{"id":19762,"date":"2018-12-04T09:07:18","date_gmt":"2018-12-04T09:07:18","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19762"},"modified":"2018-12-04T22:56:29","modified_gmt":"2018-12-04T22:56:29","slug":"a-primeira-reportagem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-primeira-reportagem\/","title":{"rendered":"A primeira reportagem"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19763 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/estatua.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"266\" srcset=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/estatua.jpg 200w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/estatua-198x263.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/>A primeira reportagem, a gente nunca esquece.<\/p>\n<p>Esquece?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Olai\u00e1.<\/p>\n<p>Eu esqueci.<\/p>\n<p>S\u00f3 lembrei dia desses, quando dei uma arruma\u00e7\u00e3o geral, aqui, no meu canto da bagun\u00e7a. Encontro colado em uma folha sulfite esmaecida pelo tempo o recorte da minha primeira mat\u00e9ria publicada. Foi em abril\/maio de 1974, no Boletim da Ag\u00eancia Universit\u00e1ria de Not\u00edcias (AUN), da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP, onde estudei.<\/p>\n<p>Olhem a pretens\u00e3o do rapaz, caros leitores,<\/p>\n<p>Aceitei a pauta sobre o experimento nuclear na \u00cdndia, com a explos\u00e3o de uma bomba at\u00f4mica numa regi\u00e3o deserta, pr\u00f3xima \u00e0 fronteira com o Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 mole ou precisa mexer?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Se bem me recordo agora, cheguei atrasado \u00e0 aula do professor Paulo Roberto Leandro que distribu\u00eda os exerc\u00edcios de texto para os estudantes, com pautas sobre os acontecimentos da semana, que repercutiam na Cidade Universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A pauta que ningu\u00e9m quis, sobrou pra mim.<\/p>\n<p>Sugest\u00e3o: &#8220;entrevistar o professor Jos\u00e9 Goldemberg, diretor do Instituto de F\u00edsica da USP, sobre o referido tema&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 pegar ou ficar sem nota?<\/p>\n<p>E, bisonhamente, l\u00e1 fui eu&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O resultado, transcrevo abaixo a t\u00edtulo de curiosidade e (suposto) registro documental.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem diga que exatamente neste momento eu deveria ter desistido da carreira. Mas, o saudoso professor Paulo Roberto, generoso que s\u00f3, aprovou o texto com as devidas corre\u00e7\u00f5es e o publicou \u2013 e eu, teimoso, segui em frente.<\/p>\n<p>Leiam!<\/p>\n<p>(Se tiverem tempo e coragem)<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><strong><em>Brasil, futura na\u00e7\u00e3o at\u00f4mica?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A surpreendente explos\u00e3o nuclear indiana, com objetivos \u201cpac\u00edficos\u201d, no deserto de Thar, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira do Paquist\u00e3o, seu ex-inimigo, ressoou no mundo inteiro como uma afirma\u00e7\u00e3o da \u00cdndia, como uma na\u00e7\u00e3o desenvolvida. Pois com isso ela \u00e9 o novo membro do Clube At\u00f4mico ao lado de Estados Unidos, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Fran\u00e7a, Inglaterra e China.<\/p>\n<p>Falando sobre as consequ\u00eancias da recente experi\u00eancia, o professor Jos\u00e9 Goldemberg, titular do Departamento de F\u00edsica da USP \u00e9 de opini\u00e3o que:<\/p>\n<p>&#8211; A experi\u00eancia indiana pode encorajar os pa\u00edses do Terceiro Mundo a seguirem os mesmos passos. Israel, Argentina, Paquist\u00e3o poder\u00e3o ser os mais novos s\u00f3cios do Clube At\u00f4mico. \u00c9 um desenvolvimento lament\u00e1vel, mas dif\u00edcil de se impedir.<\/p>\n<p>O Stockolm Internacional Peace Research Institute, em seu estudo de 1972, considera que o Brasil ser\u00e1 um dos 15 pa\u00edses que, proximamente, passar\u00e3o o status de na\u00e7\u00e3o nuclear.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, o Brasil n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de construir armas nucleares \u2013 afirma o professor Goldemberg.\u00a0 &#8211; Pois usa o ur\u00e2nio enriquecido que \u00e9 importado e sujeito aos controles internacionais que impedem a transforma\u00e7\u00e3o em plut\u00f4nio, indispens\u00e1vel para as armas nucleares.<\/p>\n<p>Do mesmo modo que a \u00cdndia, a China e a Fran\u00e7a, o Brasil n\u00e3o ratificou o Tratado de N\u00e3o-Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares, mas est\u00e1 sob a fiscaliza\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Energia At\u00f4mica que limita e impede o armazenamento do plut\u00f4nio com fins b\u00e9licos.<\/p>\n<p>OS REATORES<\/p>\n<p>E A PESQUISA<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do professor, as pesquisas em F\u00edsica e Qu\u00edmica nucleares, desenvolvidas nas principais universidades brasileiras, alcan\u00e7am resultados expressivos. O embasamento cient\u00edfico compensa as experi\u00eancias com reatores caros e dif\u00edceis, que ainda necessitam de um programa mais efetivo e de maiores dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>Um Centro Nuclear em funcionamento ainda n\u00e3o existe no Brasil. A cidade de Angra dos Reis ser\u00e1, em 1977, a sede do primeiro reator que obter\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica que j\u00e1 est\u00e1 sendo constru\u00eddo e montado. Outro est\u00e1 previsto para 1982 no mesmo local.<\/p>\n<p>O Brasil conta atualmente com tr\u00eas reatores de pesquisa, de menor pot\u00eancia. O maior deles encontra-se no campus da USP, no Instituto de Energia At\u00f4mica.