{"id":13591,"date":"2017-03-03T00:00:00","date_gmt":"2017-03-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:37:38","modified_gmt":"2017-09-15T18:37:38","slug":"uma-conversa-entre-senhores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/uma-conversa-entre-senhores\/","title":{"rendered":"Uma conversa entre senhores&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Sabem como s\u00e3o \u201cos acima de 60\u201d, esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o, a qual orgulhosamente perten\u00e7o. Gostam m\u00e3o apenas de narrar os fatos que viveram ou n\u00e3o, mas tamb\u00e9m, e principalmente de coment\u00e1-los.<\/p>\n<p>Coment\u00e1-los ao sabor da pr\u00f3pria mem\u00f3ria, vale frisar. E a\u00ed \u00e9 que est\u00e1 a gra\u00e7a da coisa toda.<\/p>\n<p>Como bem escreveu a espetacular cronista Rachel de Queiroz&#8230; Melhor seria dizer como bem \u201censinou\u201d a escritora, mem\u00f3ria n\u00e3o raras vezes \u00e9 sin\u00f4nimo de mentira.<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Escrevi ontem aqui sobre a m\u00fasica de Paulinho da Viola, \u201cFoi Um Rio Que Passou em Minha Vida\u201d, e que a ouvi pela primeira vez em uma das eliminat\u00f3rias de um festival chamado Feira Permanente da M\u00fasica Popular Brasileira. Era uma realiza\u00e7\u00e3o da TV Tupi, com dire\u00e7\u00e3o de Fernando Faro, quando tinha 19 anos. Em 1970, portanto.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 escrevi e, l\u00f3gico, comentei com alguns amigos, com ares de profundo conhecedor dos bastidores da m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sequer ouvira falar da tal Feira. Alguns conheciam a hist\u00f3ria do samba\u00e7o de Paulinho. Outros se mostraram indiferentes \u00e0 hist\u00f3ria. Mas, todos \u2013 ou quase todos \u2013 ca\u00edram de boca na data em que a can\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ada e que, por consequ\u00eancia, o festival foi realizado.<\/p>\n<p>Discuss\u00e3o tola. Mas que me deixou intrigado.<\/p>\n<p>Uns lembravam o retumbante sucesso do samba e de t\u00ea-lo cantado \u00e0 vera durante as comemora\u00e7\u00f5es da Copa de 70.<\/p>\n<p>(Sim, car\u00edssimos, tenho bons amigos que juram serem cantores, e dos bons. N\u00e3o dou o meu aval, mas tamb\u00e9m n\u00e3o os cr\u00edtico. S\u00e3o meus amigos, afinal.)<\/p>\n<p>Como o Mundial foi em junho de 1970, a Feira teria sido entre o final de 1969 e o in\u00edcio de daquele santo ano.<\/p>\n<p>Quando disse, na roda de amigos, que o Festival n\u00e3o terminou por quest\u00f5es pol\u00edticas, teve apenas quatro eliminat\u00f3rias \u2013 duas vencidas por can\u00e7\u00f5es de Jorge Ben Jor (\u201cQue Maravilha\u201d e \u201cBebete Vambora\u201d) e duas de Paulinho da Viola (\u201cFoi Um Rio Que Passou em Minha Vida\u201d e \u201cNada de Novo\u201d) -, algu\u00e9m lembrou que talvez fosse em 1968, quando se baixou o tac\u00e3o do AI-5, em 13 de dezembro.<\/p>\n<p>Pode ser.<\/p>\n<p>Faz sentido tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cBebete Vambora\u201d est\u00e1 no disco que Ben Jor lan\u00e7ou em meados 1969. Como as m\u00fasicas obrigatoriamente precisavam ser in\u00e9ditas para serem inscritas na Feira, \u00f3bvio que&#8230;<\/p>\n<p>\u201c\u00d3bvio que voc\u00eas deveriam procurar no Google\u201d \u2013 disse um jovem que ouvia nossa portentosa discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Como h\u00e1 enxerido nesse mundo, pensamos todos. <\/p>\n<p>Se fosse para consultar o Google, o que sobraria para fazermos naquele maravilhoso momento de \u00f3cio criativo?<\/p>\n<p>De qualquer forma, a conversa acabou ali&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabem como s\u00e3o \u201cos acima de 60\u201d, esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o, a qual orgulhosamente perten\u00e7o. 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