{"id":19293,"date":"2018-08-24T15:42:28","date_gmt":"2018-08-24T15:42:28","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19293"},"modified":"2018-08-24T22:03:36","modified_gmt":"2018-08-24T22:03:36","slug":"persona","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/persona\/","title":{"rendered":"S\u00f3 no bem bom"},"content":{"rendered":"<p>Tijolo&#8230;<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o, imaginem algu\u00e9m com este apelido.<\/p>\n<p>Trata-se de um conhecido dos meus tempos do futebol de v\u00e1rzea.<\/p>\n<p>Jog\u00e1vamos em campos de terra &#8211;\u00a0 e, de l\u00e1, saiamos n\u00e3o raras vezes enlameados, quase sempre avermelhados, de p\u00f3 e suor.<\/p>\n<p>Pois\u00a0 veio da\u00ed o apelido, digamos, amigo.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 anos e anos n\u00e3o nos v\u00edamos.<\/p>\n<p>Hoje nos reencontramos por acaso.<\/p>\n<p>Ele mal me cumprimenta e vai logo perguntando como eu me sinto depois de tantos anos, de carteira assinada, na lida, e agora sem trabalho formal.<\/p>\n<p>&#8211; S\u00f3 no bem bom?<\/p>\n<p>Foram 45 anos ininterruptos, eu lhe digo sem qualquer convic\u00e7\u00e3o do que continuar a lhe dizer.<\/p>\n<p>Penso que Tijolo (n\u00e3o \u00e9 que ele permanece com o rosto retangular e avermelhado, ser\u00e1 que ainda bate sua bolina?) estranhou a declara\u00e7\u00e3o que lhe dou, evasiva e algo indiferente.<\/p>\n<p>Fica sem ter o que dizer, ent\u00e3o apela para o \u00f3bvio dos \u00f3bvios:<\/p>\n<p>&#8211; Nossa, mais do que eu tenho de vida. N\u00e3o sente falta?<\/p>\n<p>Acho que j\u00e1 virou os 50, mas evito question\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&#8211; Ainda n\u00e3o, respondo.<\/p>\n<p>Dou a conversa por encerrada.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Que papinho despregado de interesse, n\u00e9, n\u00e3o, gente?<\/p>\n<p>Fal\u00e1ssemos de futebol que sempre foi a nossa praia.<\/p>\n<p>Paro por aqui para n\u00e3o chatear os am\u00e1veis cinco ou seis leitores.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Ah, n\u00e3o!<\/p>\n<p>O qu\u00ea?<\/p>\n<p>Como assim?<\/p>\n<p>Querem saber como eu me sinto etc etc.<\/p>\n<p>Devo essa satisfa\u00e7\u00e3o a voc\u00eas?<\/p>\n<p>Est\u00e3o aqui todos os dias (ser\u00e1?), me acompanham sempre que poss\u00edvel, j\u00e1 insinuaram que eu deveria levar o Blog para o Face, o Twiter, o Insta e cousa e lousa e mariposa. Facilitaria\u00a0 pra meio mundo, argumentam. E eu nada, insens\u00edvel aos apelos e, agora, ainda me fa\u00e7o de rogado com um questionamento que eu mesmo levanto e, assim desmilinguido, deixo solto no ar!<\/p>\n<p><strong>\u00a0(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1 bem, est\u00e1 bem, meus preciosos e remidos leitores.<\/p>\n<p>Vou lhes dizer o que aconteceu logo que cheguei em casa, ap\u00f3s o fortuito encontro.<\/p>\n<p>Fui direto pro livro que estou lendo, <em>A Disciplina do Amor<\/em>, de Lygia Fagundes Telles (Nova Fronteira\/1980).<\/p>\n<p>Est\u00e1 autografado, e eu o encontrei num sebo na Pra\u00e7a da S\u00e9 num tempo em que gostava de dar uns perdidos pelo Centro de S\u00e3o Paulo, como se fosse um estrangeiro, um turista incidental.<\/p>\n<p>Folheio o \u2018bichinho\u2019 \u2013 e l\u00e1 pelas tantas\u00a0 encontro o mini-conto<em> Persona.<\/em><\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Diz o seguinte:<\/p>\n<p><em>Passei o pente no cabelo. Abotoei o colete, enfiei o anel no dedo e me olhei no espelho: a imagem (persona) correspondia exatamente ao ju\u00edzo que eu (e os outros) faziam de mim. Fechei a mala. Tomei o trem. Na recep\u00e7\u00e3o do hotel, apresentei os meus documentos, preenchi a ficha, gratifiquei o mo\u00e7o que me conduziu ao apartamento, descerrei as cortinas para a bela vista e liguei o r\u00e1dio de cabeceira que tocava a <\/em>Serenata<em> de Schubert. Quando anoiteceu, rasguei meus documentos em mil peda\u00e7inhos, joguei tudo no vaso sanit\u00e1rio e puxei a descarga, tirei o colete, guardei-o dentro da mala e despachei a mala para o seu pa\u00eds de origem, desfiz as pegadas da esta\u00e7\u00e3o at\u00e9 o hotel, tranquei a porta do quarto, joguei a chave no rio e sa\u00ed pela janela.<\/em><\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o, amigo Tijolo (se \u00e9 que anda por a\u00ed e me l\u00ea, como disse) e am\u00e1veis e curiosos leitores:<\/p>\n<p>\u00c9 assim que me sinto.<\/p>\n<p>Quer dizer, s\u00f3 fa\u00e7o a ressalva.<\/p>\n<p>Trocaria Schubert (que n\u00e3o tenho essa erudi\u00e7\u00e3o toda, n\u00e3o) por algum cl\u00e1ssico da MPB.<\/p>\n<p>\u00c9 mais a minha cara, concordam?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dw1RLpABklk\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>Foto: arquivo pessoal<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tijolo&#8230;<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o, imaginem algu\u00e9m com este apelido.<\/p>\n<p>Trata-se de um conhecido dos meus tempos do futebol de v\u00e1rzea.<\/p>\n<p>Jog\u00e1vamos em campos de terra &#8211;\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19293","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19293"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19293\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19299,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19293\/revisions\/19299"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19294"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}