{"id":13670,"date":"2017-06-04T00:00:00","date_gmt":"2017-06-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:35:50","modified_gmt":"2017-09-15T18:35:50","slug":"o-poeta-e-o-almeidinha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-poeta-e-o-almeidinha\/","title":{"rendered":"O Poeta e o Almeidinha"},"content":{"rendered":"<p>Lembrei ontem o Almeidinha e a velha Reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Passtor. Foi um tempo que n\u00e3o me sai da mem\u00f3ria e que retratei no livro \u201cMeus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es\u201d, lan\u00e7ado em 2010.<\/p>\n<p>Inclusive ilustrei o post de ontem com a capa do livro.O que despertou, desconfio, um (in)certo ciuminho no amigo Poeta que n\u00e3o se viu \u201crepresentado\u201d na colet\u00e2nea (culpa minha, nada escrevi sobre ele) e a cr\u00f4nica \u201cAlmeidinha e Mano Menezes\u201d n\u00e3o lhe desceu redonda.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea for\u00e7ou a barra ao juntar a patetice de um e de outro, acusou-me o amigo. \u2013 Sobre o livro, voc\u00ea (eu) sabe, eu o acho bastante incompleto ao tentar fazer um registro daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Aceito de bom grado as cr\u00edticas do amigo. Sequer discuto ou tento contra-argumentar. Afinal, \u00e9 meu amigo&#8230;Um dos raros que me restaram daqueles idos&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>O Poeta era um dos nossos, embora n\u00e3o fosse jornalista e n\u00e3o trabalhasse na Reda\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era o \u00fanico infiltrado. Havia v\u00e1rios, de diversos segmentos sociais. At\u00e9 porque o Sujinho onde nos encontr\u00e1vamos, dia sim e outro tamb\u00e9m, era talqualmente aquele verso dos Tribalistas, lembram?<\/p>\n<p>\u201cEu sou de todo mundo<br \/>\nE todo mundo \u00e9 meu tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Ficava ali, onde est\u00e1 a portentosa Esta\u00e7\u00e3o Sacom\u00e3 do Metro. Mais exatamente na esquina da ruas Bom Pastor com Greenfeld, onde o Sacom\u00e3 torce o rabo e o \u00f4nibus F\u00e1brica\/Pinheiro range e bufa ao fazer a curva.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que esta linha ainda existe?<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>N\u00e3o me recordo bem. Mas acho que o Poeta ainda guarda uma diferen\u00e7a com o Almeidinha. <\/p>\n<p>Talvez fosse isso \u2013 e explico a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>O Poeta, como o pr\u00f3prio apelido sugere, sempre foi chegado a poemas, sonetos, literatices e afins. E gostaria muito de ver parte de sua obra publicada nas p\u00e1ginas de nosso combativo jornal.<\/p>\n<p>O Almeidinha sempre se mostrou intransigente.<\/p>\n<p>\u201cJornal \u00e9 lugar de not\u00edcia. O estu\u00e1rio natural da Literatura, da poesia \u00e9 o livro \u2013 e ponto e basta\u201d.<\/p>\n<p>De tanto insistirmos \u2013 mais para atazanar o Almeidinha do que por apre\u00e7o aos versos do Poeta que nunca lemos, diga-se \u2013 o chefe topou dar uma chance.<\/p>\n<p>\u201cTraga-me dois sonetos. Publicaremos o melhor\u201d \u2013 disse ele ao Poeta.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Foi o que o amigo fez. No dia combinado, l\u00e1 estava ele com dois envelopes na m\u00e3o. Entregou o primeiro deles em m\u00e3os.<\/p>\n<p>Bastaram alguns segundos para o Almeidinha dar o veredito:<\/p>\n<p>\u201cPublicaremos o outro\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Como assim?, espantou-se o autor.<\/p>\n<p>\u201cPior do que este, imposs\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Entregou o outro envelope para o diagramador, e acrescentou:<\/p>\n<p>\u201cNa se\u00e7\u00e3o dos leitores, t\u00e1!\u201d<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>O Poeta ficou fulo da vida. Pegou os dois envelopes e se foi carcando o salto carrapeta no assoalho.<\/p>\n<p>Ficamos um temp\u00e3o sem v\u00ea-lo. Quando reapareceu no boteco, n\u00e3o tocamos no assunto. Afinal, o cara era nosso amigo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembrei ontem o Almeidinha e a velha Reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Passtor. 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