{"id":19193,"date":"2018-08-09T14:18:05","date_gmt":"2018-08-09T14:18:05","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19193"},"modified":"2018-08-11T13:43:24","modified_gmt":"2018-08-11T13:43:24","slug":"o-post-e-a-cronica-1","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-post-e-a-cronica-1\/","title":{"rendered":"O post e a cr\u00f4nica &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<p>Tenho uma sutil incumb\u00eancia para hoje \u2013 mas, adianto, vou deix\u00e1-la para amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Tentarei esclarecer a diferen\u00e7a entre post e cr\u00f4nica \u2013 se \u00e9 que a tal existe?<\/p>\n<p>Tenho l\u00e1 minhas d\u00favidas.<\/p>\n<p>Explico de onde vem o questionamento.<\/p>\n<p>Da repercuss\u00e3o do bendito post\/cr\u00f4nica ou o que seja que ontem aqui publiquei.<\/p>\n<p>Sobre a Notre-Dame de Paris.<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>Encontro logo pela manh\u00e3, em minhas andan\u00e7as di\u00e1rias, um casal de ex-alunos.<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem o nome de ambos, pois n\u00e3o lembro \u2013 e, perdoem-me a fraqueza, fiquei sem jeito de confessar o lapso. Espero que eles, ao lerem estas maltra\u00e7adas, tamb\u00e9m me perdoem&#8230; Mas, entendam, s\u00e3o tantos jovens em 20 anos de magist\u00e9rio, salas lotadas, nomes e mais nomes que&#8230;<\/p>\n<p>Espero que me entendam.<\/p>\n<p><strong>III.<\/strong><\/p>\n<p>Ao me verem \u00e0 dist\u00e2ncia, o rapaz correu para me cumprimentar e foi logo dizendo:<\/p>\n<p>&#8211; Aquela igreja tem mesmo \u2018uma vibe sinistra\u2019. Quando cheguei l\u00e1 a primeira vez, senti a mesma coisa. S\u00f3 que diferente do professor, n\u00e3o voltei mais l\u00e1, nem pretendo&#8230;<\/p>\n<p>A mo\u00e7a que o acompanhava \u2013 e que me pareceu ser sua namorada \u2013 divertia-se com o relato.<\/p>\n<p>Ele completou alvoro\u00e7ado.<\/p>\n<p>&#8211; E olhe que fiquei um ano fazendo interc\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Confesso que, \u00e0 esta altura do inesperado papo, n\u00e3o havia ligado o l\u00e9 com o cr\u00e9 do que me dizia o \u2018enfant terrible\u2019.<\/p>\n<p>&#8211; Sabe o que me aconteceu l\u00e1 dentro, professor. Fui tirar uma de rezar, ajoelhei e tudo, deixei o celular no banco e, \u00f3, me roubaram o celular.<\/p>\n<p>&#8211; Paris n\u00e3o \u00e9 mais a mesma, professor.<\/p>\n<p><strong>IV.<\/strong><\/p>\n<p>A tal \u2018vibe sinistra\u2019, igreja, Paris&#8230;<\/p>\n<p>S\u00f3 ent\u00e3o comecei a me tocar &#8211; sou meio lerdinho mesmo, t\u00e1? \u2013 que o jovem \u00e0 minha frente falava do que ontem escrevi sobre a bas\u00edlica de Notre-Dame em Paris.<\/p>\n<p>Fiquei feliz, mas n\u00e3o soube o que lhe dizer naquele preciso instante.<\/p>\n<p>Deixei escapar um:<\/p>\n<p>&#8211; Que vacil\u00e3o!<\/p>\n<p>E a mo\u00e7a, que ostentava uma cabeleireira ins\u00f3lita com mechas de um verde desbotado nas pontas (mas que lhe assentavam muito bem) se p\u00f4s a rir ainda mais da desdita do amigo, namorado ou o que seja.<\/p>\n<p>Tentei consertar, mas sem grande engenhosidade:<\/p>\n<p>&#8211; O mundo anda mesmo de ponta a cabe\u00e7a, meu caro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sem sucesso justifiquei que a cr\u00f4nica de ontem nasceu da releitura de um livro e da minha identifica\u00e7\u00e3o com o que o personagem, Alfredo, vivia, digamos, em termos existenciais.<\/p>\n<p>\u201cPenso que tamb\u00e9m me defrontei com tais, digamos, inquieta\u00e7\u00f5es quando l\u00e1 entrei pela primeira vez&#8230;\u201d<\/p>\n<p><strong>V.<\/strong><\/p>\n<p>Tive a sensa\u00e7\u00e3o de ele que n\u00e3o se ateve \u00e0 minha explica\u00e7\u00e3o. Porque foi neste momento que me lan\u00e7ou a extraordin\u00e1ria quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Pensei que fosse um post? \u00c9 uma cr\u00f4nica, \u00e9? Qual a diferen\u00e7a?<\/p>\n<p>Como estava ansioso para voltar para casa, para o livro que estou relendo como se fosse a primeira vez \u201cO Vermelho e o Negro\u201d, de Stendhall (ali\u00e1s, ultimamente a \u00fanica pressa que tenho \u00e9 esta, voltar pra casa), sugeri que procurasse a resposta hoje no Blog.<\/p>\n<p>S\u00f3 que pelo adiantado deste post\/cr\u00f4nica ou seja l\u00e1 o que seja\u00a0 vou deixar a resposta para amanh\u00e3.<\/p>\n<p><strong>VI.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se o distinto vai gostar das minhas justificativas.<\/p>\n<p>Explico.<\/p>\n<p>Como disse l\u00e1 em cima, tenho l\u00e1 minhas d\u00favidas sobre tal e qual diferen\u00e7a entre um e outra, outra e um. Por isso, serei cuidadoso: vou consultar meus alfarr\u00e1bios.<\/p>\n<p>Ainda hoje eu o farei, prometo.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o tamb\u00e9m outro alerta para o jovem amigo.<\/p>\n<p>Na hora das despedidas do simp\u00e1tico casal, foi a vez da mo\u00e7oila de cabelos esverdeados me confessar toda-toda \u2013 um tanto distante do rapaz &#8211; que havia se identificado mais \u00a0\u2018existencialmente\u2019 com o post anterior ao da Notre-Dame.<\/p>\n<p>&#8211; Aquele, o que se chama \u2018Fim de Caso\u2019&#8230;<\/p>\n<p><strong>VII<\/strong><\/p>\n<p>E me sugeriu a trilha de hoje.<\/p>\n<p>&#8211; Talvez a can\u00e7\u00e3o mais apropriada para acompanhar aquele post\/cr\u00f4nica ou o que seja fosse uma antiguinha, \u201cIt\u2019s Too Late\u201d. De Carole King. Sabe qual?<\/p>\n<p>Xiiiiii, pensei comigo.<\/p>\n<p>Olha, o vacilo, meu rapaz, olha o vacilo&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Msmnb676RxI\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h5><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho uma sutil incumb\u00eancia para hoje \u2013 mas, adianto, vou deix\u00e1-la para amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Tentarei esclarecer a diferen\u00e7a entre post e cr\u00f4nica \u2013 se \u00e9 que a tal existe?<\/p>\n<p>Tenho l\u00e1 minhas d\u00favidas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19203,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19193"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19212,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19193\/revisions\/19212"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19203"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}