{"id":13667,"date":"2017-06-01T00:00:00","date_gmt":"2017-06-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:35:51","modified_gmt":"2017-09-15T18:35:51","slug":"lembrancas-e-devaneios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/lembrancas-e-devaneios\/","title":{"rendered":"Lembran\u00e7as e devaneios"},"content":{"rendered":"<p>Perdoem-me a imod\u00e9stia. Gosto muito do texto que hoje aqui transcrevo. Diz muito sobre mim \u2013 e a mim. Talvez ande um tanto nost\u00e1lgico. Saudoso de outros tempos. Saudoso de alguns amigos e da velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, foi com esta cr\u00f4nica que me despedi da coluna que assinei por 20 e tantos anos (Caro Leitor) publicada semanalmente no jornal Gazeta do Ipiranga, onde militei por quase tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u00c9 bem prov\u00e1vel que j\u00e1 o tenha reeditado aqui, no Blog, em anos anteriores. Tamb\u00e9m faz parte da colet\u00e2nea que lancei em dezembro de 2013, \u201cVolteios \u2013 Cr\u00f4nicas, lembran\u00e7as e devaneios\u201d.<\/p>\n<p>Eu o acho ainda bastante atual \u2013 espero que gostem!<\/p>\n<p>Sempre que o visito, consigo o tal reencontro com tenras emo\u00e7\u00f5es e sentimentos do garoto que um dia fui e espero conservar intactos [mesmo com as agruras da vida adulta].<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>PORQUE IMAGINO JUNHO<\/p>\n<p>COMO SIN\u00d4NIMO DE LIBERDADE<\/p>\n<p>&quot;Assim h\u00e1 que ser ter estilo&quot; (Padre Vieira)<\/p>\n<p>01. Nos tenros anos da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, os alunos dos col\u00e9gios Maristas tinham motivos de sobra para saudar a chegada de junho. Se as provas bimestrais assustavam, a proximidade das f\u00e9rias de julho garantia a saborosa sensa\u00e7\u00e3o de estar livre para jogar futebol, empinar &quot;papagaio&quot;, rodar pi\u00e3o; enfim ser feliz. Para melhorar o esp\u00edrito da garotada &#8212; eu inclusive &#8211;, o 6 de junho era feriado &#8212; e que feriado! Consagrado \u00e0 mem\u00f3ria e rever\u00eancia do fundador da congrega\u00e7\u00e3o, o ent\u00e3o beato (agora santo) Marcelino Champagnat, vivia-se um dia de festa, com o futebol rolando solto nos dois campinhos de terra batida que existiam no Col\u00e9gio Nossa Senhora, aqui pertinho no Cambuci. Lembro que era a \u00fanica manh\u00e3 em que acordava antes do pai me chamar e ficava ansioso pela chegada do bonde que me levaria da rua Bom Pastor \u00e0 rua Lavap\u00e9s. Ainda agora tento descrever, mas n\u00e3o consigo, a del\u00edcia de entrar em campo com o uniforme de camisas listradas em azul e branco do Gl\u00f3ria. Quanto encantamento&#8230;<\/p>\n<p>02. Nos inquietos anos da juventude, tinha outra &#8212; mas tamb\u00e9m clar\u00edssima &#8212; no\u00e7\u00e3o de liberdade. Nada me impedia de fazer o que bem quisesse, embora quase sempre deixasse tudo por fazer. O que convenhamos \u00e9 a verdadeira legitima\u00e7\u00e3o do conceito &quot;ser livre&quot;. Uma certa manh\u00e3, recomendado por algu\u00e9m importante, l\u00e1 fui eu para o meu primeiro dia de trabalho como datil\u00f3grafo num escrit\u00f3rio de contabilidade ou algo do g\u00eanero. N\u00e3o cheguei a sequer esquentar a cadeira. Uma hora depois deixei a sala abafada pela fuma\u00e7a de cigarro para nunca mais voltar. Hoje talvez pudesse alegar que o ru\u00eddo dos teclados incandescentes me estressou, mas a palavra n\u00e3o existia naquele tempo. Sai sem dar bom dia, ali\u00e1s como cheguei. E ningu\u00e9m reparou ou sequer lamentou (afora meus pais, claro) &#8230;<\/p>\n<p>03. H\u00e1 quem diga que o conceito de liberdade para a minha gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse al\u00e9m de uma cal\u00e7a velha, azul e desbotada. Ou que \u00e9ramos libert\u00e1rios demais, respons\u00e1veis de menos. Sei, n\u00e3o. Quando embiquei para os quarenta, coincid\u00eancia ou n\u00e3o, comecei a me incomodar com algumas &quot;armadilhas&quot; em que o destino havia me enredado. Os terapeutas de comportamento acham natural que, a essa altura da vida, o cidad\u00e3o fa\u00e7a uma esp\u00e9cie de avalia\u00e7\u00e3o do que fez ou deixou de fazer. Alguns amigos, mais debochados, refor\u00e7avam a goza\u00e7\u00e3o. Diziam que de t\u00e3o distra\u00eddo nem me dei conta que esses desv\u00e3os sempre existiram. E mais grave: sempre existir\u00e3o. A vida \u00e9 assim, cara.<\/p>\n<p>04. Muitas vezes, tomei esses coment\u00e1rios como uma forma de press\u00e3o, de enquadramento \u00e0s regras do jogo social. Mas, confesso: pode ser dif\u00edcil ser o que se \u00e9, mas ainda \u00e9 a melhor coisa que uma pessoa pode fazer por ela mesmo. E bom chegar ao cinquenta e quequ\u00e9recos. N\u00e3o h\u00e1 o que lamentar. Distra\u00e7\u00f5es, contradi\u00e7\u00f5es e sonhos s\u00e3o formas de liberdade. Diria o mago: fazem parte do caminho. Diria o meu saudoso av\u00f4, o maior de todos os pecados \u00e9 o arrependimento.<\/p>\n<p>*Nota do Blog:<\/p>\n<p>S\u00f3 pra n\u00e3o dizerem que estou escondendo a idade, ando hoje \u2013 um tanto combalido, \u00e9 certo \u2013 na casa dos sessenta e muitos. Mas, no firme prop\u00f3sito de n\u00e3o perder a capacidade de sonhar &#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perdoem-me a imod\u00e9stia. Gosto muito do texto que hoje aqui transcrevo. Diz muito sobre mim \u2013 e a mim. Talvez ande um tanto nost\u00e1lgico. Saudoso de outros tempos. 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