{"id":13643,"date":"2017-05-11T00:00:00","date_gmt":"2017-05-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:36:20","modified_gmt":"2017-09-15T18:36:20","slug":"os-dias-continuam-assim","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-dias-continuam-assim\/","title":{"rendered":"Os dias continuam assim&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Perdoem a cara amarrada<br \/>\nPerdoem a falta de abra\u00e7o<br \/>\nPerdoem a falta de espa\u00e7o<br \/>\nOs dias eram assim<\/p>\n<p>Perdoem por tantos perigos<br \/>\nPerdoem a falta de abrigo<br \/>\nPerdoem a falta de amigos<br \/>\nOs dias eram assim<\/p>\n<p>Perdoem a falta de folhas<br \/>\nPerdoem a falta de ar<br \/>\nPerdoem a falta de escolha<br \/>\nOs dias eram assim<\/p>\n<p>E quando passarem a limpo<br \/>\nE quando cortarem os la\u00e7os<br \/>\nE quando soltarem os cintos<br \/>\nFa\u00e7am a festa por mim<\/p>\n<p>Quando lavarem a m\u00e1goa<br \/>\nQuando lavarem a alma<br \/>\nQuando lavarem a \u00e1gua<br \/>\nLavem os olhos por mim<\/p>\n<p>Quando brotarem as flores<br \/>\nQuando crescerem as matas<br \/>\nQuando colherem os frutos<br \/>\nDigam o gosto pra mim<\/p>\n<p>1978<\/p>\n<p>Os versos pungentes de Victor Martins para a m\u00fasica igualmente tocante de Ivan Lins retratam o triste momento que o Pa\u00eds atravessa envolto em um obscuro per\u00edodo ditatorial. <\/p>\n<p>Elis Regina d\u00e1 \u00e0 can\u00e7\u00e3o uma interpreta\u00e7\u00e3o emocionante, \u00e9 um dos pontos altos do show \u201cTransversal do Tempo\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro ver as pessoas chorando na plateia. Comovidas, identificadas com o que os versos t\u00e3o perfeitamente retratam.<\/p>\n<p>Victor, Ivan e Elis t\u00eam filhos pequenos.<\/p>\n<p>N\u00e3o querem que as crian\u00e7as cres\u00e7am e vivam em um Pa\u00eds devastado, sem liberdade.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m quer&#8230;<\/p>\n<p>2017<\/p>\n<p>Quase quarenta anos depois&#8230;<\/p>\n<p>Tento assistir ao cap\u00edtulo de ontem da s\u00e9rie \u201cOs Dias Eram Assim\u201d. <\/p>\n<p>No t\u00edtulo, a trama usa um dos versos de \u201cAos Nossos Filhos\u201d para retratar os anos de chumbo.<\/p>\n<p>N\u00e3o me sinto confort\u00e1vel diante das imagens que vejo.<\/p>\n<p>Mas, h\u00e1 um motivo especial e preciso faz\u00ea-lo. <\/p>\n<p>Tenho um sobrinho-neto, o Cacau \u2013 na verdade, enteado do Beto, filho da minha mana Rosa \u2013 que \u00e9 ator e vai participar da produ\u00e7\u00e3o. Ele deve entrar por esses dias como filho do personagem Marcos Palmeira.<\/p>\n<p>Parece que o garoto \u00e9 bom no of\u00edcio; tomara, viva um futuro promissor.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Mas, como dizia, tento ver as cenas, mas desisto logo.<\/p>\n<p>Nada quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o em si da trama, \u00e9 o assunto que me constrange e incomoda.<\/p>\n<p>N\u00e3o me faz bem relembrar aquela p\u00e1gina infeliz da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Pondero para mim mesmo que o dia talvez n\u00e3o seja o mais adequado.<\/p>\n<p>O confronto entre Moro e Lula trouxe \u00e0 luz cenas comuns \u00e0queles dias de persegui\u00e7\u00f5es e trevas. De volta, nas ruas da pacata Curitiba, o estado policialesco, a apreens\u00e3o de um poss\u00edvel enfrentamento, a democracia em risco, o desalento.<\/p>\n<p>A bem da verdade, s\u00e3o cenas tristes comuns em nosso dia a dia, independentes dos protagonistas e o papel que representam &#8211; e que n\u00e3o me convencem em seus prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p>Soma-se a este dia, outros tantos motivos que fica dif\u00edcil \u2013 quase imposs\u00edvel \u2013 prever dias mais promissores.<\/p>\n<p>E a can\u00e7\u00e3o se faz atual\u00edssima, s\u00f3 que n\u00e3o tenho mais vinte e poucos anos, os sonhos e as ilus\u00f5es cab\u00edveis a essa idade.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Escrevi ontem para o amigo que mora na B\u00e9lgica que vivemos um apartheid \u00e0 moda brazuca. De um lado e de outro, todos se fazem de senhores da verdade absoluta, irredut\u00edveis no ponto de vista que mais lhes intere$$a.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa quem semeou tamanho \u00f3dio. Como super\u00e1-lo em nome de um Brasil efetivamente de todos os brasileiros, parece-me ser um desafio fora do nosso tacanho alcance.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o for por esse caminho, o que nos resta? <\/p>\n<p>Arrisco um progn\u00f3stico: a implos\u00e3o de nossa tenra democracia. <\/p>\n<p>H\u00e1 quem clame pela volta dos militares. Outros sugerem algum Messias de toga. E h\u00e1 aqueles que babam \u00e0 espera de um Salvador da P\u00e1tria que fale ingl\u00eas (importante, hein!) e vista Ralph Loren.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 este o caminho de uma Na\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea e, sim, do retrocesso.<\/p>\n<p>Os dias eram \u2013 e continuam assim, infelizmente.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>S\u00f3 para esclarecer, o nome do garoto \u00e9 Konstantino Sarris. <\/p>\n<p>Olho nele!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perdoem a cara amarrada<br \/>\nPerdoem a falta de abra\u00e7o<br \/>\nPerdoem a falta de espa\u00e7o<br \/>\nOs dias eram assim<\/p>\n<p>Perdoem por tantos perigos<br \/>\nPerdoem a falta de abrigo<br \/>\nPerdoem a falta de amigos<br \/>\nOs dias eram assim<\/p>\n<p>Perdoem a falta de folhas<br \/>\nPerdoem a falta de ar<br \/>\nPerdoem a falta de escolha<br \/>\nOs dias eram assim<\/p>\n<p>E quando passarem a limpo<br \/>\nE quando cortarem os la\u00e7os<br \/>\nE quando soltarem os cintos<br \/>\nFa\u00e7am a festa por mim<\/p>\n<p>Quando lavarem a m\u00e1goa<br \/>\nQuando lavarem a alma<br \/>\nQuando lavarem a \u00e1gua<br \/>\nLavem os olhos por mim<\/p>\n<p>Quando brotarem as flores<br \/>\nQuando crescerem as matas<br \/>\nQuando colherem os frutos<br \/>\nDigam o gosto pra mim<\/p>\n<p>1978<\/p>\n<p>Os versos pungentes de Victor Martins para a m\u00fasica igualmente tocante de Ivan Lins retratam o triste momento que o Pa\u00eds atravessa envolto em um obscuro per\u00edodo ditatorial.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13643"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13643\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14409,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13643\/revisions\/14409"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}