{"id":13683,"date":"2017-06-21T00:00:00","date_gmt":"2017-06-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:35:49","modified_gmt":"2017-09-15T18:35:49","slug":"homenagem-a-machado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/homenagem-a-machado\/","title":{"rendered":"Homenagem a Machado"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 21\/06\/1839 \u2013 Nasce Machado de Assis, o mais expressivo escritor da nossa Literatura brasileira. Jornalista, contista, cronista, romancista, teatr\u00f3logo e poeta. Aproveito a dica da p\u00e1gina inicial do Google (que lembrou  Machado) para registrar minha admira\u00e7\u00e3o e rever\u00eancia a este not\u00e1vel brasileiro. Nesse sentido, replico hoje a cr\u00f4nica \u201cSomos Todos Rubi\u00e3o\u201d que escrevi em 10 de setembro de 2007, publicada no livro \u201cVolteios \u2013 Cr\u00f4nicas, lembran\u00e7as e devaneios\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Como lhes explicar? <\/p>\n<p>Sei que Rubi\u00e3o, Sofia, Palha, Carlos Maria, Dona Fernanda, Maria Benedita, o major, Camacho e o c\u00e3o a quem o dono lhe deu o pr\u00f3prio nome antes de ir-se desta para melhor, Quincas Borba \u2013 pois todos eles est\u00e3o a instar-me uma melhor compreens\u00e3o de seus atos e do que o destino lhes reservou.<\/p>\n<p>Pergunto-me, com alguma apreens\u00e3o, se essas inquieta\u00e7\u00f5es s\u00e3o deles ou est\u00e3o em mim e urgem respostas? <\/p>\n<p>V\u00e1 saber&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>\u00c9 a terceira vez que repasso a obra (Quincas Borba). A primeira que a coloco num patamar de igualdade a Mem\u00f3rias P\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas \u2013 onde, ali\u00e1s, surge o andarilho Quincas Borba \u2013 e Dom Casmurro, um de meus romances preferidos.<\/p>\n<p>Aos 15\/16 anos, apanhei o livro, de capa dura e verde, na estante da Biblioteca Municipal do Ipiranga. Da narrativa, ficou-me, por motivos \u00f3bvios, o perigoso jogo de sedu\u00e7\u00e3o da bela Sofia a endoidecer os convivas das noites dan\u00e7antes, o desarvorado Rubi\u00e3o e a mim pr\u00f3prio que, como meus leitores bem sabem, tenho uma inequ\u00edvoca tend\u00eancia a ficar imaginando coisas. <\/p>\n<p>Naquela idade, ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Ombros nus, decotes ousados, \u201cera a mais esbelta das mulheres da Corte\u201d.<\/p>\n<p>Todas as mulheres tomaram formas e trejeitos de Sofia a esgrimir o sim e o n\u00e3o e a divertir-se diante de cora\u00e7\u00f5es dilacerados pela d\u00favida.<\/p>\n<p>Registro hist\u00f3rico: achei a personagem parecid\u00edssima com uma certa Ligia que n\u00e3o me sa\u00eda da cabe\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Mas, saltemos essa fase de amores primeiros.<\/p>\n<p>L\u00e1 pelos 30, quando descobri Fernando Sabino \u2013 outro autor decisivo na minha forma\u00e7\u00e3o \u2013, dei de tornar a ler Machado. Naquela ocasi\u00e3o, n\u00e3o me importou tanto a beleza de Sofia, nem os infort\u00fanios de Rubi\u00e3o. Mas, sim, o proceder velhaco e oportunista de Palha, o venturoso marido de Sofia. Ele negociava com os encantos da mulher. Fartava-se em exibi-la em p\u00fablico, permitia que aventureiros a cortejassem e, muitas vezes, chegassem a situa\u00e7\u00f5es limites. Tudo para abrir espa\u00e7os entre os nobres e os ricos. <\/p>\n<p>Usou do fasc\u00ednio que a mo\u00e7a inspirava em Rubi\u00e3o para tomar-lhe empr\u00e9stimos que, ao que consta no livro, nunca quitou, e outras benesses financeiras.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos no Brasil dos estertores da ditadura, a quest\u00e3o \u00e9tica era soberana. Creio que me deixei levar pelo tom \u00e9pico do momento.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>A leitura do fim de semana foi \u00f3tima. Sofia continua lind\u00edssima, uma princesa \u2013 e perigosa. Palha confirmou-se como um velhaco aproveitador e Rubi\u00e3o, um desafortunado. O livro prova isto por a + b. No entanto, nunca antes me veio a ideia de como os homens se parecem com Rubi\u00e3o \u2013 para tanto, basta apaixonarem-se. Se veem, ent\u00e3o, como ref\u00e9ns de um sonho por vezes t\u00e3o pr\u00f3ximo de se realizar. Uma realidade quase sempre inveross\u00edmil aos olhos da amada que, \u00e0 moda de Sofia, conduz com maestria o jogo dos amores e da vida. <\/p>\n<p>N\u00e3o sei quem ganha e quem perde, quem ri e quem chora. Na fic\u00e7\u00e3o e na vida real. N\u00e3o me apraz entrar em ju\u00edzos de valor. Tamb\u00e9m n\u00e3o vou al\u00e9m, pois temo lhes estragar o prazer dessa leitura, caso queiram retomar a not\u00e1vel obra de Machado de Assis. Em todo caso, encerro \u00e0 moda do fil\u00f3sofo que morre antes, mas perpassa por todo o livro a \u00fanica verdade inexor\u00e1vel.<br \/>\n\u201cAo vencedor, as batatas. \u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que, mesmo numa modorrenta segunda-feira, n\u00e3o \u00e9 demais ficar atento:<\/p>\n<p>\u201cFilosofia \u00e9 uma coisa. Morrer de verdade \u00e9 outra\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 21\/06\/1839 \u2013 Nasce Machado de Assis, o mais expressivo escritor da nossa Literatura brasileira. Jornalista, contista, cronista, romancista, teatr\u00f3logo e poeta. Aproveito a dica da p\u00e1gina inicial do Google (que lembrou  Machado) para registrar minha admira\u00e7\u00e3o e rever\u00eancia a este not\u00e1vel brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-13683","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13683"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14373,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13683\/revisions\/14373"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}