{"id":17605,"date":"2017-08-17T19:43:28","date_gmt":"2017-08-17T19:43:28","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=17605"},"modified":"2017-09-18T19:43:53","modified_gmt":"2017-09-18T19:43:53","slug":"o-boateiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-boateiro\/","title":{"rendered":"O Boateiro"},"content":{"rendered":"<p>E tem aquela hist\u00f3ria que o Stanislaw Ponte Preta conta na cr\u00f4nica \u201cO Boateiro\u201d&#8230;<\/p>\n<p>(Lembro-me dela toda vez que vejo o nosso Presidente Tabajara, com peito de pomba e meneios, em seus discursos de convencimento de que efetivamente \u00e9 um ungido dos deuses para recolocar o Pa\u00eds no caminho do desenvolvimento e de um promissor futuro.)<\/p>\n<p>Mas, deixemos de delongas, e vamos \u00e0 trama de Stanislaw que data dos idos dos anos 60, quando a ditadura militar se imp\u00f4s na base da trucul\u00eancia.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 mais ou menos assim&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Havia um sujeito que gostava de espalhar mentiras e boatos por todo o Rio de Janeiro. N\u00e3o havia dia, hora que fosse, que o Boateiro n\u00e3o emplacava uma lorota das mais cabeludas.<\/p>\n<p>Os amigos bem o conheciam. Mesmo assim tinham l\u00e1 suas d\u00favidas se o que ele, em tese, inventava tinha l\u00e1 algum fundo de verdade.<\/p>\n<p>A fama do rapazote chegou ao conhecimento de um coronel de ent\u00e3o. C\u00f4nscio das obriga\u00e7\u00f5es e dos poderes que a nova situa\u00e7\u00e3o lhe impunha, o militar resolveu dar uma li\u00e7\u00e3o no falastr\u00e3o.<\/p>\n<p>Afinal, o lema de nossa bandeira, o tal \u201cOrdem e Progresso\u201d, precisaria ser respeitado plenamente.<\/p>\n<p>O bocudo solto na pra\u00e7a decididamente era um risco para a Ordem que tanto se prezava e um entrave ao Progresso pelo qual a Redentora se batia.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>&#8211; Vou lhe dar um susto, decidiu a autoridade.<\/p>\n<p>Mandou prender o Boateiro e, em seguida, deu a senten\u00e7a:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea ser\u00e1 fuzilado por falar demais, mentir demais&#8230;<\/p>\n<p>O homem ficou sem a\u00e7\u00e3o. Travou. Nisso, apareceram os soldados e o colocaram diante de um pared\u00e3o, vendaram seus olhos e formaram um pelot\u00e3o para a execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Ouviram-se os tiros.<\/p>\n<p>Mas, eram de festim.<\/p>\n<p>Nada aconteceu ao Boateiro que ainda assustado ouviu a voz do coronel a lhe perguntar:<\/p>\n<p>&#8211; Aprendeu a li\u00e7\u00e3o, fanfar\u00e3o? Agora, voc\u00ea pode ir. Mas, da pr\u00f3xima vez que eu souber que voc\u00ea inventou uma mentirinha que seja, as balas ser\u00e3o de verdade, ouviu?<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>O nosso anti-her\u00f3i ouviu e nada disse. Saiu rapidinho, ainda zonzo com tudo o que lhe acontecera. Entrou no primeiro bar que encontrou para tomar um copo d\u00b4\u2019\u00e1gua e se ajuizar de toda situa\u00e7\u00e3o que acabara de viver.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>N\u00e3o teve muito tempo, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Logo surgiram os amigos a lhe rodear, com mil e uma perguntas:<\/p>\n<p>&#8211; O que aconteceu, cara?<\/p>\n<p>E o Boateiro, na maior simplicidade, foi sincero com eles:<\/p>\n<p>&#8211; O que aconteceu exatamente, eu n\u00e3o sei. Mas, o que posso lhes dizer, com toda a certeza, \u00e9 que o Ex\u00e9rcito Nacional est\u00e1 sem muni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E tem aquela hist\u00f3ria que o Stanislaw Ponte Preta conta na cr\u00f4nica \u201cO Boateiro\u201d&#8230;<\/p>\n<p>(Lembro-me dela toda vez que vejo o nosso Presidente Tabajara, com peito de pomba e meneios,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-17605","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17605"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17606,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17605\/revisions\/17606"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}