{"id":19187,"date":"2018-08-08T04:42:29","date_gmt":"2018-08-08T04:42:29","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19187"},"modified":"2018-08-20T21:29:28","modified_gmt":"2018-08-20T21:29:28","slug":"notre-dame-o-personagem-e-eu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/notre-dame-o-personagem-e-eu\/","title":{"rendered":"O templo, o personagem e eu"},"content":{"rendered":"<p><em>N\u00e3o saltei na esta\u00e7\u00e3o Saint-Michel. <\/em><\/p>\n<p><em>Ia iniciar minha aventura. <\/em><\/p>\n<p><em>Saltaria na pr\u00f3xima. <\/em><\/p>\n<p><em>Passo a passo, metro a metro, exploraria a cidade estranha. <\/em><\/p>\n<p><em>Tudo chegaria a seu tempo.<\/em><\/p>\n<p><em>Inclusive o amanh\u00e3.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Quando cheguei l\u00e1 fora, descobri que estava num cruzamento de v\u00e1rias ruas.<\/em><\/p>\n<p><em>Escolhi a maior delas, a que parecia deserta. <\/em><\/p>\n<p><em>(Com o frio, tudo estava fechado.)<\/em><\/p>\n<p><em>Caminhei alguns metros.<\/em><\/p>\n<p><em>Cem.<\/em><\/p>\n<p><em>Duzentos.<\/em><\/p>\n<p><em>De repente, vi a massa branca e estranha de uma igreja.<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 a conhecia de vista e do postal.<\/em><\/p>\n<p><em>Era a Notre-Dame.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Havia lido o romance de Victor Hugo, numa edi\u00e7\u00e3o condensada de livro de bolso.<\/em><\/p>\n<p><em>Tinha visto o filme, numa noite vazia diante da tev\u00ea, com Anthony Quinn e Gina Lollobrigida nos pap\u00e9is de Quasimodo e Esmeralda.<\/em><\/p>\n<p><em>Meu irm\u00e3o, que entendia do assunto, me garantiu que havia uma vers\u00e3o melhor e mais antiga, com Charles Laughton e Mauren O\u2019Hara \u2013 mas, ele era um arque\u00f3logo do cinema.<\/em><\/p>\n<p><em>E eu, um enfastiado de tudo. De igrejas, filmes e romances.<\/em><\/p>\n<p><em>Mesmo assim eu entrei no enorme templo.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Estranhei a escurid\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Tudo me pareceu apertado e sombrio.<\/em><\/p>\n<p><em>Aos poucos, a vista se acostumou e eu comecei a distinguir<\/em><\/p>\n<p><em>as colunas, <\/em><\/p>\n<p><em>a nave central muito comprida e alta,<\/em><\/p>\n<p><em>os vitrais.<\/em><\/p>\n<p><em>Parei bestificado diante de um deles,<\/em><\/p>\n<p><em>a roseta azul.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Tive a sensa\u00e7\u00e3o de j\u00e1 ter visto aquela combina\u00e7\u00e3o de cores.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o sei onde&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Num caleidosc\u00f3pio perdido na primeira inf\u00e2ncia, talvez.<\/em><\/p>\n<p><em>O contraste das cores iluminadas&#8230; <\/em><\/p>\n<p><em>O espa\u00e7o vazio das colunas magras e compridas me imobilizou.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Honestamente.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu n\u00e3o sabia o que estava sentindo.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas era evidente que alguma coisa se abria dentro de mim&#8230;<\/em><\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>Divaga\u00e7\u00f5es do jovem Alfredo, personagem do romance \u201cO Irm\u00e3o Que Tu Me Deste\u201d, de Carlos Heitor Cony. Ediouro, 1979.<\/p>\n<p>Reli o livro ainda na semana que passou.<\/p>\n<p>De alguma forma, que n\u00e3o sei explicar, me identifiquei com o personagem. Foi um pouco (ou muito?) assim que me senti quando, pela primeira vez, visitei a bas\u00edlica Notre-Dame de Paris.<\/p>\n<p>1986.<\/p>\n<p>Tanto tempo, n\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o era t\u00e3o jovem quanto Alfredo, eu j\u00e1 passara dos 30, mas ainda trazia em mim todos os sonhos do mundo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, foi impactante a sensa\u00e7\u00e3o que me trouxe aquele espa\u00e7o raro e, num primeiro momento, sombrio &#8211; o interior do templo, meus pensares&#8230; os dois?<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o deu ensejo a outra, ou&#8230; sei l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Ainda hoje, vez ou outra, o tal estranhamento me vem \u00e0 mente.<\/p>\n<p>E eu nunca soube explicar.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Voltei l\u00e1 algumas vezes. Naquela ocasi\u00e3o e em outras viagens que fiz a Paris.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre um momento que me toca e seduz.<\/p>\n<p>Mas, aquela primeir\u00edssima impress\u00e3o, meus caros, continua um enigma.<\/p>\n<p>Ainda&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1C0j6q5n_o4\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h5><em><strong>Foto: Wikimedia Commons<\/strong><\/em><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>N\u00e3o saltei na esta\u00e7\u00e3o Saint-Michel. <\/em><\/p>\n<p><em>Ia iniciar minha aventura. <\/em><\/p>\n<p><em>Saltaria na pr\u00f3xima. <\/em><\/p>\n<p><em>Passo a passo, metro a metro,<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19188,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19187","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19187"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19187\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19275,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19187\/revisions\/19275"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19188"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}