{"id":19177,"date":"2018-08-06T14:30:19","date_gmt":"2018-08-06T14:30:19","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19177"},"modified":"2018-08-06T18:55:43","modified_gmt":"2018-08-06T18:55:43","slug":"fim-de-caso-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/fim-de-caso-2\/","title":{"rendered":"Fim de caso"},"content":{"rendered":"<p>Nunca soube me dizer exatamente como aconteceu.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o hoje, naquele dia&#8230;<\/p>\n<p>Foi h\u00e1 tantos&#8230;<\/p>\n<p>Naquele dia,\u00a0 teve um pressentimento de que algo desandara entre ele e a mo\u00e7a. Por isso, estavam os dois ali, naquele momento, num ponto perdido do Litoral, a olharem, calados, o mar sem fim diante de ambos.<\/p>\n<p>Quis lhe dizer para n\u00e3o ir, n\u00e3o era bem assim, eles se amavam, n\u00e3o era hora de adeus, tudo se arrajnaria, calma, calma, era uma quest\u00e3o de tempo&#8230;<\/p>\n<p>Essas coisas que se diz quando nada mais adianta dizer.<\/p>\n<p>Eu lhe perguntei como chegaram a este ponto.<\/p>\n<p>Embatucou um olhar nost\u00e1lgico, como se visse um filme, e desandou o enredo todo.<\/p>\n<p>Gosto dessas hist\u00f3rias. Sou um bom ouvinte.<\/p>\n<p>Deixei que falasse&#8230;<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Acordaram naquele s\u00e1bado, com a naturalidade de que nada estava acontecendo. Como um casal normal, tomaram o caf\u00e9 da manh\u00e3 na padaria pr\u00f3xima ao apartamento onde ela morava, com uma amiga.<\/p>\n<p>S\u00f3 o sil\u00eancio entre eles denunciava que as coisas n\u00e3o andavam bem. Os olhares, tamb\u00e9m. N\u00e3o se encontraram, c\u00famplices, um instante que fosse.<\/p>\n<p>Para ele, vivido de outros lances e alcances, n\u00e3o foi dif\u00edcil intuir que o cristal se trincara. N\u00e3o sabia se nos anseios dela. Ou se no jeito ego\u00edsta que ele, reconhecia agora, sempre tivera de enxergar a vida e, dentro da vida, os amores. E, dentro dos amores, as mulheres, os amores propriamente dito e a vida.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, tantos anos depois, tem s\u00e9ria d\u00favidas se era assim que pensava naquele preciso instante.<\/p>\n<p>Certeza, certeza,\u00a0 tinha apenas a de que n\u00e3o queria perd\u00ea-la.<\/p>\n<p>N\u00e3o, naquele momento.<\/p>\n<p>S\u00f3 lembra que, de repente, ouviu a proposta que ela lhe fez:<\/p>\n<p>&#8211; Vamos ver o mar, vamos?<\/p>\n<p>Pego de surpresa, e certo de que algo n\u00e3o ia bem, tentou ganhar tempo antes de dizer que sim. Com aquela dona, ele iria para a Conchinchina, o Cazaquist\u00e3o, para a Lua, para Marte&#8230;<\/p>\n<p>Mesmo assim, esgrimiu a d\u00favida:<\/p>\n<p>&#8211; O mar? Hoje? Como assim?<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Ela sorriu. Sabia que ele sempre lhe fazia \u00e0s vontades, que viveram um conto de fadas, uma linda hist\u00f3ria, mas era hora de fechar o ciclo \u2013 e queria que fosse algo bonito, po\u00e9tico. Inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8211; A gente pega o carro e vai. Faz um bate-e-volta. Anda pela praia, v\u00ea o mar&#8230; Voc\u00ea prometeu, lembra?<\/p>\n<p>Lembrar, lembrar, n\u00e3o lembrava. Mas, n\u00e3o era imposs\u00edvel. Prov\u00e1vel mesmo. Falava demais, prometia tudo, o c\u00e9u, a lua, as estrelas&#8230;<\/p>\n<p>Prometia, e logo esquecia.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Sa\u00edram dali, pegaram a estrada \u2013 e, hora e meia depois, foram serpenteando a avenida que margeia a praia at\u00e9 surgir um morr\u00e3o \u00e0 frente. Ela lhe chamou a aten\u00e7\u00e3o para uma ruazinha \u00e0 direita que subia e deveria levar aonde queriam.<\/p>\n<p>&#8211; Vai por ali, \u00f3&#8230;<\/p>\n<p>Manobrou para atend\u00ea-la.<\/p>\n<p>Dito e feito. Logo chegaram a um mirante, oportunamente, ali improvisado por alguma alma boa e sens\u00edvel, santa protetora dos casais apaixonados.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Desceram do carro, sentiram o vento bater no rosto. De m\u00e3os dadas, sem dizer palavra, caminharam para ver o mar.<\/p>\n<p>Ficaram assim.<\/p>\n<p>O c\u00e9u nublado, sem sol, a linha do horizonte a limitar sonhos e ilus\u00f5es e o mar&#8230;<\/p>\n<p>O mar sem fim diante de ambos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WlJzaPNnrzU\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe>\u200b<\/p>\n<h5><strong><em>Foto: arquivo pessoal<\/em><\/strong><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca soube me dizer exatamente como aconteceu.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o hoje, naquele dia&#8230;<\/p>\n<p>Foi h\u00e1 tantos&#8230;<\/p>\n<p>Naquele dia,\u00a0 teve um pressentimento de que algo desandara entre ele e a mo\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19178,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19177","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19177"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19177\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19183,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19177\/revisions\/19183"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19178"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}