem ao termo \u2018balzaquianas\u2019 para definir as mulheres mais maduras, a partir de um romance que escreveu com este t\u00edtulo A Mulher de 30 Anos) teria problemas hoje tamb\u00e9m com a analogia que segue: <\/p>\n<p>\u201cA Imprensa, como a mulher, \u00e9 admir\u00e1vel e sublime quando conta uma mentira. N\u00e3o o deixa em paz at\u00e9 t\u00ea-lo for\u00e7ado a acreditar nela, e emprega as melhores qualidades nesta luta onde o p\u00fablico, t\u00e3o tolo quanto um marido, sucumbe sempre\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA imprensa organizou o pensamento e o pensamento em breve ir\u00e1 tirar proveito do mundo. 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