{"id":13669,"date":"2017-06-03T00:00:00","date_gmt":"2017-06-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:35:50","modified_gmt":"2017-09-15T18:35:50","slug":"almeidinha-e-mano-menezes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/almeidinha-e-mano-menezes\/","title":{"rendered":"Almeidinha e Mano Menezes"},"content":{"rendered":"<p>Tudo tem limite<br \/>\nexceto<br \/>\no amor de Brigite<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>O miniverso de Drummond era bord\u00e3o na voz do Almeidinha em dia de fechamento. Era o veterano jornalista que comandava a Reda\u00e7\u00e3o quando ali cheguei em meados dos anos 70. Todo vez que um de n\u00f3s \u2013 os jovens rep\u00f3rteres \u2013 derrapava na curva, escrevia mais do que devia, retardava a entrega do texto ou aprontava alguma que atrasasse a entrega da edi\u00e7\u00e3o \u00e0 oficina, a primeira cobran\u00e7a vinha em forma de poema.<\/p>\n<p>Era o tempo que o editor nos dava para apressar o servi\u00e7o.<\/p>\n<p>A segunda cobran\u00e7a j\u00e1 era um sonoro palavr\u00e3o.<\/p>\n<p>Dali em diante era&#8230; <\/p>\n<p>(N\u00e3o gosto sequer de me lembrar.)<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>O estresse fazia parte da nossa rotina.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, n\u00e3o estou certo se conhec\u00edamos a express\u00e3o.<\/p>\n<p>Diz\u00edamos que o dia tinha sido \u201cuma pauleira\u201d.<\/p>\n<p>De qualquer forma, fosse qual fosse a express\u00e3o usada, ela n\u00e3o nos tirava do eixo. Jornal na gr\u00e1fica, rotativa funcionando, vida que segue. Tudo voltava ao normal \u2013 ou quase, era hora aproveitar o que ainda restava da noite.<\/p>\n<p>Sa\u00edamos em bandos para o primeiro boteco aberto que encontr\u00e1vamos. Alguns s\u00f3 batiam o ponto e zarpavam. Quem podia ia se deixando ficar, entre uma golada e outra, um assunto e outro, uma zoeira e outra. Claro que o esporro do dia era devidamente desconstru\u00eddo na base do deboche. E sempre havia o mais abusado para fazer uma imita\u00e7\u00e3o do Almeidinha no auge da c\u00f3lera.<\/p>\n<p>Ele estava presente &#8211; e era o que mais ria da pantomima.<\/p>\n<p>J\u00e1 um tanto breaco, o Almeidinha se desmanchava em desculpas \u2013 e prometia que n\u00e3o repetiria mais \u201ctamanha grosseria\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s o desculp\u00e1vamos, claro. Mas, s\u00f3 fing\u00edamos que acredit\u00e1vamos na promessa.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Ainda nesta semana, assisti ao Bola da Vez, programa esportivo da ESPN\/Brasil, com o t\u00e9cnico Mano Menezes. L\u00e1 pelas tantas da boa conversa, o apresentador Jo\u00e3o Carlos de Albuquerque perguntou a ele sobre o seu comportamento \u00e0 beira do campo durante os jogos. Est\u00e1 sempre reclamando do juiz, vociferando com um, com outro; bastante diferente do homem esclarecido e claro nas posi\u00e7\u00f5es que defende, com voz mansa e tranquila que ali se apresentava.<\/p>\n<p>Mano fez um m\u00e9a culpa que me pareceu sincero. Disse que quando rev\u00ea as cenas, fica muitas vezes constrangido. E mal se reconhece naquele \u201calem\u00e3o\u201d descontrolado.<\/p>\n<p>Culpou a adrenalina de quem est\u00e1 dentro das quatro linhas.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei porque associei a imagem do Mano ao do saudoso Almeidinha. Que, naqueles idos, jogava para \u201ca pauleira\u201d do fechamento o motivo dos seus transtornos.<\/p>\n<p>Achei que exagerava na minha nostalgia.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Na noite de quinta, estou de bobeira vendo jogo entre Chapecoense e Cruzeiro, o time de Mano, quando vejo o t\u00e9cnico tentar atrapalhar o jogador Reinado, da Chape,  a bater um lateral pr\u00f3ximo a ele. <\/p>\n<p>A cena foi um tanto pat\u00e9tica, e absolutamente conden\u00e1vel.<\/p>\n<p>At\u00e9 o boleiro deu risada do rid\u00edculo da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Estava sozinho na sala de casa. Mesmo assim,n\u00e3o pude conter o coment\u00e1rio:<\/p>\n<p>\u2018Nem o Almeidinha chegaria a tanto\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo tem limite<br \/>\nexceto<br \/>\no amor de Brigite<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>O miniverso de Drummond era bord\u00e3o na voz do Almeidinha em dia de fechamento. Era o veterano jornalista que comandava a Reda\u00e7\u00e3o quando ali cheguei em meados dos anos 70.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13669","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13669","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13669"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13669\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14386,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13669\/revisions\/14386"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}