{"id":19610,"date":"2018-11-06T19:17:05","date_gmt":"2018-11-06T19:17:05","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19610"},"modified":"2018-11-06T19:29:45","modified_gmt":"2018-11-06T19:29:45","slug":"nao-tenho-odio-tenho-memoria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/nao-tenho-odio-tenho-memoria\/","title":{"rendered":"N\u00e3o tenho \u00f3dio, tenho mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><em>Hoje, na Noruega. Tanque alem\u00e3o Leopard 2 protege a \u00e1rea de montagem do grupo de batalha alem\u00e3o. Exerc\u00edcio da OTAN Trident Juncture.<strong> Foto<\/strong>: Marco Dorow, sargento do Ex\u00e9rcito Alem\u00e3o. Este mund\u00e3o de meu Deus anda arisco, e periclitante.<\/em><\/p>\n<p><em>Aviso aos navegantes:<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho \u00f3dio, tenho mem\u00f3ria.<\/p>\n<p><em>Transcrevo a mensagem que recebi do amigo Nestor&#8230;<\/em><\/p>\n<p><strong>I.<\/strong><\/p>\n<p>Carlinho*, meu chapa.<\/p>\n<p>Aqui quem vos fala \u00e9 o Nestor, o amigo \u2018belgicano\u2019 por ado\u00e7\u00e3o, que saiu do Brasil a convite dos ditadores de plant\u00e3o, l\u00e1 pelos idos dos anos 60.<\/p>\n<p>A bem da verdade, s\u00f3 acompanhei meus familiares. Meu pai, voc\u00ea sabe, este sim oper\u00e1rio e sindicalista que, desde a primeira hora, se op\u00f4s ao Golpe de 64 \u2013 e, em consequ\u00eancia, estava na mira dos homens de verde oliva e seus asseclas.<\/p>\n<p>\u00c9ramos garotos, lembra?<\/p>\n<p>Foi uma confus\u00e3o danada que, anos mais tarde, o amigo retratou na cr\u00f4nica<a href=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/18844-2\/\"><strong> Aqueles Anos Tensos..<\/strong><\/a>, aqui, neste Blog que acompanho dia sim e outro tamb\u00e9m, porque, de alguma forma, me faz sentir mais perto de casa.<\/p>\n<p>Carlinho, voc\u00ea sabe bem.<\/p>\n<p>Fui obrigado a sair do Brasil, mas o Brasil fraterno, com que sonhou meu pai \u2013 e este \u00e9 o seu \u00fanico e maior legado -, nunca saiu de mim.<\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p>Amigo, o que posso lhe dizer nessa hora?<\/p>\n<p>For\u00e7a a\u00ed, companheiro!<\/p>\n<p>Aprendi nesse tempo de vida e andan\u00e7as \u2013 que n\u00e3o \u00e9 pouco, somos contempor\u00e2neos, n\u00e3o? \u2013 que n\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3rias definitivas.<\/p>\n<p>Vale tamb\u00e9m para eventuais \u2013 e acachapantes \u2013 derrotas como esta agora que n\u00e3o s\u00f3 o Brasil, mas o Planeta enfrenta com o avan\u00e7o do conservadorismo, da gan\u00e2ncia e do capitalismo selvagem e tosco. A tal escola de Chicago&#8230;<\/p>\n<p><strong>III.<\/strong><\/p>\n<p>Tomo coragem de lhe escrever a partir da conversa\u00a0 de ontem, retratada neste espa\u00e7o, entre voc\u00ea o outro auto-exilado, o Escova.<\/p>\n<p>Venho hipotecar minha solidariedade aos dois e aos que est\u00e3o ao lado de voc\u00eas, \u2018combatendo o bom combate\u2019, como dizem por aqui.<\/p>\n<p>Tenho por inspira\u00e7\u00e3o, neste modesto recado, duas cita\u00e7\u00f5es pin\u00e7adas da obra do escritor mineiro Pedro Nava (1903\/1984).<\/p>\n<p>Penso que cabem adequadamente para explicar o momento por a\u00ed:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho \u00f3dio, tenho mem\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA experi\u00eancia \u00e9 um farol voltado para tr\u00e1s a iluminar o caminho que j\u00e1 percorremos.\u201d<\/p>\n<p><strong>IV.<\/strong><\/p>\n<p>Entendo que \u00e9 poss\u00edvel us\u00e1-las para explicar o porqu\u00ea n\u00e3o devemos subestimar as amea\u00e7adoras promessas feitas durante a campanha que, se cumpridas, causar\u00e3o enormes danos aos valores democr\u00e1ticos que tanto preservamos.<\/p>\n<p>Por outra, aos que resistirem \u2013 e estes sempre os h\u00e1 \u2013 n\u00e3o h\u00e1 como abrir m\u00e3o do equil\u00edbrio e do bom senso.<\/p>\n<p>De resto, fica a pergunta que n\u00e3o quer calar:<\/p>\n<p>Como acreditar em algu\u00e9m que se inspira no obscurantismo de tempos autorit\u00e1rios e cruentos?<\/p>\n<p>Fa\u00e7o, se me permite, uma observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 uma quase pensata:<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o M\u00e3os Limpas, na It\u00e1lia, levou Berlusconi ao poder. Neste sentido, a \u00a0Lava-Jato, no Brasil, deu no que deu&#8230;<\/p>\n<p><strong>V.<\/strong><\/p>\n<p>Resistir \u00e9 preciso, meu caro.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se lhe ajudo com essas linhas.<\/p>\n<p>Mas, marco presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Conte comigo. E com meu afetuoso e fraterno abra\u00e7o. Em todos os momentos desta caminhada que se chama vida.<\/p>\n<p>Estamos juntos.<\/p>\n<p>&#8220;Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fDio3_1AaJ8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>*<strong>Um adendo<\/strong>: Tchinim, Carlos, Carlinho era como me chamavam quando garoto nas quebradas do Cambuci. Dependendo do lugar e das pessoas, era um nome ou apelido. Tchinim, para os italianos, amigos do pai, quando era bem molecote. Carlos, para a fam\u00edlia da minha m\u00e3e. Herdei do av\u00f4 materno Carlos Humberto, este meu segundo nome. Carlinho, para a turma do futebol de rua e da v\u00e1rzea do Glic\u00e9rio. Carl\u00e3o era o goleiro do nosso time; bom, pra caramba&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Leia tamb\u00e9m a prof\u00e9tica <a href=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/nestor-e-a-corrida-eleitoral-2\/\">Nestor e a corrida eleitoral 2<\/a><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Hoje, na Noruega. Tanque alem\u00e3o Leopard 2 protege a \u00e1rea de montagem do grupo de batalha alem\u00e3o. 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