{"id":18394,"date":"2018-02-27T16:33:34","date_gmt":"2018-02-27T16:33:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=18394"},"modified":"2018-02-27T22:04:19","modified_gmt":"2018-02-27T22:04:19","slug":"ela-o-mar-e-a-brisa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ela-o-mar-e-a-brisa\/","title":{"rendered":"Ela, o mar e a brisa"},"content":{"rendered":"<p>Sentou-se na areia da praia.<\/p>\n<p>Ali, era o seu lugar.<\/p>\n<p>Estava t\u00e3o leve de esp\u00edrito que sequer percebeu o gesto natural que fez. Juntou os joelhos, as coxas nuas grudaram levemente ao pr\u00f3prio peito e os bra\u00e7os completaram o ritual com doce e envolvente abra\u00e7o.<\/p>\n<p>Assim ficou, quase zen, quase sem nada pensar. A brisa a lhe ro\u00e7ar os cabelos e faz\u00ea-los dan\u00e7ar e os olhos firmes, distantes, no al\u00e9m do azul-esverdeado do mar.<\/p>\n<p>Quando imaginou estar ali?<\/p>\n<p>Sempre e nunca.<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>A costa brasileira \u00e9 recortada por praias paradis\u00edacas. Outras, nem tanto. Umas lotadas de gente. Outras escondidas por trilhas e morros onde raramente o homem d\u00e1 as caras por ali.<\/p>\n<p>Estava em uma dessas. No sul da Bahia, entre Trancoso e Cabr\u00e1lia, sequer guardou o nome.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa.<\/p>\n<p><strong>III.<\/strong><\/p>\n<p>Para ser bem sincera consigo mesmo, quinze dias atr\u00e1s, quando a vida corria dentro do que se convencionou chamar normalidade, nada lhe faria supor que enfim o almejado sonho \u2013 morar num lugar distante, livre das atribula\u00e7\u00f5es, dos compromissos que lhe tiravam o sono e a confian\u00e7a \u2013 se tornaria realidade. Num prazo t\u00e3o curto de tempo.<\/p>\n<p>Apertou os bra\u00e7os, como a confirmar que \u2018aquela loucura\u2019 de por os p\u00e9s na estrada fazia todo o sentido.<\/p>\n<p><strong>IV.<\/strong><\/p>\n<p>Por um instante, pensou no que deixou pra tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Emprego seguro (seguro?), a fam\u00edlia (\u201cmas o que voc\u00ea vai fazer l\u00e1?\u201d), os amigos ( \u201cgente, que louquinha, voc\u00ea!\u201d) e algu\u00e9m que era mais do que amigo (\u201ctem certeza que \u00e9 o que voc\u00ea quer?\u201d). Nada, nada de ruim lhe fizeram. A decis\u00e3o era coisa dela, pessoal e intransfer\u00edvel.<\/p>\n<p>Alguns se sentiram culpados. Outros empurraram a culpa totalmente para ela:<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 fugindo do qu\u00ea?&#8221;<\/p>\n<p><strong>V.<\/strong><\/p>\n<p>Sorriu, real\u00e7ando a beleza natural. Do lugar e dela mesma.<\/p>\n<p>Sentia-se de bem com a vida. Por conta e risco da pr\u00f3pria vontade. Livre.<\/p>\n<p>O sol na pele. A brisa. Imaginou a sensa\u00e7\u00e3o de entrar no mar. Desenla\u00e7ou-se de si pr\u00f3pria e, com uma leve e graciosa corrida, jogou-se na primeira onda que lhe apareceu.<\/p>\n<p>Era feliz. Plenamente feliz naquele momento.<\/p>\n<p>Bicho d\u2019\u00e1gua. Sereia sem canto, sem calda.<\/p>\n<p>&#8211; Sempre foi uma hiponga enrustida \u2013 lembrou o pai e a fala carinhosa e inconformada.<\/p>\n<p>Ali mesmo decidiu: o futuro ficaria logo, ali, no futuro, como bem lhe cabe.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ch-iagmszT8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><strong><em>*(foto:l.cunha)<\/em><\/strong><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sentou-se na areia da praia.<\/p>\n<p>Ali, era o seu lugar.<\/p>\n<p>Estava t\u00e3o leve de esp\u00edrito que sequer percebeu o gesto natural que fez. 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