{"id":19305,"date":"2018-08-27T18:11:17","date_gmt":"2018-08-27T18:11:17","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19305"},"modified":"2018-08-27T21:01:55","modified_gmt":"2018-08-27T21:01:55","slug":"trajano-meu-caro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/trajano-meu-caro\/","title":{"rendered":"Trajano, meu caro"},"content":{"rendered":"<p>Pois ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Olha que abusado que sou!<\/p>\n<p>A gente se conheceu noite dessas num bar da Vila Madalena num encontro divertido com estudantes de Jornalismo que foram lhe entrevistar \u2013 e j\u00e1 vou me dando a liberdade de lhe fazer o mote deste meu humilde Blog.<\/p>\n<p>Perdoe a ousadia!<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 pra lhe falar\u00a0 &#8211; e tamb\u00e9m recomendar aos meus cinco ou seis leitores o saboroso livro que voc\u00ea escreveu e li, num vapt vupt de encantamento, na madrugada de s\u00e1bado para domingo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Meu caro,<\/p>\n<p>Acompanho suas andan\u00e7as desde o<em> Cart\u00e3o<\/em> <em>Verde<\/em>, l\u00e1 nos idos da TV Cultura, depois por longos anos na Espn\/Brasil (a emissora perdeu a identidade depois que sa\u00edram voc\u00ea, o PVC e o Helv\u00eddio) e li os livros anteriores <em>\u2013 Procurando M\u00f4nica<\/em> e <em>Tijucam\u00e9rica<\/em>.<\/p>\n<p>Gostei de ambos, mas este <em>Os Beneditino<\/em>s (Alfaguara, 2018) bateu fundo n\u2019alma deste escrevinhador vira-lata.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Suas lembran\u00e7as t\u00e3o sens\u00edveis alinhavadas, palavra ap\u00f3s palavra, me enredaram em minhas pr\u00f3prias recorda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estou com 6.7, amigo.<\/p>\n<p>Somos da mesma gera\u00e7\u00e3o \u2013 ou quase.<\/p>\n<p>Acho\u00a0mais culto, mais determinado, mais diligente o pessoal que rodeia os 7.0 pra cima. \u00c9 uma impress\u00e3o que tenho, n\u00e3o sei&#8230; Talvez por causa de Chico, Gil, Caetano, Paulinho da Viola, Benjor e jornalistas como voc\u00ea, o Kotscho, o Caco Barcellos, entre outros. Sei l\u00e1, \u00e9 uma impress\u00e3o, como disse.<\/p>\n<p>Mas, falava do livro&#8230;<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>&#8230; e da doce nostalgia que me proporcionou.<\/p>\n<p>L\u00e1 no mais antigo dos anos, vivi situa\u00e7\u00f5es bem pr\u00f3ximas \u00e0quelas que voc\u00ea t\u00e3o bem narrou.<\/p>\n<p>Lembrei o Cambuci e o Ipiranga, bairros oper\u00e1rios onde nasci e vivi; minhas andan\u00e7as\u00a0 nos est\u00e1dios de futebol quando garoto, fosse qual fosse o jogo, junto com amigos que se perderam no tempo e no espa\u00e7o;\u00a0 as manh\u00e3s de domingo na v\u00e1rzea do Glic\u00e9rio ou no Distrital do Parque da Aclima\u00e7\u00e3o; a implic\u00e2ncia com o clima de Fla x Flu que permeia hoje nossos relacionamentos; o desencanto com os rumos que o pa\u00eds vem tomando, o desencanto profundo com os rumos do jornalismo&#8230;<\/p>\n<p>A saudade que arranha, mas n\u00e3o machuca. De todos, e de mim.<\/p>\n<p>\u00c9, meu caro, como diz aquele cantador:<\/p>\n<p><em>O tempo n\u00e3o para no porto\/n\u00e3o apita na curva\/n\u00e3o espera ningu\u00e9m&#8230;<\/em><\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Amigo, tamb\u00e9m estudei em col\u00e9gio religioso, o marista Nossa Senhora da Gl\u00f3ria, nas quebradas da rua Lavap\u00e9s, onde o diferencial, aos meus olhos de menino, era o camp\u00e3o de terra batida no centro dos tr\u00eas pr\u00e9dios alinhados em forma de U que comportavam as salas de aula e as demais depend\u00eancias do Gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>O campo n\u00e3o mais existe.