{"id":18690,"date":"2018-04-21T14:28:24","date_gmt":"2018-04-21T14:28:24","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=18690"},"modified":"2018-04-21T17:27:33","modified_gmt":"2018-04-21T17:27:33","slug":"o-nome-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-nome-do-rio\/","title":{"rendered":"O nome do rio"},"content":{"rendered":"<p>Quem tem amigo tem tudo.<\/p>\n<p>\u00c9 ou n\u00e3o \u00e9, rapaziada?<\/p>\n<p>V\u00f4 Carlito, que Deus o tenha, sa\u00eda com o tal dito popular toda a vez que a corda apertava pro seu lado e a v\u00f3 Ign\u00eas fazia cara feia porque o astuto queria dar uma escapada por a\u00ed a \u201cbater pernas com os amigos\u201d.<\/p>\n<p>A lorota (ou n\u00e3o) era que iam tomar uns gor\u00f3s nas vin\u00edcolas de Jundia\u00ed e, na volta, jogariam tranca, at\u00e9 clarear o dia, no armaz\u00e9m do Seo Giuseppe.<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>Ali\u00e1s, foi este senhor, o Giuseppe, amigo italiano do v\u00f4, que me deu as primeiras bolinhas de gude que tive na vida.<\/p>\n<p>Ele e todos me chamavam de Tchinim.<\/p>\n<p>Naquela tarde que se perdeu no tempo, quando visitei a vendinha ao lado do meu av\u00f4, o cinquent\u00e3o de olhar invariavelmente triste (saudade da Velha Bota, talvez?) abriu uma das gavetas do gigantesco arm\u00e1rio localizado em um dos cantos da loja \u2013 e de l\u00e1 luziram, faiscantes e belos, dezenas, centenas de pontos de luz. Pegou duas dessas preciosidades, uma mais para o azul e a outra acinzentada, e disse:<\/p>\n<p>&#8211; S\u00e3o suas, Tchinim.<\/p>\n<p>De quebra ainda me ofereceu um refresco de groselha com \u00e1gua mineral gaseificada.<\/p>\n<p>Eu adorava.<\/p>\n<p>Eita, lembran\u00e7a boa!<\/p>\n<p><strong>III.<\/strong><\/p>\n<p>Perdoem meus devaneios, amigos. Mas, o papo de hoje n\u00e3o \u00e9 pra ficar\u00a0 nas reminisc\u00eancias da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9, sim, para agradecer ao amigo Poeta pela colabora\u00e7\u00e3o ao tema da cr\u00f4nica do dia.<\/p>\n<p>Logo saber\u00e3o qual. Acalmem-se.<\/p>\n<p>Poeta\u00e7o \u00e9 um entendido em coisas do Nordeste. Morou tr\u00eas anos e tanto em Arraial da Ajuda em uma casa\/nuvem misteriosa na rua ao lado da igrejinha hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que, como voc\u00eas bem sabem, ele faz parte da honrosa lista de meus cinco ou seis leitores di\u00e1rios e fi\u00e9is.<\/p>\n<p><strong>IV.<\/strong><\/p>\n<p>Postas essas credenciais, quero dizer que o amigo leu o que escrevi na quinta-feira sobre a ponte Jornalista Joel Silveira e, lavado e enxaguado na cultura nordestina, fez quest\u00e3o de me contar (e eu repasso a hist\u00f3ria ao distinto p\u00fablico) o porqu\u00ea do nome deste portentoso rio, o Vaza-Barris, que banha os estados de Sergipe e Bahia, com 450 quil\u00f4metros de extens\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 a seguinte&#8230;<\/p>\n<p><strong>V.<\/strong><\/p>\n<p>Durante anos e anos, desde idos tempos, o rio foi conhecido pelo nome que os \u00edndios lhe deram, Irapiranga. Que, segundo o meu amigo, significa \u201crio de \u00e1guas vermelhas ou barrentas\u201d.<\/p>\n<p>Simples assim e assim foi at\u00e9 meados do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da Segunda Guerra Mundial, um suposto submarino alem\u00e3o torpedeou dois cargueiros brasileiros que deveriam levar mantimentos aos nossos pracinhas na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Quanta crueldade!<\/p>\n<p>As embarca\u00e7\u00f5es naufragaram nas imedia\u00e7\u00f5es da foz do Irapiranga, arredores do vilarejo de Mosqueiro, em Sergipe.<\/p>\n<p>Depois deste \u201ccovarde ataque\u201d (aspas para o Poeta), por muitos e muitos dias, toda vez que a mar\u00e9 subia e as \u00e1guas do mar invadiam o leito do rio, era poss\u00edvel ver dezenas de barris de provimentos boiando rio adentro.<\/p>\n<p><strong>VI.<\/strong><\/p>\n<p>Era comum, os barris, empurrados pela for\u00e7a das \u00e1guas, acabarem por se chocar com os rochedos que margeiam o Irapiranga e romperem-se, deixando vazar \u201co que seria o alimento de nossos bravos soldados\u201d.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, os nativos come\u00e7aram a identific\u00e1-lo n\u00e3o mais como Irapiranga e, sim, como o rio onde vazam os barris.<\/p>\n<p>&#8211; Da\u00ed, nasceu a corruptela do nome Vaza-Barris, com h\u00edfen, por favor, que voc\u00ea n\u00e3o usou no texto de ontem.<\/p>\n<p><strong>VII.<\/strong><\/p>\n<p>O Poeta \u00e9 um tanto formal, gosta de frases de efeito, preza o rigor do idioma. Mas, \u00e9 meu par\u00e7a, amigo, irm\u00e3o, camarada. Por isso, o agradecimento.<\/p>\n<p>Inestim\u00e1vel sua colabora\u00e7\u00e3o de hoje, acrescento.<\/p>\n<p>J\u00e1 imaginaram eu ter que, aqui, comentar o p\u00e2ndego pronunciamento do Ileg\u00edtimo presidente que ontem, a prop\u00f3sito do feriado de 21 de abril, se comparou a Tiradentes?<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m merece.<\/p>\n<p>A que ponto chegamos!<\/p>\n<p>Obrigado, Poeta.<\/p>\n<p>\u00c9 mesmo como dizia o saudoso v\u00f4 Carlito: quem tem amigo tem tudo.<\/p>\n<h6><em><strong>*(foto: orla por do sol\/aracaj\u00fa\/arquivo pessoal)<\/strong><\/em><\/h6>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AkIsGwUJ4OU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem tem amigo tem tudo.<\/p>\n<p>\u00c9 ou n\u00e3o \u00e9, rapaziada?<\/p>\n<p>V\u00f4 Carlito, que Deus o tenha, sa\u00eda com o tal dito popular toda a vez que a corda apertava pro seu lado e a v\u00f3 Ign\u00eas fazia cara feia porque o astuto queria dar uma escapada por a\u00ed a \u201cbater pernas com os amigos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18691,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-18690","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18690"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18694,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18690\/revisions\/18694"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18691"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}