{"id":17958,"date":"2017-11-01T17:45:52","date_gmt":"2017-11-01T17:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=17958"},"modified":"2017-11-01T17:45:52","modified_gmt":"2017-11-01T17:45:52","slug":"ver-o-por-do-sol","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ver-o-por-do-sol\/","title":{"rendered":"Ver o p\u00f4r do sol&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de visitar igrejas, tem um lugar comum que, em viagens, posso dizer: \u00e9 um dos meus passeios favoritos.<\/p>\n<p>Adoro ver o p\u00f4r do sol.<\/p>\n<p>Reparem que escrevi acima: trata-se de um lugar comum, algo assim bobinho, mas que me atrai e me regozija.<\/p>\n<p>Tenho at\u00e9 um ranking de belos lugares que se fizera inesquec\u00edveis em tais momentos:<\/p>\n<p>&#8211; a ilha grega de Santorini (foto\/arquivo pessoal);<\/p>\n<p>&#8211; a Costa Malfitana, na It\u00e1lia, diante do mar Tirreno;<\/p>\n<p>&#8211; em Capri, tamb\u00e9m na Velha Bota;<\/p>\n<p>&#8211; a Pedra Furada, em Jericoacoara, Cear\u00e1;<\/p>\n<p>&#8211; a minha querida Serra da Bocaina, entre montanhas e rios, aqui mesmo no Vale do Para\u00edba, na divisa do Rio com S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O poente no deserto, arredores de Dubai, onde estive recentemente, tamb\u00e9m se fez impressionante. No entanto, o que mais me cativou ali n\u00e3o foi o solz\u00e3o se pondo entre dunas e turistas embasbacados e, sim, a po\u00e9tica chegada da noite de lampejos esverdeados no amplo c\u00e9u azul-marinho.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Ontem o amigo Poeta, que projeta viajar para o Nordeste nas pr\u00f3ximas f\u00e9rias, me perguntou sobre Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p>Bati o ponto por l\u00e1 nas minhas horinhas distra\u00eddas de julho &#8211; e acho que andei proseando demais sobre os pouco divulgados encantos do lugar.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pedida, disse. Que n\u00e3o sou de quebrar o barato de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8211; Se voc\u00ea n\u00e3o for do agito e das badala\u00e7\u00f5es, \u00e9 o lugar ideal.<\/p>\n<p>&#8211; Dizem que tem um p\u00f4r do sol lindo, \u00e9 verdade ?<\/p>\n<p>&#8211; Sim.<\/p>\n<p>&#8211; Tem um rapaz que corta o rio em um barco enquanto o sol se p\u00f5e. \u00c9 verdade que ele toca lindamente o \u201cBolero\u201d, de Ravel?<\/p>\n<p>&#8211; Sim.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea gostou?<\/p>\n<p>(&#8230;)<br \/>\nAntes de responder ao amigo, preciso ser sincero com meus amados cinco ou seis leitores. Com ele pr\u00f3prio, e principalmente comigo.<\/p>\n<p>Eis a verdade.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Fui ver o p\u00f4r do sol na Praia do Jacar\u00e9 (que na verdade \u00e9 a margem do rio Para\u00edba), como todos me recomendaram assim que cheguei a Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p>De tanto que falaram, deixei para ver o espet\u00e1culo para a \u00faltima tarde de minha estadia por l\u00e1.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 a cereja do bolo, me disseram. O ponto alto de uma visita que se preze \u00e0 capital daquele estado.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 mesmo cativante.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou com uma senhora rica\u00e7a de origem europeia (esqueci o pa\u00eds da distinta) que se estabeleceu em suntuosa mans\u00e3o \u00e0s margens do tal rio.<\/p>\n<p>Viveu l\u00e1 por anos e anos.<\/p>\n<p>Todo o fim de tarde, ela apreciava a despedida dos raios solares da privilegiada varanda que a casa ostentava e, para dar trilha sonora ao fen\u00f4meno, tocava em alto e bom som sua m\u00fasica preferida: \u201cBolero\u201d, de Ravel.<\/p>\n<p>Os moradores do lugar habituaram-se a compartilhar esses lindos momentos com a fidalga e se aglomeravam ao longo do leito do rio para se despedir do sol de todo o dia.<\/p>\n<p>Aos poucos, o espet\u00e1culo virou tradi\u00e7\u00e3o do lugar.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>N\u00e3o sei bem como se deu o entreato da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Isso eu n\u00e3o descobri por l\u00e1.<\/p>\n<p>Sei que h\u00e1 coisa de 10, 12 anos, um rapaz de nome Jurandy do Sax, bom tocador do dito-cujo, come\u00e7ou a entoar a m\u00fasica dia sim e outro tamb\u00e9m em todo o fim de tarde.<\/p>\n<p>O que era feito no improviso come\u00e7ou a ganhar estrutura e renome para al\u00e9m das fronteiras do Nordeste.<\/p>\n<p>Virou atra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Hoje, levas e levas de turistas d\u00e3o as caras por ali para ver o p\u00f4r do sol e ouvir e ver o m\u00fasico, j\u00e1 um senhorzinho, que consta no Livro dos Recordes como o cidad\u00e3o que mais vezes interpretou Ravel ao longo da vida.<\/p>\n<p>Mais de 3 mil apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Narrei esses fatos ao Poeta na v\u00e3 tentativa de evitar a pergunta que se fez inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8211; T\u00e1 legal. Gostei da prosa. Mas, e a\u00ed, o p\u00f4r do sol? \u00c9 lindo mesmo, de arrepiar, de n\u00e3o esquecer?<\/p>\n<p>Balancei a cabe\u00e7a afirmativamente. Pois n\u00e3o tive coragem de frustrar o amigo Poeta com a realidade dos fatos \u2013 e aqui lhe pe\u00e7o desculpas.<\/p>\n<p>Perdi a viagem.<\/p>\n<p>Choveu pra caramba naquele fat\u00eddico fim de tarde&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 426px;\" class=\"wp-video\"><video class=\"wp-video-shortcode\" id=\"video-17958-1\" width=\"426\" height=\"240\" preload=\"metadata\" controls=\"controls\"><source type=\"video\/mp4\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Meu-Filme.mp4?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Meu-Filme.mp4\">http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Meu-Filme.mp4<\/a><\/video><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de visitar igrejas, tem um lugar comum que, em viagens, posso dizer: \u00e9 um dos meus passeios favoritos.<\/p>\n<p>Adoro ver o p\u00f4r do sol.<\/p>\n<p>Reparem que escrevi acima: trata-se de um lugar comum,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17956,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-17958","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17958","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17958"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17958\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17961,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17958\/revisions\/17961"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17956"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17958"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17958"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17958"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}