{"id":19080,"date":"2018-07-19T18:29:12","date_gmt":"2018-07-19T18:29:12","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19080"},"modified":"2018-07-19T18:46:47","modified_gmt":"2018-07-19T18:46:47","slug":"o-jornal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-jornal\/","title":{"rendered":"O jornal"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 lhes disse aqui \u2013 e hoje repito. Uma de minhas suspeitas para a tal voca\u00e7\u00e3o de jornalista que se abateu sobre mim come\u00e7ou cedo e involuntariamente.<\/p>\n<p>O pai chegava todos os dias para almo\u00e7ar em casa com o Di\u00e1rio da Noite dobrado em quatro em baixo do bra\u00e7o. Assim que ele largava o dito-cujo em cima da mesinha da sala, eu ia direto peg\u00e1-lo e buscava, na p\u00e1gina de esportes, a coluna \u201c20 Not\u00edcias\u201d, assinada por Ant\u00f4nio Guzman.<\/p>\n<p>Queria saber as \u00faltimas sobre o meu Palmeiras. Quem joga, quem n\u00e3o joga, como foi o treino, essas bobagens que enchem de sonhos a cabe\u00e7a do garoto apaixonado que sempre fui por futebol.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Meu filho chegou em casa ontem \u00e0 noite, abriu a mochila e tirou de dentro dela um&#8230; exemplar de jornal, dobrado em quatro. Largou em cima da bancada do escrit\u00f3rio.<\/p>\n<p>Foi um impacto assim que vi o \u2018bich\u00e3o\u2019 ali em folhas e tintas.<\/p>\n<p>H\u00e1 quanto tempo eu n\u00e3o via assim de pertinho uma edi\u00e7\u00e3o de jornal impresso?<\/p>\n<p>U\u00e9, ainda existem e resistem?<\/p>\n<p>Circulam ainda todos os dias?<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda quem os leia?<\/p>\n<p>Quem ainda trabalhe neles?<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Ainda, ainda, ainda&#8230;<\/p>\n<p>Que maluquice este meu estranhamento!<\/p>\n<p>Houve uma \u00e9poca que recebia em casa, diariamente, quatro jornal\u00f5es e semanalmente tr\u00eas revistas.<\/p>\n<p>H\u00e1 quantos s\u00e9culos foi isso?<\/p>\n<p>10 anos?<\/p>\n<p>Cinco anos?<\/p>\n<p>Menos?<\/p>\n<p>N\u00e3o apurei a resposta, nem me interessou apurar.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Sou um ogro dos tempos das cavernas. Ou quase isso &#8211; tirem as d\u00favidas na foto a\u00ed de cima.<\/p>\n<p>Uns bons anos (os melhores?) da minha humilde exist\u00eancia vivi em fun\u00e7\u00e3o do&#8230;<\/p>\n<p>jornal impresso<\/p>\n<p>&#8230; e h\u00e1 quanto tempo n\u00e3o tenho um exemplar\u00a0 deste em minhas m\u00e3os como agora?<\/p>\n<p>Est\u00e1 mais fino, e algo sem o encantamento de outrora. Pouco atraente, achei. A consagrar as not\u00edcias de ontem.<\/p>\n<p>Jesus!<\/p>\n<p>Como posso dizer uma coisa dessas? Ingrato, isto que sou.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;) <\/strong><\/p>\n<p>Quase todas as reda\u00e7\u00f5es pelas quais andei, todo pimp\u00e3o e faceiro, foram as de jornais impressos. Umas poucas revistas, duas ou tr\u00eas experi\u00eancias em assessoria e que agora me lembre uma rara incurs\u00e3o no r\u00e1dio como produtor de um programa sobre m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p>Alguns amigos do peito chegaram a elogiar meu timbre de voz. Ui!<\/p>\n<p>Nunca me arrisquei na locu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era minha praia. Tamb\u00e9m n\u00e3o recebi um tusta.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>TV, nunca fiz.<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem o motivo.<\/p>\n<p>Outros tempos.<\/p>\n<p>Os caboclinhos queridos, l\u00e1 na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor, desprezavam \u2018a gerigon\u00e7a de fazer malucos\u2019.<\/p>\n<p>\u201cNa TV, tudo vira entretenimento\u201d, ironizavam, com minha tola cumplicidade.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Eita, s\u00f4, que meu estranhamento inicial com o jornal\u00e3o largado na bancada agora virou nostalgia. Lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>Volto no tempo.<\/p>\n<p>\u00c9ramos cheios de verdades absolutas, algo corporativos e outro tanto senhores do mundo.<\/p>\n<p>Acreditem! Havia quem peitasse a vontade dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAqui, na reda\u00e7\u00e3o, mando eu. Da porta pra l\u00e1, nos outros departamentos, a fam\u00edlia (sempre h\u00e1 uma fam\u00edlia como propriet\u00e1ria dos jornais) faz o que quer.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos l\u00e1 uns editores porretas! Que n\u00e3o raramente sa\u00edam chamuscados dos enfrentamentos; quando n\u00e3o, perdiam o cargo, e dormiam desempregados e felizes.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Era comum naqueles idos, em meio ao expediente, ouvirmos uns urros, uma acalorada discuss\u00e3o \u2013 e, de repente, algu\u00e9m sapecar a c\u00e9lebre frase:<\/p>\n<p>\u201cNo meu texto, ningu\u00e9m mexe!\u201d<\/p>\n<p>Olai\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Amanh\u00e3, se meus os am\u00e1veis leitores assim o permitirem, retomo o assunto e, se der, at\u00e9 explico quem \u00e9 o personagem da foto a\u00ed de cima, t\u00e1?<\/p>\n<p>Int\u00e9&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZZMmbi1kfUo\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>*(foto: reprodu\u00e7\u00e3o\/arquivo pessoal.<\/strong>)<\/em><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 lhes disse aqui \u2013 e hoje repito. 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