{"id":13661,"date":"2017-05-29T00:00:00","date_gmt":"2017-05-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:35:52","modified_gmt":"2017-09-15T18:35:52","slug":"os-inocentes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-inocentes\/","title":{"rendered":"Os inocentes"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do ovo e da galinha, lembram?  <\/p>\n<p>Ou aquela outra da tal bolacha que vende mais porque \u00e9 fresquinha. Ou \u00e9 fresquinha por que vende mais.<\/p>\n<p>Quem veio primeiro?<\/p>\n<p>Recentemente, os brasileiros descobriram outro tira-teima. S\u00e3o pol\u00edticos corruptos que procuram os empres\u00e1rios mal-intencionados. Ou s\u00e3o estes, gananciosos, que buscam os politic\u00e3os para as<br \/>\ndevidas negociatas.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que a coisa toda se d\u00e1 ao mesmo tempo, quando as partes se encontram em grandes festas, em espa\u00e7os reservados \u2013 restaurantes, corredores de Bras\u00edlia, gabinetes emplumados e afins \u2013 que a plebe ignara \u2013 ou seja n\u00f3s &#8211; jamais frequentou?<\/p>\n<p>Fica a quest\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em novembro de 2014, o empres\u00e1rio Ricardo Semler foi enf\u00e1tico:<\/p>\n<p>Aspas para ele:<\/p>\n<p>\u201cNossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era imposs\u00edvel vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e at\u00e9 recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 no mundo dos neg\u00f3cios quem n\u00e3o saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcion\u00e1rios que nada ganham com a bandalheira da c\u00fapula.<\/p>\n<p>Os porcentuais ca\u00edram, foi s\u00f3 isso que mudou. At\u00e9 em Paris sabia-se dos &quot;cochons des dix pour cent&quot;, os porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importa\u00e7\u00e3o de barris de petr\u00f3leo em d\u00e9cadas passadas.<\/p>\n<p>Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do pa\u00eds nas d\u00e9cadas em que houve evas\u00e3o de R$ 1 trilh\u00e3o \u2013cem vezes mais do que o caso Petrobras\u2013 pelos empres\u00e1rios?<\/p>\n<p>Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas \u00e9 justamente a turma de Miami que compra l\u00e1 com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento \u00e9 esse? \u201d<\/p>\n<p>A \u00edntegra do texto est\u00e1 no link:<\/p>\n<p>http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2014\/11\/1551226-ricardo-semler-nunca-se-roubou-tao-pouco.shtml<\/p>\n<p>III. <\/p>\n<p>Desconfio at\u00e9 que tratei do artigo, por aqui, na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Considero oportuno retom\u00e1-lo hoje diante dos fatos e den\u00fancias que explodem aqui e ali e p\u00f5em em xeque o verniz dos tristes dias que vivemos \u2013 e causam espantos em Deus, na Rede Globo e<br \/>\nsuas coirm\u00e3s e no mundo.<\/p>\n<p>Confesso: tamb\u00e9m fa\u00e7o parte desse espanto geral.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o s\u00f3 com o que ou\u00e7o, vejo e leio.<\/p>\n<p>Tenho outra indigna\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Querem saber?<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>O pouco que militei na \u00e1rea do jornalismo pol\u00edtico j\u00e1 me mostrou onde, quando, como e por que se dava o jogo de cartas marcadas. Quem levava as fichas da mesa eram sempre os mesmos.<br \/>\nEsses que ainda hoje est\u00e3o por a\u00ed. Ou os interesses que a turba representa.<\/p>\n<p>Era assim em tempos ditatoriais, pouqu\u00edssima coisa mudou com a redemocratiza\u00e7\u00e3o. Infelizmente.<br \/>\nAs for\u00e7as que sempre mandaram no pa\u00eds continuaram a mandar. Se perderam a queda de bra\u00e7o na Constitui\u00e7\u00e3o de 88 em termos dos direitos dos trabalhadores, nunca se conformaram com essa derrota \u2013 e, de alguma forma, \u201ctrabalharam\u201d firmemente para reverter o quadro.<\/p>\n<p>Em muitas empresas de comunica\u00e7\u00e3o (para n\u00e3o falar todas), a terceiriza\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 uma pr\u00e1tica consumada. Ser PJ (pessoa jur\u00eddica), frila fixo ou ficar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das necessidades do dia, j\u00e1 \u00e9 uma lament\u00e1vel realidade para muitos profissionais.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Volto \u00e0 quest\u00e3o dos esc\u00e2ndalos envolvendo o nome de pol\u00edticos de todos os matizes. <\/p>\n<p>Quem n\u00e3o sabia que era assim?<\/p>\n<p>Jornalistas que cobrem o Congresso h\u00e1 anos, que circulam pelos bastidores do Poder, alguns que celebram intimidade com pol\u00edticos e empres\u00e1rios, que compartilham o cafezinho do Senado \u2013 esse pessoal todo mostrar espanto e surpresa diante de tudo que vimos e ouvimos \u00e9 subestimar a intelig\u00eancia de leitores, ouvintes e espectadores. <\/p>\n<p>Como me disse um velho amigo dos tempos da velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor, os coleguinhas sabiam que era assim. \u201cMas, nunca imaginaram que era t\u00e3o escrachado, t\u00e3o violento\u201d.<\/p>\n<p>Deviam ao menos desconfiar&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 um bom livro, escrito pelo jornalista Carlos Dornelles, o t\u00edtulo diz tudo:<\/p>\n<p>\u201cDeus \u00e9 inocente. A imprensa, n\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do ovo e da galinha, lembram?  <\/p>\n<p>Ou aquela outra da tal bolacha que vende mais porque \u00e9 fresquinha. 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