{"id":17925,"date":"2017-10-25T14:00:31","date_gmt":"2017-10-25T14:00:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=17925"},"modified":"2017-10-25T14:00:31","modified_gmt":"2017-10-25T14:00:31","slug":"drama-a-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/drama-a-brasileira\/","title":{"rendered":"Drama \u00e0 brasileira"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 dia de escrever sobre outro drama \u00e0 brasileira.<\/p>\n<p>Juro que n\u00e3o gostaria de enveredar por esse tema. Menos ainda de forma realista e tenebrosa (como veremos mais adiante).<\/p>\n<p>Por\u00e9m \u2013 e, como diria o saudoso Pl\u00ednio Marcos, \u2018sempre existe um por\u00e9m\u2019 -, n\u00e3o cabe ao humilde escrevinhador escolher o tema di\u00e1rio do seu of\u00edcio. At\u00e9 porque a cepa de jornalista que lhe embasa alma e cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite que se ausente da rinha em hora t\u00e3o infausta.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, meus caros (se \u00e9 que ainda est\u00e3o por a\u00ed?) &#8230;<\/p>\n<p>Chega ao Congresso a segunda den\u00fancia que acusa as bandalheiras perpetradas pelo presidente Ileg\u00edtimo e, salve uma extraordin\u00e1ria e bem-vinda surpresa, essas acusa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o devidamente defenestradas pelos senhores parlamentares que \u2013 \u00e9 sempre bom lembrar \u2013 elegemos e deveriam nos representar.<\/p>\n<p>N\u00e3o representam.<\/p>\n<p>E assim aprovam reformas trabalhistas, prop\u00f5e o retrocesso da escravid\u00e3o, apoiam a censura, confabulam e trapaceiam a apostar no retrocesso e num povo sem voz e vez que, mesmo assim, segue em frene, salteado em seus direitos mais elementares e \u00e0 merc\u00ea de um futuro que se apresenta cada vez mais obscuro e tenebroso.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Me perdoem se eu estou discursivo e triste.<\/p>\n<p>Mas, ao ler as not\u00edcias de hoje, lembrei-me de uma conversa recente com amigos queridos, professores de diversas \u00e1reas, numa dessas pra\u00e7as de alimenta\u00e7\u00e3o da vida. Almo\u00e7\u00e1vamos \u2013 e logo voltar\u00edamos para a sala de aula e outros deveres da lida.<\/p>\n<p>Um dos presentes, reconhecido professor de Hist\u00f3ria, resenhou a aula que daria naquela tarde.<\/p>\n<p>Em voz alta para ouvirmos, listou alguns itens da pauta:<\/p>\n<p>&#8211; Como\u00e7\u00e3o social<\/p>\n<p>&#8211; Economia em pandareco<\/p>\n<p>&#8211; Desemprego<\/p>\n<p>&#8211; Partidos pol\u00edticos sem legitimidade<\/p>\n<p>&#8211; \u00d3dio exacerbado entre grupos sociais<\/p>\n<p>&#8211; Den\u00fancias e mais den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; Imoralidades mil<\/p>\n<p>&#8211; Descr\u00e9dito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>&#8211; A desfa\u00e7atez de governantes e homens p\u00fablicos<\/p>\n<p>&#8211; Sensa\u00e7\u00e3o de impunidade para os poderosos<\/p>\n<p>&#8211; Meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o confi\u00e1veis<\/p>\n<p>&#8211; Um povo desalentado, e sem qualquer perspectiva de vida melhor.<\/p>\n<p>\u201cEi, cara, vai falar do Brasil de hoje? \u201d \u2013 perguntei.<\/p>\n<p>E o professor, com um sorriso triste, respondeu:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o. Falarei sobre os anos 30, na Alemanha, quando se deu a ascens\u00e3o do nazismo. \u201d<\/p>\n<p>(N\u00e3o vou dizer que perdemos o apetite porque j\u00e1 est\u00e1vamos na hora do cafezinho. Mas, o papo acabou ali.)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>*Foto: J\u00f4 Rabelo<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dia de escrever sobre outro drama \u00e0 brasileira.<\/p>\n<p>Juro que n\u00e3o gostaria de enveredar por esse tema. 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