<\/p>\n<p>MUITAS<\/p>\n<p>UTILIZA\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19769 alignright\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/primeirareportagem-164x300.jpg\" alt=\"\" width=\"273\" height=\"499\" srcset=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/primeirareportagem-164x300.jpg 164w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/primeirareportagem-561x1024.jpg 561w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/primeirareportagem-392x715.jpg 392w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/primeirareportagem-274x500.jpg 274w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/primeirareportagem-277x506.jpg 277w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/primeirareportagem-438x800.jpg 438w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/primeirareportagem-144x263.jpg 144w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/primeirareportagem.jpg 701w\" sizes=\"auto, (max-width: 273px) 100vw, 273px\" \/>A energia at\u00f4mica n\u00e3o deve ser confundida unicamente com a finalidade de cria\u00e7\u00e3o de armas nucleares. E tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 com o seu controle para obten\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. Tem outras fun\u00e7\u00f5es que as pesquisas conseguiram determinar na Medicina para tratamento de tumores (cobalto-terapia) e diagn\u00f3sticos. O Hospital das Cl\u00ednicas da USP \u00e9 um dos que usam este m\u00e9todo especialmente no campo da cancerologia.<\/p>\n<p>Na Agricultura, a sua utiliza\u00e7\u00e3o no tratamento da terra j\u00e1 \u00e9 estudada em Piracicaba pelo Centro de Estudos Nucleares de Agricultura. Al\u00e9m da ind\u00fastria, quando \u00e9 utilizada no campo da qualidade da radiografia industrial, apesar de ser pouco explorada no Brasil.<\/p>\n<p>A energia nuclear como propuls\u00e3o para navios j\u00e1 \u00e9 utilizada h\u00e1 algum tempo em substitui\u00e7\u00e3o aos tradicionais motores diesel. Tr\u00eas pa\u00edses \u2013 os Estados Unidos, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e Gr\u00e3-Bretanha \u2013 possuem navios que usam reatores no lugar dos motores. Os Estados Unidos projetaram um navio mercante \u2013 o Savannah \u2013 que utilizou este tipo de propuls\u00e3o, mas os resultados n\u00e3o foram esperados.<\/p>\n<p>&#8211; Hoje, cerca de 10 anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento, o Savannah demonstra ser uma experi\u00eancia completamente anti-econ\u00f4mica \u2013 diz o professor Jos\u00e9 Goldemberg.<\/p>\n<p>Para o professor C\u00e9lio, de Tecnologia da Constru\u00e7\u00e3o Naval da Escola Polit\u00e9cnica da USP, esses navios justificam-se apenas para fins b\u00e9licos e n\u00e3o oferecem uma seguran\u00e7a comprovada.<\/p>\n<p>&#8211; A autonomia que propiciam \u00e0s viagens mar\u00edtimas \u00e9 enorme quando comparada com os motores diesel. O submarino Nautilus conseguiu fazer uma circunavega\u00e7\u00e3o inteiro, sempre submerso, sem necessitar reabastecimento em nenhum porto e sem mesmo subir \u00e0 tona para completar o estoque de ar, indispens\u00e1vel para abstecer os motores \u00e0 explos\u00e3o.\u00a0 Mas, o custo \u00e9 muitas vezes superior, o que somente possibilita o uso pelas maiores pot\u00eancias e, mesmo assim, como vasos de guerra.<\/p>\n<p>D\u00c9FICIT<\/p>\n<p>ENERG\u00c9TICO<\/p>\n<p>A capacidade instalada do potencial hidroel\u00e9trico do Brasil \u00e9 15 milh\u00f5es de quilowatts. A constru\u00e7\u00e3o da Usina de Itaipu dobrar\u00e1 esta pot\u00eancia. Angra dos Reis, com seus reatores, e o total hidroel\u00e9trico ser\u00e3o suficientes para abastecer, principalmente a regi\u00e3o centro-sul do pa\u00eds. Mas, a partir desta data, deveriam ser instalados de 10 a 20 reatores nucleares que dever\u00e3o produzir aproximadamente 10 milh\u00f5es de kW.<\/p>\n<p>H\u00e1 o risco de um d\u00e9ficit energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Para o professor Goldemberg, o Brasil deve agir rapidamente para evitar que isto ocorra:<\/p>\n<p>&#8211; Mesmo assim, a energia produzida em Angra dos Reis ser\u00e1 insuficiente. Os recursos hidroel\u00e9tricos da regi\u00e3o centro-sul estar\u00e3o com a capacidade m\u00e1xima de aproveitamento j\u00e1 em 1982. N\u00e3o haver\u00e1 outra possibilidade de se obter energia, a n\u00e3o ser por meio de reatores nucleares. A quest\u00e3o em debate \u00e9 a compra \u00e9 a compra desses reatores no Exterior ou se devemos encorajar a ind\u00fastria nacional a participar de seu projeto e constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Um presente para mim, neste 4 de dezembro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ch-iagmszT8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6><em><strong>Foto 1 &#8211; J\u00f4 Rabelo<\/strong><\/em><\/h6>\n<h6><em><strong>Fotos 2\u00a0 e 3 &#8211; arquivo pessoal<\/strong><\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19763 alignleft\" src=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/estatua.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"266\" srcset=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/estatua.jpg 200w, http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/estatua-198x263.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/>A primeira reportagem, a gente nunca esquece.<\/p>\n<p>Esquece?<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Olai\u00e1.<\/p>\n<p>Eu esqueci.<\/p>\n<p>S\u00f3 lembrei dia desses, quando dei uma arruma\u00e7\u00e3o geral,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19767,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19762","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19762"}],"version-history":[{"count":8,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19762\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19773,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19762\/revisions\/19773"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19767"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}