{"id":19727,"date":"2018-11-27T17:06:37","date_gmt":"2018-11-27T17:06:37","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19727"},"modified":"2018-11-27T17:13:37","modified_gmt":"2018-11-27T17:13:37","slug":"cony-quase-antologia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/cony-quase-antologia\/","title":{"rendered":"Cony &#8211; Quase Antologia"},"content":{"rendered":"<p><em>Quem sou, onde estou, de onde vim, para onde vou? N\u00e3o sei se foi o poeta Luiz Edmundo que fez as mesmas indaga\u00e7\u00f5es num soneto que eu sabia de cor e do qual s\u00f3 recordo o fim:<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cQuem sou eu? Funcion\u00e1rio honesto da na\u00e7\u00e3o. De onde vim? De casa. Onde estou? No bonde. Para onde vou? Para a reparti\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, amigos. Nada a ver com a not\u00edcia que leio hoje no Uol sobre a press\u00e3o que os ju\u00edzes fazem ao STF para manter o ign\u00f3bil \u2018aux\u00edlio moradia\u2019 mesmo ap\u00f3s a san\u00e7\u00e3o presidencial para o reajuste salarial que tanto almejam.<\/p>\n<p>(Cara dura dos senhores togados e uma grande irresponsabilidade do Ileg\u00edtimo a pouco mais de um m\u00eas para deixar o cargo.)<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Os par\u00e1grafos supracitados pertencem \u00e0 cr\u00f4nica <em>O barro e o macaco<\/em>, que consta do livro <strong><em>Cony &#8211; Quase Antologia<\/em><\/strong>, com organiza\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o do jornalista Bernardo Ajzenberg e pref\u00e1cio de Ruy Castro, lan\u00e7ado neste ano pela Editora Tr\u00eas Estrelas.<\/p>\n<p>A obra re\u00fane as melhores cr\u00f4nicas do jornalista Carlos Heitor Cony (1926\/2018) para o jornal Folha de S.Paulo, de 2005 at\u00e9 dezembro de 2017.<\/p>\n<p>Durante quase tr\u00eas d\u00e9cadas, Cony escreveu na p\u00e1gina 2 do jornal, na se\u00e7\u00e3o reservada ao Rio de Janeiro. Espa\u00e7o que antes pertencia a outro grande jornalista e escritor, Otto Lara Rezende (1922\/1992).<\/p>\n<p>O jornalista morreu em 5 de janeiro deste ano, e escreveu at\u00e9 os \u00faltimos dias.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Quem me l\u00ea aqui, com alguma frequ\u00eancia, sabe: Cony \u00e9 uma das minhas refer\u00eancias. Pela acidez de suas cr\u00edticas aos governos (qualquer governo) e, sobretudo, pela maneira como olhava e explicava o mundo e todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ele assim se autodefinia:<\/p>\n<p>\u201cSou um anarquista, inocente, que, quando muito, s\u00f3 faz mal a si mesmo\u201d.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o era exatamente \u00a0assim.<\/p>\n<p>Foi o primeiro jornalista a contestar o Golpe de 64, dura e sistematicamente. Pagou com o ex\u00edlio, o nome na lista dos malditos nas reda\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as \u00e0 sua integridade f\u00edsica e \u00e0 da sua fam\u00edlia, al\u00e9m de ter sido preso por seis vezes e processado pelo general-presidente Costa e Silva.<\/p>\n<p><strong>(&#8230;)<\/strong><\/p>\n<p>Antes de conhecer o jornalista, eu conheci o romancista Carlos Heitor Cony, autor de dezenas de t\u00edtulos.<\/p>\n<p>Extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>Quase Mem\u00f3ria <\/em>\u00a0est\u00e1 entre meus livros preferidos.<\/p>\n<p>Mas, h\u00e1 outros, muitos outros: <em>Antes o ver\u00e3o, Mat\u00e9ria de Mem\u00f3ria, Pessach \u2013 A travessia, A casa do poeta tr\u00e1gico, O Piano e a Orquestra e tantos mais.<\/em><\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>D\u00e1 para sentir uma falta danada dos coment\u00e1rios de Cony nos tr\u00f4pegos dias que hoje vivemos.<\/p>\n<p>Imagino que seriam, como sempre foram, um arrasa-quarteir\u00e3o com vencedores e vencidos do \u00faltimo pleito presidencial. E as lamban\u00e7as que, entristecidos, acompanhamos nos notici\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u00c9 uma impress\u00e3o que tenho e que se revela bem pr\u00f3xima \u00e0 realidade quando se avan\u00e7a na leitura deste <em>Quase Antologia.<\/em><\/p>\n<p>Vejam, por exemplo, o que Cony escreveu na cr\u00f4nica <em>Se<\/em> <em>eu morrer amanh\u00e3,<\/em> publicada em mar\u00e7o de 2017:<\/p>\n<p><em>Se eu morrer amanh\u00e3, n\u00e3o levarei saudade do Donald Trump. Tamb\u00e9m n\u00e3o levarei saudade da opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. N\u00e3o levarei saudade do programa do Ratinho, do Chaves, do Big Brother em geral. (&#8230;) Enfim, n\u00e3o levarei saudade de mim mesmo, dos meus fracassos nem minhas d\u00edvidas. Finalmente, n\u00e3o terei saudade dos milagres dos pastores evang\u00e9licos, nem de um mundo que fica cada vez mais imundo.<\/em><\/p>\n<p>No livro tem mais. Muito mais. Inclusive uma cr\u00f4nica dedicada a Braguinha, autor desta deliciosa <em>Primavera no Rio<\/em>.<\/p>\n<p>Leiam e ou\u00e7am!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1DcF6D1o40c\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Quem sou, onde estou, de onde vim, para onde vou? N\u00e3o sei se foi o poeta Luiz Edmundo que fez as mesmas indaga\u00e7\u00f5es num soneto que eu sabia de cor e do qual s\u00f3 recordo o fim:<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cQuem sou eu?<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19727","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19727"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19727\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19731,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19727\/revisions\/19731"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19728"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}