{"id":18737,"date":"2018-05-05T05:34:41","date_gmt":"2018-05-05T05:34:41","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=18737"},"modified":"2018-05-05T05:46:22","modified_gmt":"2018-05-05T05:46:22","slug":"1968-e-os-leitores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/1968-e-os-leitores\/","title":{"rendered":"1968 e os leitores"},"content":{"rendered":"<p>Vejam o enrosco em que o cronista se meteu ao falar de 1968.<\/p>\n<p>O tema, n\u00e3o imaginei, repercutiu mais do que supunha entre os meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores e, sobretudo e especialmente, na roda de amigos dispersos mundo afora.<\/p>\n<p>O Poeta, meu chegado, foi, digamos assim, o mentor do post de ontem, mas outros camaradas tamb\u00e9m chiaram e me enviaram seus pitacos.<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7o pela amiga Leila que relembrou idos tempos em que trabalh\u00e1vamos na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pasto. Mesmo nos anos 70, ainda conviv\u00edamos com o eco e o legado de 68 na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais liberta, democr\u00e1tica e pac\u00edfica:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 proibido proibir. Bons tempos. Bons sonhos.\u201d<\/p>\n<p><strong>III.<\/strong><\/p>\n<p>Outra Leila, que mora nos Estados Unidos, lamentou n\u00e3o ter vivido aqueles dias intensos.<\/p>\n<p>\u201cMinha gera\u00e7\u00e3o pegou o fim de tudo\u201d \u2013 escreveu. \u201cO de antes e o de agora.\u201d<\/p>\n<p>Nem tanto, mo\u00e7a. A turma dos anos 80\/90 tamb\u00e9m teve l\u00e1 seus dias de agito, embalou a pegada do ano que n\u00e3o terminou e avan\u00e7ou fortemente no sentido de not\u00e1veis conquistas sociais.<\/p>\n<p>Somos mais livres hoje, ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Preservar essas conquistas \u2013 a liberdade de express\u00e3o, de se ser o que se \u00e9, de respeito \u00e0 diversidade, \u00e0s minorias, aos credos, \u00e0s ra\u00e7as, \u00e0 possibilidade de amar e sonhar; preservar essas conquistas, como ia dizendo, \u00e9 tarefa de todas as gera\u00e7\u00f5es, de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Por isso, mo\u00e7a, penso que, apesar de tudo o que se v\u00ea e o que n\u00e3o se v\u00ea, \u00e9 importante estarmos juntos.<\/p>\n<p>Sonho que se sonha junto \u00e9 realidade.<\/p>\n<p><strong>IV.<\/strong><\/p>\n<p>Outro assunto que ampliou a conversa sobre 68 foi a quest\u00e3o da escolha das m\u00fasicas.<\/p>\n<p>\u201cSobrou Caetano\u201d \u2013 me disse um am\u00e1vel leitor que prefere n\u00e3o ter o nome revelado. \u201cE o Tomz\u00e9, com \u2018S\u00e3o S\u00e3o Paulo, Meu Amor\u2019 que venceu o Festival da Can\u00e7\u00e3o de 68 e a \u00e9pica \u2018Pra N\u00e3o Dizer Que N\u00e3o Falei das Flores\u2019, de Vandr\u00e9, que bagun\u00e7ou o FIC, do mesmo ano?<\/p>\n<p>A leitora Denise citou \u201cRoda Viva\u201d, de Chico Buarque, que foi trilha da sua formatura em Jornalismo &#8211; e nem faz tanto tempo assim. Eu lhe expliquei que a composi\u00e7\u00e3o participou do Festival de 67. Apesar de que o pau comeu em julho de 68 quando os filhos&#8230; da ditadura invadiram o Teatro Ruth Escobar interromperam o espet\u00e1culo, espancaram artistas (Mar\u00edlia Pera e Marieta Severo, entre eles) e depredaram o cen\u00e1rio da encena\u00e7\u00e3o que Chico escreveu inspirado na c\u00e9lebre can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>V.<\/strong><\/p>\n<p>Manuelino, o sentimental, cobrou: ontem eu deveria ter\u00a0 disponibilizado, no Blog, a m\u00fasica do Paulo S\u00e9rgio ( \u2018A \u00daltima Can\u00e7\u00e3o\u2019), a que toc\u00e1vamos sem parar na loja de discos em que trabalhei.<\/p>\n<p>O amigo lembrou ainda que, naquele ano, Roberto Carlos fez um sucesso enorme com a cl\u00e1ssica \u201cEu te amo, te amo, te amo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cBonita a m\u00fasica, hein!\u201d<\/p>\n<p>Grande Man\u00e9, n\u00e3o o vejo h\u00e1 tanto tempo. Sempre um apaixonado.<\/p>\n<p><strong>VI.<\/strong><\/p>\n<p>Por fim \u2013 e deixei de prop\u00f3sito para o final -, me apareceu no zap o Escova, outro que descambou pelos confins da Europa e agora s\u00f3 d\u00e1 as caras por aqui quando lhe d\u00e1 na veneta.<\/p>\n<p>Veio com uma recomenda\u00e7\u00e3o expl\u00edcita:<\/p>\n<p>&#8211; Vai escrever sobre 68, n\u00e3o esque\u00e7a o \u00e1lbum branco dos Beatles. \u00c9 hist\u00f3rico. A m\u00fasica escolhida \u00e9 \u201cWhile My Guitar Gently Weeps\u201d. Alguma d\u00favida, campe\u00e3o? Ent\u00e3o, p\u00f5e pra tocar&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VJDJs9dumZI\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>*(A foto de outra amiga sumida, a Camila Bevilacqua, eu j\u00e1 usei no Blog, mas dou hoje um repeteco consciente: \u00e9 um sens\u00edvel retrato do que os jovens sentiam e queriam naqueles idos &#8211; e, tomara, ainda hoje queiram.)<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vejam o enrosco em que o cronista se meteu ao falar de 1968.<\/p>\n<p>O tema, n\u00e3o imaginei, repercutiu mais do que supunha entre os meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores e,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17909,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-18737","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18737","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18737"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18737\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18741,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18737\/revisions\/18741"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17909"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18737"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18737"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18737"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}