{"id":19159,"date":"2018-08-02T18:43:48","date_gmt":"2018-08-02T18:43:48","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19159"},"modified":"2018-08-02T18:59:57","modified_gmt":"2018-08-02T18:59:57","slug":"as-arvores-e-o-papo-cabeca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/as-arvores-e-o-papo-cabeca\/","title":{"rendered":"As \u00e1rvores e o papo-cabe\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8211; Voc\u00ea j\u00e1 tentou esconder uma \u00e1rvore?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Esconder o qu\u00ea? Uma \u00e1rvore?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Sim. Uma \u00e1rvore.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Mas como esconder uma \u00e1rvore?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; \u00c9 f\u00e1cil. Basta coloc\u00e1-la na floresta.<\/em><\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Penso e repenso<strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Devo parar por aqui e deixar aos meus caros cinco ou seis leitores as provoca\u00e7\u00f5es existenciais (se \u00e9 que ainda as temos?) a partir da leitura do di\u00e1logo acima?<\/p>\n<p>Ou assumo a ousadia de esticar o papo-cabe\u00e7a entre a enigm\u00e1tica Dalva e o cunhado Henrique ao final do 42\u00ba cap\u00edtulo do romance <em>A Tarde da Sua<\/em> <em>Aus\u00eancia<\/em>, de Carlos Heitor Cony, lan\u00e7ado pela Companhia das Letras, em 2003?<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Nesta madrugada que passou, dei conta de reler o livro do jornalista e escritor carioca que morreu em janeiro deste ano, aos 92 anos.<\/p>\n<p>Quem aqui me acompanha, sabe: trata-se de um dos meus autores preferidos.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma de suas obras mais famosas, e premiadas. Posso citar assim, de relance, tr\u00eas ou quatro: <em>O Piano e a Orquestra, O Ventre, Pilatos, Pessach \u2013 A Travessia<\/em>, entre outras. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 minha preferida (escolho para tal <em>Quase Mem\u00f3ria, <\/em>um quase-romance lan\u00e7ado em meados dos anos 90).<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7o, por\u00e9m, em <em>A Tarde da Sua Aus\u00eancia<\/em> uma narrativa densa e intrigante ao contar a saga da fam\u00edlia Machado Alves, no Rio de Janeiro, na virada dos anos 50\/60.<\/p>\n<p>Em cada uma de suas 162 p\u00e1ginas, pulsa o tra\u00e7o marcante dos personagens: o alheamento e a solid\u00e3o com que buscam o pr\u00f3prio caminho embora envoltos e protegidos (ou escondidos?) ao lado dos semelhantes.<\/p>\n<p>Vera e Henrique s\u00e3o os personagens mais emblem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o os \u00fanicos.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Saio do enredo do livro \u2013 lamento sinceramente enquanto vou devorando as \u00faltimas p\u00e1ginas \u2013 e me surpreendo a batucar sobre a sociedade em que hoje vivemos. A lida di\u00e1ria, afazeres e compromissos, questionamentos, viagens, conquistas, por onde andamos, o sorriso e a selfie da hora&#8230; Tudo devidamente postado e ampliado pelas retumbantes redes sociais.<\/p>\n<p>E fora delas, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O show da vida \u2013 e a vida como ela n\u00e3o \u00e9 ou \u00e9 ou aparenta ser?<\/p>\n<p>Por favor, n\u00e3o me tirem de or\u00e1culo.<\/p>\n<p>Por favor&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho qualquer pretens\u00e3o.<\/p>\n<p>Sou um po\u00e7o de d\u00favidas, e vacilos.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Repito, pra mim mesmo:<\/p>\n<p>Vera e Henrique s\u00e3o personagens bem emblem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Caberiam em nosso tempo perfeitamente.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o os \u00fanicos&#8230;<\/p>\n<p>Agora, chamo os incautos leitores que ainda andam por a\u00ed para a tal dan\u00e7a da solid\u00e3o:<\/p>\n<p>E eu, e voc\u00ea e n\u00f3s.<\/p>\n<p>Os arredores&#8230;<\/p>\n<p>\u00c1rvores numa floresta?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jJj6JS7XLZY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>*(foto: l.cunha)<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>&#8211; Voc\u00ea j\u00e1 tentou esconder uma \u00e1rvore?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Esconder o qu\u00ea? 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