{"id":17816,"date":"2017-09-29T15:06:28","date_gmt":"2017-09-29T15:06:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=17816"},"modified":"2017-09-30T02:58:06","modified_gmt":"2017-09-30T02:58:06","slug":"a-alucinacao-que-vestia-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-alucinacao-que-vestia-vermelho\/","title":{"rendered":"A alucina\u00e7\u00e3o vestia vermelho"},"content":{"rendered":"<p>Me diga: o que voc\u00ea faria se uma deusa morena, dessas que s\u00f3 se v\u00ea naquelas revistas que n\u00e3o existem mais, entrasse em seu humilde escrit\u00f3rio e lhe pedisse socorro?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-17820 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-300x200.jpg 300w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-483x322.jpg 483w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-360x240.jpg 360w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-263x175.jpg 263w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho.jpg 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Saltaria da cadeira, largaria a conversa do whats pela metade, abandonaria o que estivesse fazendo, fosse o que fosse, e de pronto atenderia o pedido da mo\u00e7a?<\/p>\n<p>Pois foi exatamente isto o que fez o pacato cidad\u00e3o Oleg\u00e1rio, um jovem senhor de fino trato e educa\u00e7\u00e3o. Naquela tarde, at\u00e9 que se defrontasse com aquela vis\u00e3o do para\u00edso, nada no mundo o fazia acreditar que este (o mundo) conspirasse a seu favor.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Oleg\u00e1rio mediu a mo\u00e7a, de cima abaixo, de baixo pra cima, afrouxou a gravata assim que constatou as sinuosidades daquele corpo que o vestido vermelho, mais do que justo,\u00a0 just\u00edssimo, acomodava e, ao mesmo tempo, exibia.<\/p>\n<p>\u201cOleg\u00e1rio&#8230; Oleg\u00e1rio&#8230; \u00c9 muita areia para o seu caminh\u00e3ozinho. Olha a encrenca! \u201d<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Advogado sem causa, detetive particular aposentado por falta de servi\u00e7o, entediado com tudo o que os jornais lhe informavam, ele preferiu n\u00e3o ouvir a voz da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8211; Dr. Oleg\u00e1rio, \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. Em que posso servi-la?<\/p>\n<p>A mo\u00e7a mantinha os bra\u00e7os cruzados na altura dos seios como se abra\u00e7asse a si mesma. Com o olhar de s\u00faplica, exp\u00f4s o problema que tanto a afligia e, muito provavelmente, poderia causar uma hecatombe se n\u00e3o fosse resolvido em segundos.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Qual o problema?<\/p>\n<p>O z\u00edper, na parte detr\u00e1s de vestido, abrira sem que ela percebesse, assim que desceu do Uber na portaria do pr\u00e9dio. Arranjou-se como p\u00f4de para evitar o esc\u00e2ndalo e chegou ao primeiro andar se esgueirando dos olhares curiosos. Entrou na primeira porta que encontrou aberta&#8230; Agora precisaria dar um jeito no bendito\/maldito sem que causasse um tumulto descabido nas redondezas.<\/p>\n<p>Justo naquela manh\u00e3 resolveu abolir o suti\u00e3 \u2013 \u201ce olha no que deu? \u201d<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Era s\u00f3 o que Oleg\u00e1rio fazia.<\/p>\n<p>Olhava, olhava e imaginava.<\/p>\n<p>&#8211; O senhor pode me ajudar?<\/p>\n<p>\u201cClaro\u201d, respondeu. Pronto para dar o bote.<\/p>\n<p>Tocaria aquela pele morena, que intu\u00eda macia e, por horas enquanto fingiria consertar o aben\u00e7oado z\u00edper.<\/p>\n<p>Quem sabe n\u00e3o seria o come\u00e7o de tudo? Quem sabe&#8230;<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>&#8211; Posso usar por um segundo a toalete. Sei como dar jeito nisso.<\/p>\n<p>Desenxabido que s\u00f3, Oleg\u00e1rio indicou a porta \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Viu a mo\u00e7a entrar \u2013 e se p\u00f4s a ruminar a cena que l\u00e1 dentro acontecia perto t\u00e3o longe do que, pensou, seria.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 o que lhe restou.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Minutos depois, a mo\u00e7a saiu mais exuberante do que nunca. Agradeceu a gentileza, acenou com os dedos um reles tchauzinho. E, assim como surgiu, desapareceu.<\/p>\n<p>(At\u00e9 hoje, Oleg\u00e1rio, usando suas t\u00e9cnicas de detetive particular, investiga o paradeiro da mo\u00e7a. N\u00e3o sabe se existiu mesmo ou se foi uma alucina\u00e7\u00e3o que vestia vermelho.)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>**Foto: J\u00f4 Rabelo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Me diga: o que voc\u00ea faria se uma deusa morena, dessas que s\u00f3 se v\u00ea naquelas revistas que n\u00e3o existem mais, entrasse em seu humilde escrit\u00f3rio e lhe pedisse socorro?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-17820 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-300x200.jpg 300w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-483x322.jpg 483w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-360x240.jpg 360w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho-263x175.jpg 263w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/vermelho.jpg 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Saltaria da cadeira,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-17816","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17816","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17816"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17816\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17823,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17816\/revisions\/17823"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}