{"id":13570,"date":"2017-02-06T00:00:00","date_gmt":"2017-02-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:38:16","modified_gmt":"2017-09-15T18:38:16","slug":"rumos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/rumos\/","title":{"rendered":"Rumos"},"content":{"rendered":"<p>Preocupa-me os rumos do jornalismo.<\/p>\n<p>Por isso, o post de ontem. Claramente inspirado na leitura das divaga\u00e7\u00f5es de Honor\u00e9 de Balzac sobre o tema ainda no s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma leitura digestiva \u2013 eu diria. Especialmente para velhos rep\u00f3rteres, como eu, n\u00e3o se torna nada agrad\u00e1vel constatar que a roda deste mund\u00e3o de Meu Deus gira e gira \u2013 e nada parece mudar.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 da vida e dos amores\u201d \u2013 como diz\u00edamos na Velha Reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor. Naquele tempo, o amigo Escova gostava de ressaltar que \u00e9ramos da vida e dos amores&#8230;<\/p>\n<p>Onde anda voc\u00ea, Escova?<\/p>\n<p>Ganhou o mundo depois que o Brasil degringolou na paranoia \u2013 e raramente d\u00e1 not\u00edcia.<\/p>\n<p>\u201cFiz um pezinho de meia modesto e vou torrar neste restinho de vida que tenho. \u201d<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Deixemos o Escova no bem-bom e retomemos ao assunto que aqui me trouxe.<\/p>\n<p>Hoje quero destacar uma reportagem que ontem (ou foi antes de ontem?) assisti na Globo. <\/p>\n<p>Foi no Antena Paulista que trouxe, a prop\u00f3sito n\u00e3o sei de qual tema, o perfil de um engraxate da Pra\u00e7a da S\u00e9.<\/p>\n<p>O que me tocou desta hist\u00f3ria, vou tentar resumir a seguir.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Trata-se de um homem simples, de fei\u00e7\u00f5es rudes. Mora na periferia paulistana. Com a mulher e os tr\u00eas filhos ainda crian\u00e7as, num c\u00f4modo e cozinha, bem humilde. <\/p>\n<p>A reportagem mostra o dia a dia deste paulistano, marcado pela pobreza, dignificado pela determina\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u00c0s 5 da matina j\u00e1 est\u00e1 de p\u00e9. Usa duas condu\u00e7\u00f5es para chegar \u00e0 Pra\u00e7a da S\u00e9, onde trabalha h\u00e1 mais de 20 anos. Todos ali o conhecem e, de alguma forma, admiram sua labuta. <\/p>\n<p>Mal d\u00e1 para o sustento da fam\u00edlia. <\/p>\n<p>Mesmo assim, ele separa um troquinho para fazer uma fezinha na mega sena.<\/p>\n<p>\u201cUm dia, ainda eu tiro a sorte grande! \u201d<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Para tanto, usa uma ins\u00f3lita estrat\u00e9gia de autoria pr\u00f3pria. <\/p>\n<p>Enquanto est\u00e1 no \u00f4nibus a caminho do trabalho (ou de volta para casa), anota aleatoriamente uma sequ\u00eancia de n\u00fameros. Assim enche folhas e folhas de um antigo caderno. <\/p>\n<p>Depois na casa lot\u00e9rica, escolhe uma delas e&#8230;<\/p>\n<p>Quem sabe? Talvez. Por que n\u00e3o? <\/p>\n<p>\u201cUm dia, ainda eu tiro a sorte grande! \u201d<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Acompanho a reportagem e fico a imaginar o quanto de sonhos, f\u00e9 e esperan\u00e7a movem brasileiros como este senhor, o nosso personagem.<\/p>\n<p>O Pa\u00eds vive envolto em tristezas e mazelas.<\/p>\n<p>Mesmo assim, pessoas como ele ousam vislumbrar um futuro melhor.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o tantas lamenta\u00e7\u00f5es ao meu redor \u2013 de pessoas que, diria, t\u00eam tudo para batalhar mais e choramingar menos. Me incluo no rol destes, e fa\u00e7o aqui o mea culpa.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>\u201cO brasileiro tem voca\u00e7\u00e3o para ser feliz\u201d \u2013 ouvi a frase tantas vezes e s\u00f3 agora me dou conta do tanto de contrariedades que se enfrenta a cada nova manh\u00e3.<\/p>\n<p>Talvez seja esta a grande riqueza deste povo que ainda n\u00e3o se assenhoreou da pr\u00f3pria Hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>Mas que continua na busca&#8230; <\/p>\n<p>Gosto quando o jornalismo se aproxima desse povo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Preocupa-me os rumos do jornalismo.<\/p>\n<p>Por isso, o post de ontem. 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