{"id":17940,"date":"2017-10-29T03:31:07","date_gmt":"2017-10-29T03:31:07","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=17940"},"modified":"2017-10-29T03:32:30","modified_gmt":"2017-10-29T03:32:30","slug":"turminha-encantadora","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/turminha-encantadora\/","title":{"rendered":"Turminha encantadora"},"content":{"rendered":"<p>Desconfio&#8230;\u00a0 S\u00f3 desconfio que, instada pela cr\u00f4nica de ontem, a mo\u00e7a me diz orgulhosa sobre as filhas ainda pequenas. Tr\u00eas e cinco anos, mas fazem cada pergunta? De tirar o f\u00f4lego.<\/p>\n<p>&#8211; Me deixam sem respostas, sabia?<\/p>\n<p>Uma quer saber onde vivem as pessoas que morrem.<\/p>\n<p>Outra pergunta se \u00e9 verdade que, mesmo quando desaparecem, as estrelas continuam brilhando.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Percebo que est\u00e1 feliz com a curiosidade das filhas. Por isso, me\u00e7o as palavras ao lhe responder.<\/p>\n<p>Digo-lhe que \u00e9 natural da crian\u00e7a o intuitivo desejo de saber mais e mais. N\u00e3o \u00e9\u00a0 privil\u00e9gio da turminha encantadora que anda hoje por a\u00ed e que nos enche de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Sempre foi assim, refor\u00e7o.<\/p>\n<p>Tomo como exemplo aquela can\u00e7\u00e3o da Paula Toller que a Adriana Calcanhoto gravou, travestida da l\u00edrica personagem Partimpim.<\/p>\n<p>Lembram o refr\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8220;Uel, uel, uel&#8230; Gabriel&#8221;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>A jovem mam\u00e3e ajeita os \u00f3culos grandes e modernos e, percebo, n\u00e3o se d\u00e1 por satisfeita.<\/p>\n<p>&#8211; Imagine que as meninas querem elas mesmas fazer as escolhas da fantasia que v\u00e3o vestir no Halloween.<\/p>\n<p>V\u00e1 se acostumando, mo\u00e7a. \u00a0Que \u00e9 assim mesmo&#8230; Esses bichinhos crescem e, naco a naco, v\u00e3o abocanhando o mundo.<\/p>\n<p>Estou certo que far\u00e3o melhor que n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 a esperan\u00e7a que tenho.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Conversa vai, conversa vem, conto a hist\u00f3ria do meu filho quando ainda crian\u00e7a. Tinha seis anos quando, em 1986, surgiu a not\u00edcia de que o cometa Halley reapareceria aos olhos da Humanidade.<\/p>\n<p>Uma amiga, a jornalista Leila Kyiomura, trabalhava no Jornal da Tarde e foi pautada para fazer uma reportagem sobre a impress\u00e3o de garotos e garotas sobre a passagem do cometa ao redor da Terra.<\/p>\n<p>Quis conversar com o menino. Que lhe deu a resposta que a todos surpreendeu<\/p>\n<p>O Halley era uma bola brilhante, parecida com essas bolas de futebol coloridas.\u00a0 Deus deu um chute t\u00e3o forte pro alto que ela fica girando, girando pelo espa\u00e7o sem fim. \u00a0Por onde passa deixa um rastro de fogo&#8230;<\/p>\n<p>E completou:<\/p>\n<p>&#8211; Deus bate tiro de meta bem mais forte que o Le\u00e3o (ent\u00e3o, goleiro do Palmeiras).<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o lembro de ser assim, me diz a mam\u00e3e ainda ressabiada.<\/p>\n<p>Mas, era posso afirmar, mesmo sem conhec\u00ea-la naqueles idos n\u00e3o t\u00e3o idos assim.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o lembro, insiste.<\/p>\n<p>&#8211; Quando cresce, a gente esquece&#8230;<\/p>\n<p>\u00c0 medida em que vivemos entre os homens, temos a compreens\u00e3o do tempo e vamos perdendo a sintonia com o divino.<\/p>\n<p>Como diz a professora aqui de casa:<\/p>\n<p>\u201c Elas est\u00e3o mais perto de Deus.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lw-1-oWhfT0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong><em>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desconfio&#8230;\u00a0 S\u00f3 desconfio que, instada pela cr\u00f4nica de ontem, a mo\u00e7a me diz orgulhosa sobre as filhas ainda pequenas. 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