{"id":13608,"date":"2017-03-21T00:00:00","date_gmt":"2017-03-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:37:14","modified_gmt":"2017-09-15T18:37:14","slug":"reflexoes-sobre-a-cronica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/reflexoes-sobre-a-cronica\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es sobre a cr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p>Valho-me de uma colabora\u00e7\u00e3o de um leitor para tocar a conversa de hoje.<\/p>\n<p>Desconfio que ele se sensibilizou com o dilema que ontem aqui apresentei e me encaminhou uma cr\u00f4nica do jornalista e escritor Otto Lara Resende, publicada nos idos dos anos 90 na p\u00e1gina 2 da Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>(Fiquei lisonjeado, mas n\u00e3o entendi bem o recado.)<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>A partir dos depoimentos de grandes cronistas da nossa hist\u00f3ria, Resende se prop\u00f5e a responder a seguinte pergunta:<\/p>\n<p>\u201cA cr\u00f4nica morreu ou est\u00e1 morrendo? \u201d<\/p>\n<p>Rachel de Queiroz, a not\u00e1vel escritora e cronista, mostrou-se indiferente ao tema:<\/p>\n<p>\u201cNunca havia pensado na morte da cr\u00f4nica\u201d \u2013 ponderou.<\/p>\n<p>Outro not\u00e1vel, Paulo Mendes Campos, viu ind\u00edcios da influ\u00eancia da linguagem da TV e do r\u00e1dio<br \/>\n(vale lembrar que o mundo ainda n\u00e3o se valia da internet \u2013 e, portanto, das famigeradas redes sociais) na feitura da cabe\u00e7a dos antigos leitores.<\/p>\n<p>\u201cO pessoal hoje procura uma leitura mais f\u00e1cil\u201d.<\/p>\n<p>Fernando Sabino, mineiramente carioca, seguiu a mesma linha de pensamento:<\/p>\n<p>\u201cVivemos uma \u00e9poca de comunica\u00e7\u00e3o mais objetiva, mais agressiva\u201d.<\/p>\n<p>Conclui que a cr\u00f4nica segue caminhos mais amenos, mais sutis, embora n\u00e3o seja exatamente um g\u00eanero liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Carlos Drummond de Andrade desconversou total:<\/p>\n<p>\u201cFa\u00e7o prosa para o jornal para ganhar a vida\u201d.<\/p>\n<p>O mesmo discurso de Clarice Lispector:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sou cronista. Escrevo no jornal para ganhar a vida\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e9lson Rodrigues foi mais contundente:<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m morreu. Nem o romance, nem a poesia, nem o teatro, nem a cr\u00f4nica\u201d.<\/p>\n<p>Aproveitou para provocar:<\/p>\n<p>\u201cSe o p\u00fablico abandonou certos cronistas, \u00e9 porque nada tinham a dizer. O sil\u00eancio lhes assenta bem\u201d.<\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>N\u00e9lson foi o \u00fanico a n\u00e3o citar Rubem Braga, considerado nosso melhor cronista. Todos os demais reconheceram Braga como o pioneiro no g\u00eanero, como ainda hoje o entendemos (ou tentamos entender).<\/p>\n<p>Para Sabino, existem Rubem Braga e os imitadores do Rubem Braga.<\/p>\n<p>Clarice bateu na mesma tecla:<\/p>\n<p>\u201cCr\u00f4nica \u00e9 um g\u00eanero que o Rubem Braga criou\u201d.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Consta que o Otto, \u00e0 \u00e9poca, procurou o pr\u00f3prio Braga e, em uma roda de amigos, fez a pergunta:<\/p>\n<p>Rubem resmungou algumas palavras que, a bem da hist\u00f3ria, ningu\u00e9m entendeu.<\/p>\n<p>*** NOTA do autor:<br \/>\nO t\u00edtulo da coluna de Otto Lara Resende \u00e9 \u201cA defunta, como vai? \u201d. Foi publicada em 22 de fevereiro de 1992 e consta da colet\u00e2nea \u201cBom dia para nascer\u201d, editado pela Companhia das Letras, em 2011.  Re\u00fane as cr\u00f4nicas escritas para o jornal Folha de S.Paulo, entre 1991 e 1992. Com sele\u00e7\u00e3o e posf\u00e1cio de Humberto Werneck.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valho-me de uma colabora\u00e7\u00e3o de um leitor para tocar a conversa de hoje.<\/p>\n<p>Desconfio que ele se sensibilizou com o dilema que ontem aqui apresentei e me encaminhou uma cr\u00f4nica do jornalista e escritor Otto Lara Resende,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13608","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13608"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13608\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14443,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13608\/revisions\/14443"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}