{"id":18138,"date":"2017-12-19T17:19:48","date_gmt":"2017-12-19T17:19:48","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=18138"},"modified":"2017-12-24T20:49:54","modified_gmt":"2017-12-24T20:49:54","slug":"a-terceira-margem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-terceira-margem\/","title":{"rendered":"A Terceira Margem"},"content":{"rendered":"<p>Eu lhe dizia de minha indigna\u00e7\u00e3o diante de fatos que nos atropelam neste final de ano.<\/p>\n<p>Por vezes, penso mesmo que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda.<\/p>\n<p>D\u00e1 vontade de fazer como o personagem do conto \u201cA Terceira Margem\u201d, de Guimar\u00e3es Rosa. Sem motivo aparente, o caboclo abandona a fam\u00edlia, os amigos, a sociedade e se embrenha rio adentro, sozinho, em uma canoa e l\u00e1 fica o resto dos seus dias&#8230;<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>&#8211; Guimar\u00e3es \u00e9 fod\u00e1stico!<\/p>\n<p>Ela me diz \u2013 e sorri.<\/p>\n<p>Diante do neologismo da mo\u00e7a, me ponho a pensar que s\u00f3 mesmo a capacidade criativa e transgressora e a vitalidade dos jovens \u2013 como ela \u2013 s\u00e3o capazes de transformar o mundo que vivemos. Sanar as injusti\u00e7as e construir um Pa\u00eds socialmente mais justo e contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>&#8211; O que \u00e9 a terceira margem para voc\u00ea?<\/p>\n<p>A pergunta quebra o nosso sil\u00eancio c\u00famplice.<\/p>\n<p>Respondo sem muito pensar:<\/p>\n<p>\u201cEntre o real e o imagin\u00e1rio. Um lugar onde somos o que somos. Do tamanho que temos, sem floreios e falsos valores. Ali\u00e1s&#8230;\u201d<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Ela interrompe o que iria dizer, com outra d\u00favida:<\/p>\n<p>&#8211; Parece que tem algo relacionado \u00e0 espiritualidade. A canoa n\u00e3o representa a cruz em que Cristo foi crucificado?<\/p>\n<p>\u201cAli\u00e1s&#8230;\u201d \u2013 fa\u00e7o quest\u00e3o de retomar a frase.<\/p>\n<p>\u201cPoucos ousam habitar essa tal de terceira margem. Ou estamos de um lado ou estamos de hoje. Da\u00ed a intoler\u00e2ncia e a falta de di\u00e1logo que nos castigam. Damos mais valor \u00e0 apar\u00eancia do que \u00e0 ess\u00eancia das coisas, das pessoas. Particularmente, nunca dei esse vi\u00e9s religioso ao conto. Mas&#8230;\u201d<\/p>\n<p>&#8211; Xi, lembro mais n\u00e3o&#8230; O homem volta depois de muitos anos, n\u00e9?<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>N\u00e3o. Nunca mais o turr\u00e3o p\u00f5e os p\u00e9s em terra firme.<\/p>\n<p>Um dos filhos, que ao longo dos anos acompanha a sina do pai, percebe que o homem est\u00e1 velhinho, doente, fraco. Vai at\u00e9 a margem do rio e grita desesperado. Pede para que volte que ele \u2013 o filho \u2013 ir\u00e1 substitu\u00ed-lo na canoa e na ingl\u00f3ria jornada.<\/p>\n<p>Pela primeira vez em tantos e tantos anos, o caboclo acena em resposta e toca a embarca\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o da margem.<\/p>\n<p>O filho assustado foge.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>No dia seguinte e em todos os outros, n\u00e3o se v\u00ea mais o homem e sua canoa na linha do horizonte em meio as \u00e1guas do rio.<\/p>\n<p>Desapareceu.<\/p>\n<p>&#8211; Triste, n\u00e9?<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Cheio de remorso \u00e9 o filho j\u00e1 varados em anos quem nos narra da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>No final, faz um apelo ao povo da aldeia e ao leitor. Quando morrer, n\u00e3o quer ser enterrado. Pede para largarem o seu corpo em uma canoa, igual a do pai, e deixar que o rio leve&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><em>(*Ilustra\u00e7\u00e3o: Portal Vermelho)<\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu lhe dizia de minha indigna\u00e7\u00e3o diante de fatos que nos atropelam neste final de ano.<\/p>\n<p>Por vezes, penso mesmo que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda.<\/p>\n<p>D\u00e1 vontade de fazer como o personagem do conto \u201cA Terceira Margem\u201d,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18139,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-18138","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18138"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18138\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18190,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18138\/revisions\/18190"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18139"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}