{"id":19360,"date":"2018-09-03T17:36:47","date_gmt":"2018-09-03T17:36:47","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19360"},"modified":"2018-09-03T17:43:40","modified_gmt":"2018-09-03T17:43:40","slug":"incendio-destroi-o-museu-nacional","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/incendio-destroi-o-museu-nacional\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandio destr\u00f3i o Museu Nacional"},"content":{"rendered":"<p>Terr\u00edvel, a not\u00edcia me surpreende no in\u00edcio da noite deste, at\u00e9 ent\u00e3o, sereno domingo enquanto leio um breve perfil de Oscar Nyemeier na antologia <em>Os Segredos Todos de Djanira &amp; outras cr\u00f4nicas sobre Arte &amp; Artistas, <\/em>do maravilhoso Rubem Braga.<\/p>\n<p>O livro p\u00f3stumo foi publicado em 2016, pela <em>Aut\u00eantica<\/em>, e s\u00f3 agora me chega \u00e0s m\u00e3os e aos olhos.<\/p>\n<p>Tenho um daqueles estranhamentos indefin\u00edveis diante da placidez da narrativa que encontro nas p\u00e1ginas e a imagem cruel que vejo na TV.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Nosso maior cronista, com a eleg\u00e2ncia de sempre, desfia na cole\u00e7\u00e3o de textos curtos que fez, entre as d\u00e9cadas de 50 e 80, a indel\u00e9vel preocupa\u00e7\u00e3o em enaltecer l\u00eddimos valores da cultura p\u00e1tria. Artistas e manifesta\u00e7\u00f5es. Quase a nos lembrar, a cada linha, que um pa\u00eds que n\u00e3o respeita seu patrim\u00f4nio imaterial, a cultura e a identidade do seu povo \u00e9 lamentavelmente um pa\u00eds que n\u00e3o merece ser livre, al\u00e9m de comprometer o pr\u00f3prio futuro.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Todo cronista sincero, penso, \u00e9 um sonhador. Algu\u00e9m que se prop\u00f5e a revelar ao \u00edntimo de quem os l\u00ea nada al\u00e9m do que o pr\u00f3prio homem nas venturas e dissabores de sua inalien\u00e1vel Humanidade.<\/p>\n<p>Somos \u00fanicos, e somos todos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se me entendem&#8230;<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Se a colet\u00e2nea inspira, as imagens da TV mostram a realidade de uma Na\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u2013 e emblematicamente \u2013 a arder em ego\u00edsmos e desmandos.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o um senhor na TV dizer contristado:<\/p>\n<p>&#8211; Assistimos impotentes a uma perda inestim\u00e1vel. Para ci\u00eancia, para o Brasil, para o mundo&#8230;<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Se os amigos me concedem uma digress\u00e3o, quero lembrar-lhes: minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado teve como objeto de estudo as estrat\u00e9gias comunicacionais que deram embasamento para a realiza\u00e7\u00e3o de uma reforma or\u00e7ada em 9 milh\u00f5es de d\u00f3lares que revitalizou o Museu Paulista da Universidade de S\u00e3o Paulo, nosso popular Museu do Ipiranga.<\/p>\n<p>Foi em meados dos anos 90 e o respons\u00e1vel pela herc\u00falea tarefa foi o diretor do Museu, o saudoso historiador Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter. Posso dizer que \u00fanica e exclusivamente.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Foi Witter que, empossado em 1994, descobriu que o centen\u00e1rio pr\u00e9dio do Museu corria s\u00e9rio risco de desabar dada \u00e0 inc\u00faria e ao abandono a que foi relegado um dos s\u00edmbolos da P\u00e1tria.<\/p>\n<p>Foi Witter que tratou de reunir os poderes p\u00fablicos (sempre recalcitrantes), a iniciativa privada e as diversas comunidades que comp\u00f5em o Museu do Ipiranga (a USP, o Governo do Estado, a Prefeitura, o Governo Federal e as entidades representativas do pr\u00f3prio bairro do Ipiranga) para arrecadar fundos e brecar a calamidade previamente anunciada e (se as coisas permanecessem na mesma estagna\u00e7\u00e3o) irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>Foi dele, diria, o brado her\u00f3ico e retumbante.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>No limiar do novo s\u00e9culo, o Museu do Ipiranga resplandeceu imp\u00e1vido, a receber novamente seus milhares de visitantes semanalmente.<\/p>\n<p>Chegou a ser o segundo mais visitado do pa\u00eds. S\u00f3 perdendo para o Imperial de Petr\u00f3polis.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Witter aposentou-se em seguida. Merecidamente.<\/p>\n<p>E o que aconteceu a partir das administra\u00e7\u00f5es que o sucederam?<\/p>\n<p>O fato: o Museu do Ipiranga est\u00e1 fechado \u00e0 visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica h\u00e1 coisa de tr\u00eas ou quatro anos. Abandonado e outra vez periclitante. Dizem que reabrir\u00e1 em 2021. A depender das pr\u00f3ximas gest\u00f5es, de quem vencer a elei\u00e7\u00e3o para o Governo do Estado, para a Presid\u00eancia ou quando algum abnegado her\u00f3ica e corajosamente se dispuser a lutar pelo Museu, pelo patrim\u00f4nio cultural do Brasil e por n\u00f3s.<\/p>\n<h6><em><strong>Foto: T\u00e2nia Rego<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terr\u00edvel, a not\u00edcia me surpreende no in\u00edcio da noite deste, at\u00e9 ent\u00e3o, sereno domingo enquanto leio um breve perfil de Oscar Nyemeier na antologia <em>Os Segredos Todos de Djanira &amp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19361,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19360","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19360"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19360\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19365,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19360\/revisions\/19365"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19361"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}