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Eu era um quarto-zagueiro de respeit\u00e1veis recursos, diria. Joguei na sele\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio por tr\u00eas anos consecutivos.<\/p>\n<p>\u00d4 saudade!<\/p>\n<p>Nas manh\u00e3s de domingo, ap\u00f3s a missa obrigat\u00f3ria, enverg\u00e1vamos o vistoso uniforme de meias e cal\u00e7\u00f5es brancos e camisas com listas verticais azuis e brancas.<\/p>\n<p>O segundo uniforme, que us\u00e1vamos em ocasi\u00f5es especiais, era nos moldes do Boca Juniors, todo em azul. \u00danica diferen\u00e7a era a faixa branca (e n\u00e3o amarela) no peito.<\/p>\n<p>\u00c9ramos um bom time. T\u00ednhamos uma rixa com o Col\u00e9gio Marista, de Santos. Havia outra rivalidade com o Arquidiocesano. Mas, a bronca pegava com o pessoal da Baixada. Lembro dois jogos. Empatamos em casa (com a ajuda do juiz, o nosso Irm\u00e3o Dem\u00e9trius) e perdemos feio no campo deles.<\/p>\n<p>(N\u00e3o chamaria aquilo exatamente de um campo de futebol. Dimens\u00f5es reduzidas (o Society de hoje), nove contra nove, ch\u00e3o de areia fofa e molhada \u2013 e a gente de chuteiras de travas. N\u00e3o deu pra n\u00f3s.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o sei onde andam os boleiros de ent\u00e3o &#8211; Paulo Eg\u00eddio, Tozzi, Paschoal, Ada\u00edlton, Bregaro, Fernandinho e outros.<\/p>\n<p>Soube que o Tonelli morreu ainda jovem. Era o nosso ponta-esquerda, de chute forte, artilheiro e boa pra\u00e7a.<\/p>\n<p>Fiquei bem triste, na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Esta e outras tantas viagens ao t\u00fanel do tempo, o livro me proporcionou. Momentos de enlevo e, acredite!,\u00a0 am\u00e1vel parceria.<\/p>\n<p>Obrigado, cara!<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Reconhe\u00e7o que, nesta minha longa jornada, um tant\u00e3o de sonhos ficou pelo caminho, mas, desconfio, n\u00e3o me arrependo dos passos e das meia-voltas que o mundo me deu e tomou.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea \u2013 e <em>Os Beneditinos<\/em> mostra bem isso -, n\u00e3o perdi o dom de sonhar.<\/p>\n<p>\u00c9 o que nos mant\u00e9m vivos, companheiro.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Tomo a liberdade de encerrar este papo com o soneto <em>Fidelidade<\/em>, do publicit\u00e1rio e poeta Mauros Salles:<\/p>\n<p><em>Somos fi\u00e9is\/Aos amores imposs\u00edveis\/\u00c0s vozes de ontem\/\u00c0s promessas de eternidade\/\u00c0 m\u00e3o do companheiro\/Ao olhar da amiga.<\/em><\/p>\n<p>De quebra, uma can\u00e7\u00e3o na voz da inesquec\u00edvel Nara Le\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 isso.<\/p>\n<p>Abra\u00e7o, Jos\u00e9 Trajano.<\/p>\n<p>Vida que segue&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2jPFQq6l5N0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>Foto: arquivo pessoal<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pois ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Olha que abusado que sou!<\/p>\n<p>A gente se conheceu noite dessas num bar da Vila Madalena num encontro divertido com estudantes de Jornalismo que foram lhe entrevistar \u2013 e j\u00e1 vou me dando a liberdade de lhe fazer o mote deste meu humilde Blog.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19306,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19305","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19305"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19305\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19313,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19305\/revisions\/19313"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19306"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}