{"id":17550,"date":"2017-09-12T19:00:04","date_gmt":"2017-09-12T19:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=17550"},"modified":"2017-09-23T04:37:27","modified_gmt":"2017-09-23T04:37:27","slug":"refavela-40-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/refavela-40-anos-depois\/","title":{"rendered":"Refavela. 40 anos depois&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17551 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/refavela.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"104\" \/>\u00a0&#8220;Os filhos crescem. As sementes se tornam \u00e1rvores, das \u00e1rvores v\u00eam os frutos. Obrigado, meu filho.&#8221; Assim Gilberto Gil, 75, agradeceu aos frutos de uma noite de festa que celebrou a semente plantada h\u00e1 40 anos, quando ele lan\u00e7ou o disco &#8220;Refavela&#8221;.<\/p>\n<p>Seu filho Bem Gil, 32, reuniu amigos e parentes para homenagear o \u00e1lbum com um show que estreou nesta sexta (1\u00b0), no Circo Voador, no Rio, e que segue agora para S\u00e3o Paulo (7 a 10\/9), Salvador (23\/9), Belo Horizonte (29\/9) e Porto Alegre (10\/12). \u201d<\/p>\n<p>Ilustrada, 11\/09\/2017<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Olhem o que eu perdi!<\/p>\n<p>Fruto do feriad\u00e3o, da coisa maluca de ter de viajar e sair de Sampa e do meu total descr\u00e9dito sobre o que acontece hoje nos palcos e ribaltas que mere\u00e7a obrigatoriamente ser visto&#8230;<\/p>\n<p>Uma pena perder a chance de rever Gil interpretar, mesmo que s\u00f3 na fase final do espet\u00e1culo, algumas das lindas can\u00e7\u00f5es que compuseram o \u00e1lbum Refavela, lan\u00e7ado em 1977.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Participei de uma coletiva de imprensa \u00e0 \u00e9poca. Lembro Gil, de toquinha de renda branca na cabe\u00e7a, falar do impacto que havia sentido em recente viagem \u00e0 \u00c1frica (foi a primeira vez que esteve l\u00e1) e a emo\u00e7\u00e3o de se ver ali, a reviver la\u00e7os e costumes de seus antepassados, a vivenciar plenamente o que chamou de negritude.<\/p>\n<p>Sempre com voz pausada, como a de quem acabara de se achar consigo mesmo, Gilberto Gil disse que sentiu algo do g\u00eanero dois anos antes quando gravou o espetacular \u201cGil &amp; Jorge \u2013 Ogum, Xang\u00f4\u201d, em parceria com Ben Jor (ainda Jorge Bem). Mas, nada se comparou ao estrondo de estar naquele ch\u00e3o, \u201centre os seus verdadeiramente iguais\u201d. (Desconfio que foi essa a frase.)<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Refavela \u00e9 o segundo disco de Gil na cl\u00e1ssica trilogia que encantou os efervescentes anos 70. Antes, havia gravado Refazenda, onde mergulha em suas ra\u00edzes baianas, nas sensa\u00e7\u00f5es da inf\u00e2ncia, um momento de grande inspira\u00e7\u00e3o. Se bem me lembro, foi sua estreia na WEA, depois de ter consolidado toda sua carreira na poderosa Philips.<\/p>\n<p>\u00c9 um disco de remanso que se contrap\u00f4s \u00e0 dura realidade existencial que viv\u00edamos em pleno per\u00edodo ditatorial.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Depois veio o choque cultural do dito Refavela.<\/p>\n<p>Ao chegar ao Pa\u00eds, o cantor\/compositor viu pontos de identifica\u00e7\u00e3o entre \u00e0s cidades africanas que visitou e as favelas brasileiras. A mesma alegria, a mesma resist\u00eancia para enfrentar o caos que a vida lhes oferecia.<\/p>\n<p>O terceiro disco foi o explosivo Realce (\u2018quanto mais purpurina melhor\u2019) quando Gil, em agosto de 1979, p\u00f5e os dois p\u00e9s na word-music sem perder o ch\u00e3o de onde veio e por onde andou&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Todo m\u00fasico brasileiro sonha chegar a Holywood, brincou o cantor na coletiva \u00e0 Imprensa.<\/p>\n<p>(Tem a entrevista que fiz com ele, nessa data, no site. Procure no \u00edcone \u201cLeia esta can\u00e7\u00e3o\u201d. Chama-se \u2018A Cintil\u00e2ncia de Gil\u201d.)<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>A bem da verdade, houve um quarto disco. Refestan\u00e7a, em parceria com Rita Lee. Foi gravado ao vivo \u2013 anos 80, j\u00e1 \u2013 e um grande desbunde (a palavra estava em voga, ent\u00e3o) de dois extraordin\u00e1rios artistas. Que viviam momentos inspirad\u00edssimos de suas carreiras.<\/p>\n<p>Aos vinte e poucos anos, ligada\u00e7o na vida art\u00edstica e cultural da cidade, por for\u00e7a de of\u00edcio e paix\u00e3o, n\u00e3o perdi a um desses lindos shows.<\/p>\n<p>Olai\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>*Fique agora com a vers\u00e3o de Refavela, no DVD BandaDois, gravado em 2010<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hG-qJb1JbW4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17551 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/refavela.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"104\" \/>\u00a0&#8220;Os filhos crescem. As sementes se tornam \u00e1rvores, das \u00e1rvores v\u00eam os frutos. 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