{"id":19208,"date":"2018-08-10T18:38:23","date_gmt":"2018-08-10T18:38:23","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19208"},"modified":"2018-08-14T20:02:36","modified_gmt":"2018-08-14T20:02:36","slug":"o-post-e-a-cronica-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-post-e-a-cronica-2\/","title":{"rendered":"O post e a cr\u00f4nica &#8211; 2"},"content":{"rendered":"<p>Promessa \u00e9 d\u00edvida.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, nossa prosa de hoje trata pretensamente das diferen\u00e7as e parecen\u00e7as entre o<em> post<\/em> e a <em>cr\u00f4nica<\/em>.<\/p>\n<p>S\u00e3o iguais, eu arriscaria dizer; mas diferentes.<\/p>\n<p>Acompanhem meu racioc\u00ednio&#8230;<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7o pelas defini\u00e7\u00f5es que encontro na web.<\/p>\n<p>Sejamos parcimoniosos, pois os dicion\u00e1rios impressos ainda tateiam sobre o vern\u00e1culo do, digamos, mundo digital.<\/p>\n<p>Tento simplific\u00e1-las.<\/p>\n<p>POSTS:<\/p>\n<ol>\n<li>entradas de textos cronol\u00f3gicas em websites\/blogs;<\/li>\n<li>mensagem que se publica numa p\u00e1gina da internet.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Do ingl\u00eas, post.<\/p>\n<p>CR\u00d4NICAS:<\/p>\n<ol>\n<li>narra\u00e7\u00e3o pela ordem dos tempos em que se deram os fatos;<\/li>\n<li>texto de timbre jornal\u00edstico, concebido de forma livre e pessoal que tem como tema um fato ou uma id\u00e9ia da atualidade;<\/li>\n<li>artigo de peri\u00f3dico impresso e audiovisual sob uma determinada rubrica<\/li>\n<\/ol>\n<p>Do\u00a0grego\u00a0<em>khronik\u00e1<\/em>,\u00a0\u00abcr\u00f3nica\u00bb,\u00a0plural\u00a0de\u00a0<em>khronik\u00f3n<\/em>,\u00a0relativo ao tempo.<\/p>\n<p><strong>III.<\/strong><\/p>\n<p>O que t\u00eam em comum?<\/p>\n<p>S\u00e3o retratos fi\u00e9is de um tempo.<\/p>\n<p>Diria melhor, do seu tempo&#8230;<\/p>\n<p>A cr\u00f4nica teve, digamos, o apogeu no transcorrer do s\u00e9culo 20 (para sermos bem generalistas).<\/p>\n<p>As d\u00e9cadas de 50 e 60 foram as de maior apelo popular.<\/p>\n<p>Era mais importante o cronista do que propriamente o jornal ou revista em que ele escrevia.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, h\u00e1 quem diga que se trata de um g\u00eanero jornal\u00edstico\/liter\u00e1rio genuinamente brasileiro \u2013 e que, de uma forma ou de outra, ainda se espalha linda, leve e solta por a\u00ed.<\/p>\n<p>Inclusive no mundo digital.<\/p>\n<p>Am\u00e9m, Jesus!<\/p>\n<p>Eu amo&#8230;<\/p>\n<p><strong>IV.<\/strong><\/p>\n<p>O post tem uma pegada mais imediatista \u2013 e, diria, comezinho. Algo como o \u201ceu\u201d por mim mesmo. \u201cFoca ni mim\u201d.<\/p>\n<p>Not\u00e1vel e not\u00f3rio que \u00e9 um produto natural \u2013 e essencialmente \u2013 do mundo digital, das tais redes sociais.<\/p>\n<p>Quase nunca \u00e9 jornal\u00edstico; mas, em alguns casos pode vir a ser. Na maioria das vezes, \u00e9 promocional, marqueteiro \u2013 e dispensa narrativa e estilo (imprescind\u00edveis \u00e0 cr\u00f4nica).<\/p>\n<ol>\n<li><\/li>\n<\/ol>\n<p>Vejam!<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer condena\u00e7\u00e3o nesta constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vivemos tempos de fragilidade nas rela\u00e7\u00f5es humanas, de amores l\u00edquidos (Bauman); nada mais representativo do que o ato de postar. Ou seja, enviar, expedir&#8230; \u00a0Me fazer representar seja num texto brev\u00edssimo, seja em uma opini\u00e3o (mesmo que inconsistente de argumentos), seja numa foto ou num pequeno v\u00eddeo. Ou numa piada qualquer.<\/p>\n<ol>\n<li><\/li>\n<\/ol>\n<p>Voc\u00ea pode postar uma cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>(Tem sido o estu\u00e1rio natural de muitos cronistas sem jornal, como eu.)<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode cronificar um post.<\/p>\n<p>(\u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m. Por vezes, trope\u00e7amos em textos caprichados, e sens\u00edveis nas redes sociais.)<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se me entendem&#8230;<\/p>\n<p><strong>VII.<\/strong><\/p>\n<p>A bem da verdade, a principal proposta do nosso humilde Site\/Blog, l\u00e1 pelos idos de 2003, foi a de fazer a jun\u00e7\u00e3o desses dois universos \u2013 amplos e\u00a0 indefin\u00edveis \u2013 em uma coisa s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se consegui, mas em nome dos grandes cronistas deste meu Brasil varonil, vou continuar tentando.<\/p>\n<p>Se \u00e9 que voc\u00eas me permitem&#8230;<\/p>\n<p><strong>VI.<\/strong><\/p>\n<p>Algumas considera\u00e7\u00f5es que me chegam, de leitores\/internautas amigos.<\/p>\n<p>A cr\u00f4nica \u00e9 perene.<\/p>\n<p>(Ainda recentemente li escritos de Rubem Braga dos anos 40 e 50. Permanecem intactos, vivos.)<\/p>\n<p>O post \u00e9 instant\u00e2neo.<\/p>\n<p>(Leu, est\u00e1 lido. Vapt, logo pinga outro no lugar)<\/p>\n<p>A cr\u00f4nica \u00e9 cumplicidade entre autor e leitor.<\/p>\n<p>O post \u00e9 impacto, \u00e9 \u201cbombar\u201d (termo t\u00e3o em moda), \u00e9 teclar e acontecer.<\/p>\n<p><strong>V.<\/strong><\/p>\n<p>Uma amiga \u2013\u00a0 que integra a seleta cl\u00e3 de meus am\u00e1veis cinco ou seis leitores \u2013 tem uma defini\u00e7\u00e3o mais contundente:<\/p>\n<p>\u201cPost s\u00e3o as coisas que se postam na net. Um saco de gatos. Mas, a cr\u00f4nica n\u00e3o \u00e9 para qualquer um.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 minha amiga, eu disse&#8230;<\/p>\n<p>Sabe que, embora um humilde e assumido blogueiro, o meu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 no papel&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rYyCO4qirT8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<ul>\n<li>\n<h5><em><strong>Foto: L.Cunha<\/strong><\/em><\/h5>\n<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Promessa \u00e9 d\u00edvida.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, nossa prosa de hoje trata pretensamente das diferen\u00e7as e parecen\u00e7as entre o<em> post<\/em> e a <em>cr\u00f4nica<\/em>.<\/p>\n<p>S\u00e3o iguais,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19209,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19208","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19208","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19208"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19234,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19208\/revisions\/19234"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19209"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}