{"id":17869,"date":"2017-10-18T17:29:53","date_gmt":"2017-10-18T17:29:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=17869"},"modified":"2017-10-20T11:01:21","modified_gmt":"2017-10-20T11:01:21","slug":"no-deserto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/no-deserto\/","title":{"rendered":"No deserto&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 que estava em Dubai seria inevit\u00e1vel fazer o tal passeio at\u00e9 o deserto.<\/p>\n<p>Passeio que inclu\u00eda, entre outras cositas, serpentear pelas dunas sacolejando dentro de uma possante Land Rover, contemplar o p\u00f4r do sol, visitar um acampamento onde haveria jantar com iguarias locais e espet\u00e1culo de dan\u00e7a. Al\u00e9m do que, o \u2018pacote\u2019 tamb\u00e9m oferecia, entre outras atra\u00e7\u00f5es, uma voltinha pelos arredores do acampamento em cima de um rebolativo&#8230; camelo.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Sejamos sinceros: nem eu (nessa fase da minha vida), nem o camelo (fosse quem fosse o tal) mereciam viver a in\u00e9dita experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Ele, porque nada de mal fizera para sucumbir embaixo dos meus redondos 100 quilos.<\/p>\n<p>Eu, porque n\u00e3o gostaria de lembrar minha localiza\u00e7\u00e3o \u00e0 Senhora Dor nas Costas que se manifesta, de tempos em tempos, especialmente quando me meto a fazer o que n\u00e3o devo.<\/p>\n<p>J\u00e1 viram os riscos de se montar um camelo?<\/p>\n<p>Procurem no<a href=\"http:\/\/youtu.be\/VVKu5PWm62g\"><strong> You Tube&#8230;<\/strong><\/a><\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Nessa toada, e com alguma cisma, encarei o p\u00e9riplo aos confins do deserto numa ensolarada tarde \u00e0 beira dos 40 graus.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos do hotel l\u00e1 pelas quatro da tarde.<\/p>\n<p>Depois de rodar por quarenta minutos em uma moderna e bem pavimentada rodovia, o \u2018piloto\u2019 da Land Rover embicou o ve\u00edculo para fora da estrada. Deu uma parada \u2013 e nos avisou de algo que meus rudimentares conhecimentos do idioma ingl\u00eas n\u00e3o me deixaram entender.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>S\u00f3 fui compreender o que ele tentou nos dizer quando come\u00e7ou o sobe-e-desce, o vira-e-volta, o salta-e-breca do carro (com a gente dentro) sobre o enfileirar de dunas que se sucediam em um horizonte sem fim.<\/p>\n<p>Tal e qual o mais simpl\u00f3rio dos bugueiros de Natal, o gentil motorista tentou nos alertar, com a singela quest\u00e3o existencial:<\/p>\n<p>&#8211; Com emo\u00e7\u00e3o ou sem emo\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Como nada dissemos, o mo\u00e7o entendeu que era para enfiar o p\u00e9 na jaca. Quer dizer, no acelerador. E tome se agarrar no \u2018santo ant\u00f4nio\u2019, providencialmente colocado ao alcance dos passageiros, para se manter minimamente equilibrado e a dignidade dentro do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Dei gra\u00e7as a Al\u00e1 quando avistei o tal acampamento e a Land Rover se p\u00f4s a deslizar serenamente, em linha reta, na dire\u00e7\u00e3o do dito-cujo.<\/p>\n<p>Estava enjoado que s\u00f3 \u2013 e, ao descer do carro, senti que o deserto e seus personagens rodopiavam lentamente ao meu redor. Imaginei que fosse a forma de me saudarem com boas vindas.<\/p>\n<p>O camelo, inclusive.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Demorei alguns minutos para me recompor e vivenciar uma das mais belas e m\u00e1gicas experi\u00eancias da minha vida.<\/p>\n<p>Foi bem divertido.<\/p>\n<p>Uma sensa\u00e7\u00e3o inebriante assim como a de quem v\u00ea o mar pela primeira vez.<\/p>\n<p>A imensid\u00e3o de cores no entardecer \u2013 e seus mist\u00e9rios.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Quanto ao camelo, l\u00e1 pelas tantas ousamos nos defrontar.<\/p>\n<p>Olhamos firmemente um para o outro.<\/p>\n<p>Havia um tom de desafio que, por fim, se transformou em uma m\u00fatua indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Segue sua vida que eu sigo a minha&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Foto: arquivo pessoal<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 que estava em Dubai seria inevit\u00e1vel fazer o tal passeio at\u00e9 o deserto.<\/p>\n<p>Passeio que inclu\u00eda, entre outras cositas, serpentear pelas dunas sacolejando dentro de uma possante Land Rover,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17891,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-17869","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17869","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17869"}],"version-history":[{"count":10,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17869\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17892,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17869\/revisions\/17892"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17891"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}