{"id":19830,"date":"2018-12-15T19:14:51","date_gmt":"2018-12-15T19:14:51","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=19830"},"modified":"2018-12-15T19:27:10","modified_gmt":"2018-12-15T19:27:10","slug":"o-brasil-o-ai-5-e-eu","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-brasil-o-ai-5-e-eu\/","title":{"rendered":"O Brasil, o AI-5 e eu"},"content":{"rendered":"<p>Marceleza me cobra porque n\u00e3o dei um depoimento pessoal sobre a implanta\u00e7\u00e3o do AI-5 no post do dia 13 de dezembro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-brasil-e-o-ai-5\/\"><strong>O Brasil e o AI-5<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 em falta com o leitor, meu querido, diz.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Amigo distante \u2013 e fugidio -, esse paulista raro (nasceu em Caraguatatuba e, at\u00e9 onde sei, vive em Taubat\u00e9, mas tem pronunciado sotaque carioca onde cresceu e foi criado) me d\u00e1 a honra de ser um dos am\u00e1veis cinco ou seis leitores que, vez ou outra, aparecem por aqui no Blog.<\/p>\n<p>\u00c9 um provocador, e por ter protagonizado algumas das tantas e quantas das minhas despretensiosas cr\u00f4nicas, sempre que pode e acha justo d\u00e1 l\u00e1 sua colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Ele n\u00e3o chega a ser um ombudsman do Blog, pois a fun\u00e7\u00e3o pertence a outro amigo, o Escova, embora este licenciado em seu ex\u00edlio volunt\u00e1rio numa pequena cidade no interior da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Acho oportuna, por\u00e9m, a observa\u00e7\u00e3o do Marceleza.<\/p>\n<p>Tenho assim a chance de discorrer sobre o tema na conversa de hoje. Mesmo sem ter muita coisa a acrescentar \u2013 e, de boa, lembrar outro cinquenten\u00e1rio, este muito bem vindo: o do do lan\u00e7amento de um dos marcos da nossa m\u00fasica popular, o disco <em>Tropic\u00e1lia ou Panis Et Circensis.<\/em><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Aos 18 anos, \u00e0s voltas com o encerramento da minha forma\u00e7\u00e3o no segundo grau, n\u00e3o tinha a necess\u00e1ria compreens\u00e3o do que acontecia no Brasil.<\/p>\n<p>O professor Cassemiro, de Sociologia, era o \u00fanico que nos punha em contato com a realidade que viv\u00edamos. Os jornais eram censurados \u2013 e, em casa, pouco se falava sobre o assunto.<\/p>\n<p>A \u00fanica recomenda\u00e7\u00e3o que recebia do Velho Aldo, meu pai, era pra que n\u00e3o me metesse em pol\u00edtica \u201cque era encrenca certa\u201d.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Dimensionava o tamanho da \u201cencrenca\u201d pelo que pude presenciar nas batalhas entre estudantes da Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco com a cavalaria do Ex\u00e9rcito nas ruas do centro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Eram frequentes.<\/p>\n<p>Eu trabalhava como balconista numa loja de disco, ali, no come\u00e7o da rua S\u00e3o Bento \u2013 e, dia sim e outro tamb\u00e9m, \u00e9ramos obrigados a fechar rapidamente a porta de a\u00e7o na hora que o conflito esquentava.<\/p>\n<p>Muitas vezes, no af\u00e3 de escapar das cacetadas e das bombas lan\u00e7adas pelos milicos, a rapaziada se escondia dentro da nossa loja. Para espanto do gerente, um tal de S\u00e9rgio, e para alegria minha e do Diogo, o outro lojista, que lhes davam guarida.<\/p>\n<p>Havia um deles, n\u00e3o me recordo o nome, que sempre nos pedia que colocasse no toca-discos o elep\u00ea do Caetano, do Gil, do Tomz\u00e9 e outros.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, acontecia o improv\u00e1vel. O pau comendo l\u00e1 fora e a gente a ouvir os trinados de Gal Costa na dolente e enigm\u00e1tica \u201cBaby\u201d ou o fuzu\u00ea de Gil em \u201cBatmacumba\u201d ou ainda a an\u00e1rquica \u201cPanis Et Circenses\u201d, com a turma dos Mutantes.<\/p>\n<p>Eram as nossas preferidas embora ouv\u00edssemos o disco da primeira \u00e0 \u00faltima faixa, v\u00e1rias vezes.<\/p>\n<p>O que deixava o gerente desconfort\u00e1vel enquanto n\u00f3s, eu e o Diogo, de alguma forma, por instantes, imagin\u00e1vamos ser um deles.<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Sobre a aberra\u00e7\u00e3o do Ato Institucional \u2013 n\u00famero 5, eu s\u00f3 fui entender o que representava, dias depois, quando soube que Gil e Caetano estavam presos \u201cpor desonrarem o hino nacional\u201d, Benjor seria ouvido para que explicasse o teor da m\u00fasica \u201cCharles, Anjo 45\u201d e Geraldo Vandr\u00e9 e Chico Buarque seriam exilados \u201cpelo que diziam em suas can\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Quem trouxera a informa\u00e7\u00e3o foi um senhor que morava no Ipiranga e trabalhava numa grande gravadora.<\/p>\n<p>\u201cOs meninos correm s\u00e9rios riscos\u201d \u2013 ainda lembro a express\u00e3o do homem de uns aproximados 50 anos. \u201cTamb\u00e9m v\u00e3o mexer com quem n\u00e3o devem.\u201d<\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Como disse l\u00e1 em cima, no in\u00edcio da conversa, eu n\u00e3o sabia exatamente o que estava acontecendo. Mas, tinha no\u00e7\u00e3o exata de que lado eu estava.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gfs9DC4GNr0\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marceleza me cobra porque n\u00e3o dei um depoimento pessoal sobre a implanta\u00e7\u00e3o do AI-5 no post do dia 13 de dezembro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-brasil-e-o-ai-5\/\"><strong>O Brasil e o AI-5<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19832,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-19830","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19830"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19830\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19839,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19830\/revisions\/19839"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19832"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}