{"id":17584,"date":"2017-08-26T19:29:18","date_gmt":"2017-08-26T19:29:18","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=17584"},"modified":"2017-09-18T19:31:02","modified_gmt":"2017-09-18T19:31:02","slug":"janelas-da-alma","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/janelas-da-alma\/","title":{"rendered":"Janelas da alma"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17585 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/janela.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"150\" \/>D\u00ea-me uma janela e lhe direi se o tipo \u00e9 ou n\u00e3o um cronista.<\/p>\n<p>Pode ser uma varanda ou mesmo um lugar qualquer de onde se possa vislumbrar, \u00e0 dist\u00e2ncia, algum ponto de remanso; a cidade, o campo, as montanhas, o mar&#8230;<\/p>\n<p>A obra de Rubem Braga, nosso cronista mais sens\u00edvel, que o diga!<\/p>\n<p>Era mestre na a\u00e7\u00e3o de olhar e ver.<\/p>\n<p>O grande Braga morou em uma cobertura no Leblon ( uma esp\u00e9cie de \u2018apart-fazenda\u2019 na \u00e1rea mais nobre do Rio, pois mandou prover o solo do andar superior de uma grossa camada de terra e ali plantou e viu crescer in\u00fameras \u00e1rvores e contemplou p\u00e1ssaros e aves os mais variados). Ali, recebia os amigos e se dizia um tanto menos saudoso da sua pequena e distante Cachoeiro de Itapemirim. Dali, deste privilegiado posto de observa\u00e7\u00e3o, escreveu alguns de seus memor\u00e1veis textos.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>\u201cHomem no Mar\u201d talvez seja o mais emblem\u00e1tico deles.<\/p>\n<p>\u201cDe minha varanda vejo, entre \u00e1rvores e telhados, o mar. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m na praia, que resplende ao sol. O vento \u00e9 nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das \u00e1guas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda \u00e9 verde.<\/p>\n<p>Mas percebo um movimento em um ponto do mar; \u00e9 um homem nadando. Ele nada a uma certa distancia da praia, em bra\u00e7adas pausadas e fortes; nada a favor das \u00e1guas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas s\u00e3o leves, n\u00e3o s\u00e3o feitas de nada, toda sua subst\u00e2ncia \u00e9 \u00e1gua e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu cora\u00e7\u00e3o, todo seu corpo a transportar na \u00e1gua.\u201d<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>E por a\u00ed segue o conto que \u00e9 lind\u00edssimo &#8211; e li\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, de fraternidade e amor \u00e0 Humanidade.<\/p>\n<p>Nas manh\u00e3s de s\u00e1bado [claro que sem um mil\u00e9simo do talento de Braga] sou instado a buscar esses devaneios, como inspira\u00e7\u00e3o para a cr\u00f4nica do dia. Inevit\u00e1vel nos dias em que vivemos chegar, ao fim de semana, massacrado pelas trag\u00e9dias do notici\u00e1rio da semana. Os homens custam a se entender e a se respeitarem como irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Deveria ser assim&#8230;<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>E cada vez mais, lamentavelmente, deixa de ser&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Mas, nem tudo est\u00e1 perdido, acreditem.<\/p>\n<p>Ainda existem os poetas, os amigos e os cantadores.<\/p>\n<p>Ousam sonhar por n\u00f3s \u2013 e n\u00e3o nos deixam ao relento, e s\u00f3s.<\/p>\n<p>Por um caso do acaso, tomei conhecimento ontem de dois pequenos textos de uma amiga que eu sequer sabia que tamb\u00e9m tem a paix\u00e3o pela escrita.<\/p>\n<p>Alguns, ela divulga na Grande Rede; outros, n\u00e3o. Guarda para si.<\/p>\n<p>Achei um desperd\u00edcio, pois me fizeram t\u00e3o bem &#8211; mas a entendo \u2013 \u00e9 t\u00edmida, reservada. E o seu meigo alinhavar de letrinhas \u00e9 como a janela que agora, nessa manh\u00e3, me revela a cidade, mesmo que a n\u00e9voa tente escond\u00ea-la.<\/p>\n<p>Seus textos s\u00e3o a janela de uma alma, serena e fraterna, que, desconfio, mais gente deveria conhecer.<\/p>\n<p>N\u00e3o me deu permiss\u00e3o para divulg\u00e1-los.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, por\u00e9m, encontro na TV o filho do compositor Renato Teixeira, Chico Teixeira, a cantar com o pai a tocante \u201cFique Com Deus no Peito\u201d. N\u00e3o tenho qualquer hesita\u00e7\u00e3o. Tenho ali, em um de seus versos, a mensagem para encerrar o post\/cr\u00f4nica de hoje:<\/p>\n<p>\u201cAh&#8230; Saudade, vou levar&#8230;<br \/>\nFique com Deus no peito<br \/>\nA f\u00e9 faz parte<br \/>\n\u00c9 da natureza de quem procura<br \/>\nTer a certeza que encontrar\u00e1&#8230;\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17585 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/janela.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"150\" \/>D\u00ea-me uma janela e lhe direi se o tipo \u00e9 ou n\u00e3o um cronista.<\/p>\n<p>Pode ser uma varanda ou mesmo um lugar qualquer de onde se possa vislumbrar,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-17584","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17584","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17584"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17584\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17586,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17584\/revisions\/17586"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17584"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17584"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17584"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}